Crítica | Lucifer – 3X18: The Last Heartbreak

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

E, quando menos se espera, Lucifer nos presenteia com um episódio que não só nos banha em dividendos da presença razoavelmente morna de Tom Welling na temporada, como estabelece o que pode ser o arco narrativo macro para esse “começo de final”, além de costurar muito bem o caso da semana com a mitologia maior, sem deixar de abordar praticamente todos os coadjuvantes ao redor do aparente triângulo amoroso formado por Chloe, Lúcifer e Pierce. Em uma temporada que não acaba mais e que é repleta de altos e baixos, é bom reparar que os altos são realmente altos e os baixos nem tão baixos assim.

Começando com uma inesperada sequência que se passa em 1958, com Pierce, ainda detetive de polícia, obsessiva e solitariamente investigando um serial killer conhecido pela alcunha Broken Hearts Killer. A surpresa desse momento inicial e de outra sequências breves nesse período de tempo que são salpicadas ao longo do episódio vem do inteligente aproveitamento da imortalidade do personagem, até agora só trabalhado mesmo no presente, sem que sentíssemos sua ancestralidade. Vendo essa pegada de época – simples, mas engenhosas alterações de cenários, figurinos e iluminação evocam bem os anos 50 – ficou aquela vontade de que todo o capítulo se passasse por lá, mesmo que isso significasse um filler inconsequente. Mas não é isso que vemos, com o roteiro de Alex Katsnelson e Mike Costa logo levando o espectador ao presente quando, surpresa, surpresa, um assassinato igual aos investigados por Pierce acontece novamente.

A conveniência narrativa é plenamente aceitável e funciona organicamente para inserir o agora tenente na investigação das mortes, normalmente capitaneada por Chloe e Lúcifer. Com isso, o episódio dá continuidade ao que foi visto ao final de Let Pinhead Sing!, ou seja, a tentativa de Pierce de seduzir Chloe, algo que parece ser uma ação benigna e que vem do coração, mas que, como notamos ao final, na verdade faz parte do plano de Caim para conseguir o que realmente almeja. Ainda não há pistas sobre o que ele realmente pretende, mas fica clara a volta do personagem ao status de vilão, por mais simpático que ele tente parecer. É essa “bola curva” que deve dar o necessário pano para manga para que o restante da temporada gire em torno disso ou das consequências do ato dele.

Para fins de The Last Heartbreak, porém, essa inserção de Pierce na nem sempre harmônica dupla Chloe-Lúcifer funciona como o proverbial sal na ferida, com o Anjo Caído entrando em uma espiral de desespero ao notar o distanciamento de Chloe. É a tática de sempre porém: Lúcifer não para de se intrometer na investigação, fazendo os comentários mais absurdos e fora de lugar, até que ele percebe o erro que cometeu e a situação, então se arrefece. A “fórmula Lucifer” tem se tornado cada vez mais cansativa, mas, aqui, ela ganha relevância e Tom Ellis parece mais comedido com um texto mais relevante como um todo, especialmente ao final, quando vemos a reação de Chloe que, tardiamente, percebe que realmente sente algo mais por seu parceiro. Resta saber como é que esse vai-e-vem será resolvido, pois isso também está se tornando repetitivo.

Fora do foco principal, Amenadiel inadvertidamente encontra-se com Charlotte e ele, ainda achando que sua mãe está possuindo o corpo da advogada, solta detalhes do que aconteceu que aprofundam as dúvidas da já traumatizada mulher. Mesmo que esse aspecto não seja muito explorado no episódio, ele se encerra com o que aparentemente é a revelação à mais uma civil sobre o caráter divino da presença de Lúcifer e Amenadiel em Los Angeles. Como a Dra. Linda é a única humana com esse conhecimento, esse pode ser um artifício narrativo com potencial de desenvolvimento e que, de quebra, pode ter o condão de trazer a também subaproveitada Tricia Helfer novamente para os holofotes.

The Last Heartbreak é mais uma demonstração do que a série poderia ser se os casos da semana fossem constantemente usados como trampolins para a abordagem da mitologia principal. Mas, como não se pode ter tudo, é bom ver que a volta de Pierce à sua função de vilão, com mais um plano misterioso, parece ser o sopro de vida que a temporada precisava. Tomara que o elã seja aproveitado.

Lucifer – 3X18: The Last Heartbreak (EUA – 19 de março de 2018)
Desenvolvimento: Tom Kapinos (baseado em personagem criado por Neil Gaiman, Sam Keith e Mike Dringenberg)
Showrunner: Joe Henderson
Direção: Hanelle Culpepper
Roteiro: Alex Katsnelson, Mike Costa
Elenco principal: Tom Ellis, Lauren German, Kevin Alejandro, D.B. Woodside, Lesley-Ann Brandt, Rachael Harris, Aimee Garcia, Tom Welling, Tricia Helfer, Kevin Carroll, Scarlett Estevez
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.