Crítica | Mad Max: Estrada da Fúria – Max, Parte Dois

estrelas 4

A Vertigo Comics encerra – pelo menos por enquanto – seu projeto de quadrinhos baseado em Mad Max: Estrada da Fúria, com o segundo número da microssérie dedicada a Max, depois de abordar Nux e Immortan Joe no primeiro número e Imperator Furiosa no segundo. Na primeira parte de Mad Max: Estrada da Fúria – Max, vemos Max lutar na nova versão da Cúpula do Trovão e ser salvo por uma mulher misteriosa.

mad max fury road max 2 coverLogo no início do segundo número, aprendemos a razão do salvamento: ela quer que Max a ajude a resgatar sua filha que fora sequestrada pelos Buzzards (aquele povo com carros espinhudos do novo filme de Miller), o mesmo que roubara de Max seu Interceptor V8 cujo motor ele havia ganhado na luta em Gastown. Como os interesses de Max e da mulher convergem e como ele, lá no fundo, tem coração mole, ele se lança na missão de recuperar a menina e invade sozinho o QG dos Buzzards em uma Sydney pós-apocalíptica. Muito semelhante à estrutura de Aliens, em que Ripley atua junto com uma esperta menina (Newt) que conhece os meandros labirínticos do lugar onde está presa, Max e a garota formam uma dupla simbiótica: ele é os músculos, ela é o cérebro.

E o resultado é muito satisfatório, com uma narrativa simples, mas que resgata o espírito clássico do personagem, além de homenagear os filmes anteriores, especialmente o original. É também muito interessante ver o lado “louco” de Max de maneira pronunciada, já que ele é retratado como alguém que não só não consegue interagir com outros humanos, como também como alguém que mal sabe falar, balbuciando palavras aqui e ali. Afinal, Max já perdeu sua humanidade há muito tempo e age muito mais por instinto do que por qualquer outra coisa. O final da narrativa é melancólico bem no estilo que sempre marcou a vida do personagem e se encaixa perfeitamente com sua mitologia, ainda que tenha potencial de entristecer o leitor.

A arte de Mark Sexton é, assim como em seu trabalho anterior, visceral. Ele não faz concessões, não tenta embelezar nada. A pancadaria, quando começa, não acaba e só vai escalando até seu clímax. Sentimos a aridez do local com os traços “desleixados” do autor e com sua criatividade em colocar nas páginas os mais bizarros personagens, algo que também sempre marcou os filmes da série. O trabalho de cores de Michael Spicer também ajuda muito nessa sensação de aridez, sempre usando tons amarelados e pretos para contrastar o deserto inclemente com a tecnologia decadente. É como ver os filmes em quadrinhos e isso é, para os fãs do material, algo realmente sensacional.

Claro que toda essa série em quadrinhos é uma forma de capitalizar em cima de Estrada da Fúria e nada realmente novo é apresentado. No entanto, o universo de Mad Max é rico o suficiente para merecer uma adaptação nessa mídia e essas publicações da Vertigo Comics mostram o potencial se colocado em mãos hábeis. Há muito para ser mostrado antes e depois dos eventos do filme de 2015 e, sem dúvida alguma, seria uma ótima ideia ver uma série ongoing focada em Max e suas desventuras pela Austrália depois do fim do mundo.

Mad Max: Estrada da Fúria – Max, Parte Dois (Mad Max: Fury Road – Max Part Two, EUA – 2015)
Roteiro: Nico Lathouris, Mark Sexton (baseado em história de George Miller)
Arte: Mark Sexton
Cores: Michael Spicer
Letras: Clem Robins
Capa: Tommy Lee Edwards
Editora (nos EUA): Vertigo Comics (lançado em 05 de agosto de 2015)
Editora (no Brasil): não publicado no Brasil quando do lançamento da presente crítica
Páginas: 32

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.