Crítica | Mad Men 7X06: The Strategy

estrelas 4

Obs: Contém spoilers da série e do episódio comentado.

Peggy Olson abandonou seu indesejável bebê entre o final da primeira e o começo da segunda temporada de Mad Men. Pete Campbell abandonou sua filha depois que se separou de sua esposa Trudy, apesar de não aceitar que ela tenha uma vida normal, com namorados, enquanto ele sim pode fazer o que quiser. Don, bem, Don é Don. O homem que se esconde por detrás de uma identidade falsa e que só parece ter verdadeiro amor pela família do  homem cuja identidade assumiu, pois deixou seu primeiro casamento se esfacelar e, desde a temporada anterior, com forte ênfase nos últimos episódios, não consegue manter seu segundo casamento, apesar de – devo reconhecer – algum esforço de sua parte, ainda que ele se recuse a aceitar a emancipação de Megan.

É essa a trinca que carrega The Strategy e que, justamente como parte da estratégia do título para um potencial cliente novo, Burger Chef, tem que lidar com o que é o conceito de família, algo estranho para cada um deles. É também a chance de Don, com um incentivo de Pete, de brilhar novamente em uma apresentação ao cliente, mas isso deixa Peggy furiosa. A forma como o roteiro lida com isso, porém, é brilhante. Vemos Don receber a notícia com genuína surpresa, aceitá-la, jogar uma ideia nova para o anúncio (um ponto de vista diferente daquele que Peggy apresentou para Lou e equipe) e, quando Peggy sai de sua sala, fazer um gesto de vitória.

Mas então, usando auto-referências que já tornaram Mad Men uma das melhores séries da atualidade, Weiner e equipe quebram – estilhaçam mesmo – todas as expectativas da audiência. Nós vemos Don fazer a apresentação? Não, claro que não. Nós o vemos ouvir de Peggy que ele, ao jogar sua ideia de “novo ponto de vista”, simplesmente fez ruir toda a segurança dela com sua estratégia, minando todo o trabalho e que ele pretendia, com isso, vir com um nova e “brilhante” ideia  para o cliente durante a apresentação. Se essa foi ou não a intenção de Don (minhas fichas ficam todas com a resposta positiva), fato é que a discussão construtiva sobre uma nova abordagem à campanha finalmente, depois de muitíssimo tempo, faz com que Don e Peggy se transformem em uma dupla novamente. E é um prazer ver a química de Jon Hamm e Elisabeth Moss alcançar o ponto alto da temporada, quiçá de todas as temporadas. Ou, de repente, isso é só eu mesmo desejoso de alvissareiros desenvolvimentos para a narrativa cuidadosamente construída por Weiner, mas que vem caminhando fortemente para a tragédia.

Ao redor do ponto focal da narrativa, vemos a volta de Bob Benson que, porém, parece conveniente demais para parecer natural. Ele tem sua função na história muito evidentemente empurrada goela abaixo para não torcermos o nariz para o roteiro nesse ponto. O que vemos é uma espécie de resumo forçado sobre quem ele é e onde ele está, com a repetição de muito do que já vimos antes. E, então, ele passa sua mensagem e uma reunião de sócios é convocada para um final que parece colocar Don ao lado dos sócios que o detestam (Burt e Jim) e contra seu mentor Roger. Se isso é bom ou se é ruim, só o tempo dirá, mas a grande verdade é que Jim Cutler, muito pragmático, provavelmente não abandonará sua vontade de assumir a conta da Philip Morris literalmente sobre o cadáver de Don.

A família de Mad Men está em frangalhos. E a recuperação não parece ser mais possível. Se existe uma dupla que ainda parece ter sobrevida, essa é formada por Don e Peggy que finalmente reaprenderam a trabalhar em equipe e a respeitar um ao outro. Ela refaz a campanha do jeito dela e Don aprova. Se eles se arrependerão, talvez pouco importe.

I did it my way.

Mad Men 7X06: The Strategy (EUA, 2014)
Showrunner: Matthew Weiner
Direção: Phil Abraham
Roteiro: Semi Chellas
Elenco: Jon Hamm, Elisabeth Moss, Vincent Kartheiser, January Jones, Christina Hendricks, Bryan Batt, John Slattery, Jessic Paré, Rich Sommer, Christopher Stanley, Harry Hamlin, Mason Vale Cotton, Ben Feldman, Joel Murray, Kiernan Shipka
Duração: 48 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.