Crítica | Magic Mike

estrelas 3

Steven Soderbergh trata o submundo como poucos. Foi assim com Confissões de uma Garota de Programa, Traffic (que lhe rendeu um Oscar de Melhor Diretor), Sexo, Mentiras e Videotape e até Erin Brockovich. Foi uma escolha acertada então Soderbergh assumir um projeto audacioso sobre um grupo de homens que levam a lida fazendo striptease em casas noturnas de Tampa, na Flórida.

Magic Mike surgiu meio sem querer. No set de À toda a Prova o diretor ouviu algumas histórias do ator, ainda em ascendência, Channing Tatum sobre a época em que ele dançava e tirava a roupa para mulheres histéricas em clubes do ramo. Achou que elas renderiam um bom filme e aos poucos Magic Mike foi tomando forma.

Mas engana-se quem pensa que o filme é a biografia do ator. Ele mesmo já afirmou que existem poucas coisas em comum entre ele e os jovens torneados que dançam todas as noites por alguns dólares. Tatum nunca escondeu seu passado e inclusive se orgulha de ter trabalhado cerca de nove meses como stripper até ser descoberto por um caça talentos.

Mike (Tatum) é o personagem principal da trama, que não ousa muito. O roteiro é simples e direto, afinal, a grande atração do filme são mesmos os corpos e os movimentos ritmados dos dançarinos em questão. Ele é um dos mais experientes strippers de uma casa noturna liderada por Matthew McConaughey (que exibe boa forma física, mas com um personagem muito parecido com tudo que ele vem fazendo atualmente). Mike cruza a vida de Adam (Alex Pettyfer) que, aos poucos, acaba virando seu pupilo. Com apenas 19 anos, Adam vê na nova profissão uma forma de ganhar dinheiro rápido, pegar mulheres lindas e viver uma vida de luxo e ostentação. Claro que tudo isso é reprovado por sua irmã certinha Brooke (Cody Horn), que na primeira cena já flerta com Mike e nos entrega o final do filme. Como disse, Magic Mike não é uma obra-prima do ponto de vista de roteiro.

Na verdade, Magic Mike não é uma obra-prima de ponto de vista nenhum. É um filme divertido que traz um tema pouco explorado no cinema: os clubes de strippers para mulheres. Normalmente a Sétima Arte mostra mais as mulheres no papel de sedutoras, mas ao mesmo tempo em busca de uma vida estável e segura ao lado do amor de suas vidas. Talvez esse seja o maior trunfo de Magic Mike, explorar esse submundo e mostrar que atrás de um abdômen trincado existe um coração que bate e tem sentimentos.

Não preciso nem comentar que Magic Mike é um filme voltado para o público feminino. E sim, a mulherada vai perder o fôlego com as performances dos rapazes no palco (principalmente as de Mike). É um bom filme para reunir as amigas e assistir em um sábado com pipocas e risadas. Digamos que não é um bom programa para ver com o namorado.

Magic Mike (Idem, Estados Unidos – 2012)
Direção: Steven Soderbergh
Roteiro: Reid Carolin
Elenco: Channing Tatum, Alex Pettyfer, Matthew McConaughey, Joe Manganiello, Matt Bome, Cody Horn, Olivia Munn, Riley Keough
Duração: 110 minutos

GISELE SANTOS . . Gaúcha de nascimento, mas que não curte bairrismos nem chimarrão! Me encantei pelo cinema ainda criança e a paixão só cresceu ao longo dos anos. O top 1 da vida é "Cidadão Kane", mas tenho uma dificuldade enorme de listar os melhores filmes da minha vida. De uns anos para cá, os filmes alternativos têm ganhado espaço neste coração que um dia já foi ocupado apenas por blockbusters pipoquentos.