Crítica | Lucifer – 3X22: All Hands on Decker

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Quando a melhor coisa que um episódio oferece é seu título, percebe-se que uma série está realmente em perigo… Afinal, All Hands on Decker lida, de um lado, com um assassinato de um dono de um cachorro premiado prestes a fazer uma apresentação, com Lucifer tentando tornar-se Chloe para entender o porquê de ela ter aceito a proposta de casamento de Pierce e, de outro, com a festa de despedida de solteiro de Chloe organizada primeiro por Maze e, depois, por Charlotte.

Pela primeira vez em muito tempo – para o mérito do episódio – o caso da semana não tem correlação direta e completa com o drama existencial de Lúcifer. Mas não é um caso particularmente interessante e o protagonista mantem-se daquele jeito irritante que ele tem assumido nos últimos vários capítulos, recusando-se a assumir o que sente por Chloe. Se olharmos para trás, em termos de construção de personagem, Lúcifer não tem evoluído como seria de se esperar mesmo em uma série baseada em caso da semana. Ao contrário até, ele tem involuído, tornando-se inconveniente ao limite, chato mesmo. Da última vez que ele fez parceria com Dan, o resultado foi ótimo, mas, agora, o resultado é no máximo mediano, com alguns momentos divertidos muito mais pela estupefação constante de Kevin Alejandro em seu papel de Detetive “Douche” do que pelos esforços de Tom Ellis em tornar seu Lúcifer realmente bacana novamente.

Do lado feminino, a festa comportada que Maze idiossincraticamente organiza, por não querer arriscar que Chloe mude de ideia em relação a Pierce que a enganou com uma tatuagem falsa de sua marca, diverte por alguns segundos pela peculiaridade da coisa, com um design de produção que propositalmente faz doer os olhos de tanto rosa e glitter usado para decorar a casa da noiva. Mas Charlotte, Ella e Linda (Chloe não tem mais amigas?) não aguentam aquilo e a agora promotora pública usa seus contatos para coordenar uma despedida de solteiro móvel, com direito até a um time de pólo aquático para animar as coisas. Nesse ponto, o roteiro começa a se perder completamente ao lidar com os interesses de cada uma – Maze e Charlotte – de maneira intrusiva e absolutamente pouco natural, em meio a bebida, pole dancing, música alta e homens musculosos.

Se encaradas de maneira rasa, as duas linhas narrativas cumprem o mínimo necessário para que elas funcionem, como se a roteirista Sheri Elwood tivesse escrito sem a mínima vontade de fazer um trabalho realmente bem feito. E o problema maior que, tenho certeza, não tem relação direta com ela, é a indecisão de Joe Henderson em relação a seus personagens. As mudanças de planos acontecem praticamente a todo episódio, primeiro com Pierce querendo enganar Chloe, Chlose se apaixonando por ele, Pierce largando-a, ela ficando deprimida e com ódio dele, depois ele percebendo que a ama e convencendo-a que errou e que eles deveriam ficar juntos, em seguida uma proposta de casamento a toque de caixa seguida de uma mudança de ideia radical graças a uma motorista de ônibus e um Pierce vingativo ao final. Haja paciência para esse joguinho típico de série de adolescente impúbere… Essa não era e nunca foi a proposta de Lúcifer em seu começo e Henderson vem consideravelmente mudando o caminho para algo bobo, banal e completamente desfocado.

E vejam bem: não tenho nada contra romances. O que não dá para aturar são marmanjos agindo como crianças de 12 anos de idade. Já chega Lúcifer ser como é e nunca mudar nem mesmo um pouquinho. Mas aturar Chloe fazendo o mesmo joguinho indeciso e, pior, Pierce, um homem imortal que anda pela Terra há milhares de anos, com maturidade de um adolescente espinhudo que parece não ter nada mais complexo a pensar do que escolher entre ficar em casa jogan videogame ou saindo para uma festa com os amigos. Dan parece ser o único que se salva nesse mar de bobagens, com seu personagem realmente tentando crescer e se firmar quando os roteiros dão espaço a ele.

All Hands on Decker poderia ser divertido se não fosse o 22º episódio da 3ª temporada de Lucifer com a exata mesma cara de diversos outros episódios bem mais para o começo da história. Quer parecer que o desenvolvimento de personagens, para Joe Henderson, significa transformá-los de adultos em adolescentes e não o contrário. Mas pelo menos o título é bem bolado…

Lucifer – 3X22: All Hands on Decker (EUA – 30 de abril de 2018)
Desenvolvimento: Tom Kapinos (baseado em personagem criado por Neil Gaiman, Sam Keith e Mike Dringenberg)
Showrunner: Joe Henderson
Direção: Eduardo Sánchez
Roteiro: Sheri Elwood
Elenco principal: Tom Ellis, Lauren German, Kevin Alejandro, D.B. Woodside, Lesley-Ann Brandt, Rachael Harris, Aimee Garcia, Tom Welling, Tricia Helfer, Kevin Carroll, Scarlett Estevez
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.