Crítica | Lucifer – 3X14: My Brother’s Keeper

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Como o título bem indica, o mote do episódio é a relação fraternal. O caso da semana, como sempre, é o estopim de um simpático estudo da relação entre Amenadiel e Lúcifer, ainda que os dois tenham pouquíssimo tempo de tela juntos, o que acaba, curiosamente, amplificando o efeito da premissa.

No caso da semana, somos apresentados a Jay Lopez (Rey Valentin), irmão mais velho de Ella que acaba se envolvendo no assassinato de um negociador de diamantes. Foragido, ele é o principal suspeito e Ella, desesperada, contrata os serviços de Maze para localizá-lo enquanto Chloe e Lúcifer seguem com a investigação criminal que envolve, ainda, a dona de uma joalheria e um corretor de seguros.

A importância da família é salientada em cada palavra que sai da boca de Ella em um roteiro que, apesar de ser escrito pelo próprio Joe Henderson, showrunner da série, juntamente com Jason Ning, responsável pelo ótimos Favorite Son, Weaponizer e God Johnson, chega a ser um pouco cansativo pela repetição temática dentro de um mesmo núcleo. No entanto, o caso da semana em si cumpre a função de servir de trampolim para a discussão principal do episódio.

Essa temática começa quando Lúcifer, querendo descobrir como remover a “marca de Caim” de Pierce, tem a ideia de pedir ajuda a Amenadiel. O breve diálogo inicial entre os dois anjos já mostra o claro antagonismo entre eles, algo exacerbado pela postura de “guardião do irmão” que Amenadiel assumiu de vez, mas que, porém, vem sendo mal aproveitada na temporada. De toda forma, quando Caim finalmente conversa com o anjo sem poderes, ameaçando-o e também pessoas aleatórias na boate Lux, já que o anjo, lógico, se recusa a ajudá-lo, até porque foi ele quem colocou a marca lá, a luta resultante que destrói o lugar oscila bastante entre divertida e batida. Claro que uma pancadaria dentro de um contexto lógico é sempre bem vinda, mas a economia nos efeitos especiais que é característica da série parece não ficar limitada a isso, resvalando, também, em uma economia grande demais no trabalho de dublês e nos efeitos práticos, o que diminui o impacto do que vemos na telinha. A troca de socos é lenta, mal coreografada e até mesmo o uso de sangue parece mal pensado e Sessão da Tarde, algo que a série parece ser, mas que, na verdade, não é.

No entanto, o confronto verbal entre Caim e Amenadiel, com o primeiro mostrando que o segundo e ele não são assim tão diferentes – afinal, Amenadiel tentou matar Lúcifer, não é mesmo? – coloca tudo em perspectiva. Ao mesmo tempo, as frias ações iniciais de Caim ameaçando inocentes enquadram o personagem não como um simpático tenente de polícia, uma alma torturada, possível interesse amoroso de Chloe ou amigo de Lúcifer, mas sim como um vilão, algo que tem o potencial de fazer a temporada engatar de verdade, já que muito claramente está faltando “alguma coisa” para o trabalho de Henderson neste terceiro ano da série mostrar a que veio. Da mesma forma, a conversa final entre os anjos caídos também acentua o antagonismo entre eles, de certa forma isolando Lúcifer completamente em sua teimosia de achar que pode lidar com tudo sem a ajuda de ninguém.

Como bônus, duas novas relações são construídas no episódio. A primeira delas é entre Ella e Maze, um dos poucos pares que não haviam sido formados ainda. A doçura de Ella contrastando com as patadas de Maze não leva a momentos lá muito inspirados, mas consegue divertir especialmente pela atuação debochada e entediada de Lesley-Ann Brandt. A outra relação é mais uma promessa de relação do que qualquer outra coisa: Charlotte procura a Dra. Linda para lidar com seus problemas, mas a psicóloga, lembrando do que “mamãe” fizera com ela, tem uma reação extremada e recusa tratamento. É um momento interessante que poderia ter sido protraído no tempo de forma a permitir uma melhor aclimatação da doutora, talvez em momento futuro. Todavia, um tanto quanto na correria, o roteiro fecha o episódio com Linda procurando Charlotte, pedindo desculpas e estabelecendo, então, o que podem ser sessões de terapia bastante interessantes.

Ao lidar com família e fraternidade, My Brother’s Keeper parece relevar a vilania de Caim/Pierce e isso só pode fazer bem à temporada. Mas, claro, Henderson precisará abraçar de vez essa vertente e colocar em movimento um plano celestial de vingança que realmente crie a cola para a metade final da temporada.

*Lucifer entrará em mais um hiato, retornando, apenas, dia 26 de fevereiro.

Lucifer – 3X14: My Brother’s Keeper (EUA – 05 de fevereiro de 2018)
Desenvolvimento: Tom Kapinos (baseado em personagem criado por Neil Gaiman, Sam Keith e Mike Dringenberg)
Showrunner: Joe Henderson
Direção: Hanelle Culpepper
Roteiro: Joe Henderson, Jason Ning
Elenco principal: Tom Ellis, Lauren German, Kevin Alejandro, D.B. Woodside, Lesley-Ann Brandt, Rachael Harris, Aimee Garcia, Tom Welling, Tricia Helfer, Kevin Carroll, Scarlett Estevez
Duração: 45 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.