Crítica | Mad Max: Estrada da Fúria – Max, Parte Um

estrelas 4

A Vertigo Comics encampou um projeto encabeçado pelo próprio George Miller de trazer para os quadrinhos o universo de Mad Max, como uma espécie de mergulho mais profundo do que vimos em Mad Max: Estrada da Fúria. Composto de apenas quatro números, o primeiro foi dedicado às origens de Nux e de Immortan Joe e o segundo aos eventos que antecederam a fuga enlouquecida de Imperator Furiosa e das noivas de Immortan Joe pelo deserto da Austrália. Como já alertei em minhas críticas anteriores, trata-se, evidentemente, de um projeto caça-níqueis, moldado para surfar na onda da franquia revigorada no cinema, mas a série é surpreendentemente bem feita, ainda que obviamente longe de ser essencial.

Os últimos dois números são dedicados a Max, em uma aventura-prelúdio única, dividida em duas partes. A presente crítica aborda, apenas, a primeira metade.

mad max max coverCom a manutenção do time criativo, Mark Sexton e Nico Lathouris no roteiro baseado em história de George Miller, com o primeiro também responsável pela arte, com cores de Michael Spicer e letras de Clem Robins, a impressão “de conjunto” é mantida, além da estrutura narrativa, que começa, como sempre, com um narrador/historiador/professor idoso falando para uma turma de crianças em algum momento do futro em relação a Estrada da Fúria, com a cidadela apaziguada, um verdadeiro oásis no meio de tanta desolação. Ele começa a contar aos jovens o papel do misterioso Max na libertação da cidadela das garras de Immortan Joe, mas, no lugar de começar diretamente com aspectos inéditos da vida do personagem, somos arremessados para sensacionais seis páginas em três splash pages duplos que recontam muito mais visualmente do que em palavras, os eventos de cada um dos três filmes anteriores da franquia: o setentista Mad Max e os oitentistas Mad Max 2 – A Caçada Continua e Mad Max – Além da Cúpula do Trovão.

Esses resumos visuais merecem especial destaque pela fidelidade ao material fonte e pelo brilhantismo com que são montados. Mark Sexton trabalha com quadros irregulares que, a cada filme que aborda, vão se fragmentando de maneira crescente, emulando a fragmentação gradativa da sociedade. E cada momento-chave da vida de Max e também do universo criado por Millerr é abordado muito claramente, especialmente para quem já viu os três filmes. Além disso, é interessante notar que a fidelidade é tamanha que até mesmo o assassinato da mulher e filho de Max é retratado como no filme original e não da maneira modificada que vimos rapidamente em Estrada da Fúria.  Diria que, apenas por essas seis páginas, essa edição já é material de valor para os amantes da mitologia de Max.

A história, então, efetivamente começa, com Max chegando a Gastown (mencionada no filme mais recente) com o objetivo de ganhar, em combate, um raro motor V8 para reconstruir seu Interceptor (um dos carros mais bacanas da Sétima Arte). E que combate é esse? Quem tiver dito Cúpula do Trovão terá acertado! E não é uma questão de falta de originalidade, mas sim de continuidade da mitologia. Bartertown, em Mad Max – Além da Cúpula do Trovão é a versão “antiga” de Gastown e a recriação do famoso combate (dentro dessse universo, claro) faz todo sentido e é bem vinda, já que a luta de Max contra Blaster na cúpula original é, ainda hoje, uma das melhores do Cinema. Mas, lógico, a nova Cúpula do Trovão tem modificações e há vários combatentes ao mesmo tempo e não existem mais os elásticos para os competidores se catapultarem para pegar armas. Agora, elas têm que ser recolhidas escalando a grade da cúpula. Max está confiante em sua habilidade e experiência, até que o campeão da tribo dos Buzzards (aquela dos carros “porcos-espinhos” de Estrada da Fúria), um gigante paramentado de armadura cheia de lâminas,  entra na arena.

A pancadaria é fluida e muito bem trabalhada na revista, com mais um excelente trabalho essencialmente visual de Sexton, que não perde tempo com detalhes para alongar os combates. Sentimos a visceralidade das lutas sem necessariamente vermos cada uma delas e o resultado é o equivalente em quadrinhos do duelo original. Novamente, não há originalidade, apenas uma ótima execução de conceitos utilizados antes. Não é spoiler algum dizer que Max sai vitorioso, mas sua vitória é de Pirro, pois logo ele perde seu prêmio, abrindo espaço, então, para o segundo número fechar a história.

Esse número, sozinho, consegue ser melhor que os outros dois da série e, dependendo de como a história se encerrar, abre uma potencial publicação ongoing para a Vertigo Comics que pode ser muito interessante, com a exploração mais detalhada desse Millerverse. Se todos os caça-níqueis em quadrinhos fossem assim, seria um leitor mais satisfeito. Que venha mais Max!

Mad Max: Estrada da Fúria – Max, Parte Um (Mad Max: Fury Road – Max Part One, EUA – 2015)
Roteiro: Nico Lathouris, Mark Sexton (baseado em história de George Miller)
Arte: Mark Sexton
Cores: Michael Spicer
Letras: Clem Robins
Capa: Tommy Lee Edwards
Editora (nos EUA): Vertigo Comics (lançado em 08 de julho de 2015)
Editora (no Brasil): não publicado no Brasil quando do lançamento da presente crítica
Páginas: 28

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.