Crítica | Lucifer – 3X15: High School Poppycock

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

De volta de mais um hiato, Lucifer chega com um divertido episódio que, em termos de ligação com o arco macro da mitologia do personagem, não tem quase nada. Mas, como já afirmei antes, eu já aprendi a parar de me preocupar e a amar episódios soltos da série, então não tem problema.

Essa conexão com a mitologia se dá, única e exclusivamente, com o que Lúcifer considera como um bloqueio criativo seu, pois ele não consegue mais imaginar formas diferentes para matar Marcus Pierce – ou Caim, para os íntimos – e, depois de frustrar-se com a pouca ajuda que ele acha que recebe da sempre solícita Dra. Linda, ele abraça o caso da semana que, não coincidentemente, lida exatamente com o assassinato de uma autora de livros para jovens adultos que, recentemente, completou a última obra da coleção que a fez famosa (pois livros classificados como para “jovens adultos” PRECISA fazer parte de coleções…), desvencilhando-se de um bloqueio criativo. Quando Chloe e Lúcifer interrogam o editor da falecida no local do crime, ele revela que, no prefácio do manuscrito desaparecido, haveria uma explicação de como ela fez para quebrar sua maldição e o Diabo, claro, fica desesperado para achar a obra e não necessariamente o culpado.

Essas ligações dos problemas de Lúcifer – imaginários ou reais – com os casos da semana são o padrão narrativo da série e, como sempre, o caso em si fica em segundo plano, servindo mais de trampolim para a interação entre os personagens do que como um fim em si mesmo, o que é sempre uma boa notícia. Afinal, por mais que os roteiros tentem lidar com situações policiais diferentes, a grande verdade é que todos os casos se parecem e acabam quase que da mesma maneira, com a solução invariavelmente voltando para o início das investigações e com Lúcifer falando fora de hora e fazendo tudo de mais inapropriado possível para acelerar o desfecho. Em High School Poppycock, o roteiro de Chris Rafferty e Jen Graham Imada brinca um pouco com nossas expectativas e inverte os papéis: Chloe passa a ser a personagem avoada e inapropriada depois que o baile de reunião de formados da turma da morta entre em cena, reacendendo seu arrependimento por nunca ter ido a um e Lúcifer se mostra sério e compenetrado, efetivamente com sede de lidar com o mistério, ainda que, lógico, mais por razões egoístas do que qualquer outra coisa.

Esse artifício simples abre espaço para Lauren German brilhar um pouco, já que a atriz estava apagada há algum tempo. Encarnando a adolescente deslumbrada pelo romances água com açúcar da vítima e com o vindouro baile, sua Chloe torna-se uma personagem constrangedora. E digo isso positivamente, pois sua postura sempre sisuda é temperada com uma veia cômica leve que efetivamente diverte. Sem dúvida que sua mudança é muito radical em pouco tempo, mas isso é algo também comum na série e facilmente aceitável, especialmente depois que Chloe vira a noite lendo as bobagens literárias que foram inspiradas pelos colegas de escola da autora. Ao final, a aproximação romântica de Chloe a Lúcifer é uma boa forma de discretamente o showrunner retornar a esse aspecto da história que foi esquecido sem cerimônia. Não foi nada definitivo ou marcante, apenas simpático, mas que claramente mostra que ainda há algo a mais ligando os personagens.

Fora do eixo principal, Maze, tendo descoberto de uma vez por todas sobre o romance secreto da Dra. Linda com Amenadiel, parte para forçar os dois a contar tudo para ela depois que ela é inadvertidamente influenciada pela sempre adorável Trixie. A premissa rende bons momentos a dois entre o casal, com Linda dividida entre o que sente pelo anjo e sua amizade com a diaba e, mais ao final, com os dois e mais Maze e o nerd da escola cuja identidade Lúcifer assume para poder penetrar na formatura. Maze atacando Amenadiel e o anjo e Linda trocando olhares desesperados enquanto o nerd não para de falar das porcarias mais inconvenientes estabelece uma dinâmica quase cartunesca, mas agradável e eficiente para encerrar esse breve arco narrativo com a separação – definitiva? – do casal. Da mesma forma que German teve seu espaço no episódio, a trinca formada por D.B. Woodside, Lesley-Ann Brandt e Rachael Harris também ganham atenção das câmeras de Louis Milito e mais uma vez demonstram ter a química necessária para fazer a história funcionar.

High School Poppycock não é particularmente brilhante, mas é mais um episódio filler de veia cômica bem estruturada na série, que vem se notabilizando por essa característica. Longe de estar próximo do fim da temporada, ainda há muito tempo para o arco de Caim ser abordado e apropriadamente encerrado ao longo do ano.

Lucifer – 3X15: High School Poppycock (EUA – 26 de fevereiro de 2018)
Desenvolvimento: Tom Kapinos (baseado em personagem criado por Neil Gaiman, Sam Keith e Mike Dringenberg)
Showrunner: Joe Henderson
Direção: Louis Milito
Roteiro: Chris Rafferty, Jen Graham Imada
Elenco principal: Tom Ellis, Lauren German, Kevin Alejandro, D.B. Woodside, Lesley-Ann Brandt, Rachael Harris, Aimee Garcia, Tom Welling, Tricia Helfer, Kevin Carroll, Scarlett Estevez
Duração: 45 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.