Crítica | Mad Men – 7X09: New Business

estrelas 3,5

Obs: Há spoilers do episódio e da série. Leia a crítica das demais temporadas, aqui.

Matthew Weiner parece que está mesmo nos preparando para o fim. New Business não só põe uma definitiva pá de cal na relação entre Don e Megan, como é um desfile de coadjuvantes fazendo pontas de alguns segundos em uns casos e minutos em outros. O resultado final é um pouco desbalanceado, mas não desaponta de verdade (aliás, para ser sincero, nenhum episódio de Mad Men desapontou de verdade até hoje).

O objetivo temático geral é traçar um histórico dos relacionamentos de Don Draper culminando na culpa de um milhão de dólares que ele entrega para Megan na forma de um cheque feito sem muita hesitação em um escritório de advogado em que há de tudo, menos advogado. Antes de chegar a esse ponto, o roteiro co-escrito por Weiner e Tom Smutts nos leva para um momento quase nostálgico, com Don fazendo milk shakes para seus filhos. O tom íntimo e caseiro é amplificado pela presença de Betty vestida para festa e, depois, logo quebrada pela chegada de seu atual marido, Henry. Don lembra do que tinha e do que jogou fora por um momento, e se vai.

Mas vai para seu mais recente rabo de saia, a misteriosa garçonete Diana, que conheceu em circunstâncias estranhas no episódio anterior e por quem ficou obcecado. Aprendemos tudo que precisamos aprender sobre ela e reparamos o quanto sua vida reflete a de Don. Ela acabou de se separar do marido depois que o abandonou e a uma filha, quando uma tragédia se abateu. Há uma espécie de ligação imediata entre os dois. Don parece impulsivo e genuinamente gostar de Diana, talvez até esteja apaixonado por ela do jeito “Don” de se apaixonar pelas mulheres. Esse fogo lembra, claro, a mesma coisa que sentiu pela própria Megan quando ela ainda era sua secretária ou quando teve um caso com sua vizinha que, aliás, ele encontra no elevador. E nós sabemos aonde isso o levou, não é mesmo? Ele próprio reconhece que cada divórcio é complicado e a relação com Diana parece desmontar ali mesmo, na mesma proporção que seu fiapo de relação com Megan começa a efetivamente desaparecer quando ela chega de Los Angeles para lidar com a papelada e pegar algumas coisas no apartamento deles.

O abismo entre os dois fica evidente mesmo quando só vemos Megan e como ela lida com sua irmã certinha e sua mãe descontente com a situação e com a vida. A presença de sua família, ali, é um tanto quanto estranha, exagerada, assim como o são as ações vingativas de Marie, inclusive o reacendimento da chama que sente por Roger (em um momento engraçado, confesso), mas creio que o objetivo maior tenha sido criar comentários externos à relação Megan-Don para mostrar, de certa maneira, a normalidade da situação. É mais um casamento que vai para o ralo. O que isso realmente significa?

Quando os dois finalmente sentam frente a frente, na sequência do cheque com que abri esses comentários, fica evidente aquilo que já sabíamos: Megan, ao escolher outra vida, uma vida sem submissão total ao marido, acabou ameaçando a posição de “macho dominante” de Don, catalisando o fim de seu sonho. Claro que não foi culpa dela, longe disso, e Don sabe muito bem que o fardo é dele, fardo esse que ele tenta descarregar no tal cheque milionário (quanto será que esse um milhão valeria hoje?).

O episódio, porém, com a profusão de coadjuvantes, tem um sequenciamento picotado que, com exceção dos momentos envolvendo Megan – e mesmo assim em parte – não permite uma progressão narrativa satisfatória. Claro que é um prazer ver personagens que provavelmente não voltaremos mais a ver (como a família de Megan e os Rosen), mas a sensação que passou foi a de uma despedida corrida, sem uma razão de ser que não fosse a despedida em si.

Mesmo as potencialmente interessantes cenas envolvendo Peggy, Stan (sou só eu que lembro do Chewbacca toda vez que olho para ele?) e a sedutora fotógrafa Pima (Mimi Rogers), que divertem e quebram a seriedade do divórcio e a tristeza do passado de Diana, têm um desenvolvimento corrido, como se o montador estivesse correndo contra o relógio na mesa de edição. New Business poderia ter se beneficiado de maior foco nessa subtrama que, em tese, é inconsequente, mas teria adicionado mais sabor à narrativa.

Mas, se o objetivo era realmente encerrar de vez a relação Megan-Don, então o foco em Megan era mesmo necessário e justificado. Faltam só cinco episódios agora e mais essa página foi virada na vida de Don. O que lhe resta agora?

Mad Men – 7X09: New Business (EUA – 2015)
Showrunner: Matthew Weiner
Direção: Michael Uppendahl
Roteiro: Tom Smuts, Matthew Weiner
Elenco: Jon Hamm, Elisabeth Moss, Jessica Paré, Vincent Kartheiser, Christina Hendricks, Aaron Staton, Rich Sommer, Kevin Rahm, John Slattery, Elizabeth Reaser, Devon Gummersall, January Jones, Christopher Stanley, Julia Ormond
Duração: 48 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.