Crítica | Lucifer – 3X19: Orange Is the New Maze

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Como disse na crítica do episódio anterior, tem sido uma surpresa notar como a subtrama do ciúme incontido de Maze pelo caso que Amenadiel e a Dra. Linda tiveram não foi já resolvido e esquecido. E afirmo isso positivamente, pois a série parece querer desvencilhar-se de linhas narrativas efêmeras demais, que se resolvem em um ou dois episódios para nunca mais serem mencionadas.

Orange is the New Maze gira exatamente em torno disso, com Maze sendo acusada de um assassinato que ela não se preocupa muito em se defender. Claro que, apesar de a diabinha ser uma louca furiosa e começar o episódio saindo da casa de Chloe e pedindo a Lúcifer que a retorne ao Inferno, o que ele se recusa a fazer, deixando-a ensandecida, sabemos muito claramente que não foi ela a culpada, por mais que a câmera de segurança dê a entender o contrário.

A partir daí, temos Lúcifer, de um lado, certo da culpa de Maze e, de outro, Chloe, Dan e Ella tentando efetivamente inocentar a caçadora de recompensas. Não demora, porém, e até Lúcifer vê a luz e fica ao lado de Maze na história que envolve os “caçados” por ela em hilários interrogatórios e uma vilã dona de uma vinícola, mãe de um preso que morrera na prisão e que culpa Maze pelo ocorrido. No entanto, como sempre, a resolução do crime em si não importa muito e o foco repousa mesmo na raiva de Maze pela traição de Amenadiel e Linda que, porém, é apenas a ponta do iceberg.

O iceberg inteiro é revelado no sério diálogo final entre ela e Lúcifer, em que ela revela que sempre foi relegada a segundo plano (sempre ficou claro que ela gosta de verdade do Diabo e não apenas como sua subalterna favorita) depois que Lúcifer, em uma conversa particularmente sem tato, afirma que, agora que Chloe e Pierce estão juntos, ele precisará de sua diabinha ao seu lado novamente e é por isso que ela não pode voltar ao Inferno. E, sempre no pano de fundo, vemos Pierce como uma presença insidiosa, realmente usando Chloe para chegar em Lúcifer.

Na verdade, diria que Lúcifer merece um inimigo dessa estatura. O Lorde das Trevas é um bonachão egoísta que não se importa em ferir os sentimentos de quem quer que seja e Pierce/Caim pode ser uma peça importante para fazê-lo crescer, considerando que, ao longo das três temporadas da série, Lúcifer continua sendo praticamente o mesmo desde o início. Quando Pierce arregimenta a ajuda de uma vingativa Maze como parte de seu plano ainda não revelado para conseguir o que quer, o showrunner Joe Henderson dá pistas de que está realmente armando a linha mestra para esse final de temporada, agora que só faltam cinco episódios (os 26 episódios anunciados inicialmente para a temporada foram reduzidos para 24, ainda muito, mas sem dúvida melhor).

Da mesma maneira que a história de Maze não só não acaba como ganha ainda mais relevo, o mesmo acontece com a sub-trama envolvendo Charlotte e sua busca literal pelo tempo perdido. Depois que Amenadiel, no episódio anterior, conta para ela uma boa parte de todo o mistério, ela vai atrás de Lúcifer que, sem saber do que vinha acontecendo, faz um resumo celestial sem deixar nada de fora, que, mesmo sendo tão exagerado que o torna impossível de se acreditar, acaba deixando a advogada com um ninho de pulgas atrás da orelha. O importante, porém, é que toda essa narrativa deságua na efetiva prova da verdade, com Lúcifer, a pedido de seu irmão, mostrando suas asas angelicais a ela. A reação de Charlotte ainda é incerta. Tricia Helfer tem uma excelente atuação aqui e sua personagem termina realmente perturbada a ponto de ser difícil ler o que se passa em sua cabeça. Será que a série se aproxima de uma revelação maior, considerando-se que apenas Chloe e Dan permanecem na ignorância? Veremos…

Orange is the New Maze é mais um ótimo episódio dessa estirada final da terceira temporada. Agora é torcer para que essa pegada continue até seu encerramento, sem desvios e sem fillers. Mas desconfio que seja pedir demais…

Lucifer – 3X19: Orange is the New Maze (EUA – 26 de março de 2018)
Desenvolvimento: Tom Kapinos (baseado em personagem criado por Neil Gaiman, Sam Keith e Mike Dringenberg)
Showrunner: Joe Henderson
Direção: Nathan Hope
Roteiro: Jenn Kao
Elenco principal: Tom Ellis, Lauren German, Kevin Alejandro, D.B. Woodside, Lesley-Ann Brandt, Rachael Harris, Aimee Garcia, Tom Welling, Tricia Helfer, Kevin Carroll, Scarlett Estevez
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.