Crítica | Luke Cage (Power Man) #48 e #49 (1977 – 1978)

estrelas 3,5

A partir da edição #17, o inovador sub-título de Luke Cage, Herói de Aluguel, foi substituído por algo pretensamente mais heroico, mas dolorosamente genérico: Power Man. Essa alcunha mais padrão chegou a ser traduzida, no Brasil, para “Poderoso”, mas o nome nunca “pegou” de verdade e o personagem continuou a ser conhecido como Luke Cage por aqui.

Aliás, mesmo nos EUA, apesar da insistência da Marvel em usar Power Man, fazendo Cage referir-se a si mesmo com esse nome não funcionou completamente, pois o nome original realmente sedimentou-se no imaginário popular. Mais tarde, na mesma publicação (em uma época em que zerar edições ainda era algo raro), o nome Luke Cage saiu completamente da capa, restando, apenas, Power Man.

Mas isso não foi suficiente para levantar as vendas da revista. Na segunda metade da década de 70, os filmes blaxploitation já estavam começando a escapar do gosto popular e algo a mais precisava ser feito. A solução encontrada foi pegar outro sub-gênero cinematográfico que estava caindo em popularidade – os filmes de artes marciais – e parear um herói que havia sido inspirado por essa moda com Luke Cage. Entra então, na equação, Daniel Rand, o Punho de Ferro, criado em 1974. A reunião dos dois heróis urbanos da Marvel seria profícua e longeva, além de ser uma das mais adoradas duplas super-poderosas pelos leitores. O resultado disso seria a quarta alteração de título na publicação solo de Luke Cage, que deixou de ser solo e passou a denominar-se Power Man and Iron Fist a partir da edição #50, de abril de 1978 e que continuaria ininterruptamente até o #125, de setembro de 1986.

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Preparando-se para a vindoura mudança, a Marvel publicou um mini-arco nos últimos dois números da revista Power Man, #48 e #49, com o objetivo de colocar os dois heróis em sintonia e ao mesmo tempo limpar a ficha criminal de Luke Cage, que fugira da prisão de Seagate, na Geórgia, logo no primeiro número de sua histórica publicação solo. Chris Claremont, aliás, inteligentemente criou um roteiro circular, que rima com o primeiro arco de aventuras de Cage. Lá, como aqui, o herói enfrenta um vilão com nome de cobra (Cascavel no original e Bushmaster na nova história) e tudo termina onde começou, na prisão de Seagate, agora uma base secreta, com direito até ao uso de Gadget, capanga-nerd originalmente de Willys Striker.

E, claro, na melhor tradição de “primeiros encontros” entre heróis, tudo começa com a pancadaria entre eles e Claremont não se faz de rogado e coloca Cage primeiro em oposição a Colleen Wing, depois Misty Knight e, só então, triunfalmente, ao Punho de Ferro. Lógico que tudo não passa de um engano, no caso o sequestro de Claire Temple e Noah Burstein por Bushmaster para forçar Luke Cage a sequestrar Misty Knight. As lutas estão todas concentradas no primeiro número, com o fenomenal John Byrne na poderosa arte que só ele sabia fazer. A dupla já vinha desenhando o Punho de Ferro e eles trazem o estilo elegante e esguio para a ação, contratando com a “cavalice” de Cage, praticamente um Hulk em total desespero. Cada sequência de ação funciona como um balé e as splash pages são obras de arte na proporção corporal e distribuição espacial. Valem especial destaque a aparecimentos de Punho de Ferro uniformizado das sombras e o uso de seu punho pela primeira vez em Cage (vide a imagem usada no destaque da presente postagem).

No segundo número, todo ele passado em Seagate, vemos que o grande plano de Bushmaster era, na verdade, tornar-se um segundo Luke Cage, ao forçar o Dr. Burstein a aplicar a mesma experiência original nele. Tudo é mera desculpa para mais pancadaria, dessa vez de igual para igual, com um final apoteótico, mas previsível e que abre espaço para a duradoura amizade entre os dois heróis.

Luke Cage #48 e #49 funciona como um eficiente adeus ao título solo do herói e um bom prelúdio ao começo de uma nova era. A dupla improvável entre força bruta e técnica começa aqui e continua até hoje.

Luke Cage #48 e # 49 (Power Man #48 e #49, EUA – 1977/8)
Roteiro: Chris Claremont
Arte: John Byrne
Arte-final: Dan Green
Cores: Françoise Mouly
Letras: Annette Kawecki
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: dezembro de 1977 e fevereiro de 1978
Editora no Brasil: Editora Abril
Data de publicação no Brasil: dezembro de 1985 e janeiro de 1986 (Heróis da TV #78 e #79)
Páginas: 18 (cada edição)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.