Crítica | Mais um Verão Americano

estrelas 2

Mais um Verão Americano é uma comédia besteirol que satiriza obras como Porky’s que, quando foi lançada em 2001, foi um retumbante fracasso, arrecadando ridículos 295 mil dólares na bilheteria. No entanto, como volta e meia acontece, o filme foi, ao longo dos anos, tornando-se um pequeno cult movie, com diversos seguidores fieis.

Olhando para trás, de longe o aspecto mais curioso dessa criação de Michael Showalter e David Wain, ambos egressos da série de TV The State, da MTV, é o elenco que, hoje, em grande parte, é formada de astros mundialmente reconhecidos. O mais evidente deles é Bradley Cooper que, na comédia, vive um instrutor gay do acampamento de verão onde a fita se passa. Mas há Paul Rudd, hoje protagonista de Homem-Formiga, Christopher Meloni, que começava a construir sua fama com Law & Order: Special Victims Unit (que iniciara em 1999), Amy Poehler (que consolidaria sua fama indie com Parks and Recreation) e Elisabeth Banks (a Effie Trinket da franquia Jogos Vorazes), Janeane Garofalo (West Wing, 24 Horas, Criminal Minds) e, claro, David Hyde Pierce (o Dr. Niles Crane, de Frasier). E esses nomes são apenas os principais, pois há vários outros que se tornaram razoavelmente conhecidos ao longo dos anos.

Apesar da diversão que é localizar os atores e atrizes citados, como comédia besteirol o filme tem problemas sérios e o mais saliente deles é a forma episódica como ele é construído. Aliás, episódica não. O que vemos, ao longo de 97 minutos, são esquetes cômicos costurados dentro da premissa genérica do último dia de um acampamento de verão em 1981. Alguns funcionam bem – basicamente todos com Paul Rudd, um “pegador” que não liga para ninguém e Christopher Meloni, um veterano da guerra do Vietnã com pensamentos, digamos, estranhos – e outros mal, como os romances entre os personagens de Garofalo (a responsável pelo acampamento) e de Hyde Pierce (um professor de astrofísica) e entre os personagens de Showalter e Marguerite Moreau. Se assistido apenas com esse espírito, aguardando uma comédia para realmente fazer rir, Mais um Verão Americano, no final das contas, não funciona em seu todo.

Mas, como tive o cuidado de mencionar acima, a película é, na verdade, um sátira às comédias com temáticas parecidas dos anos 80. Olhando com esse enfoque, o resultado é bem melhor (ainda que não mais do que mediano), pois os esquetes passam a se justificarem como “retratos” de diversas situações trabalhadas nos mais diferentes filmes, do já mencionado Porky’s, passando por Clube dos Pilantras e Férias Frustradas, até A Última Festa de Solteiro e A Vingança dos Nerds. Ao exagerar as mais diversas situações, Mais um Verão Americano tenta – e por vezes consegue – desnudar a crueza e bobeira completa dessas clássicas comédias. Quando o filme é bem sucedido em seu intento, ele o é em situações em que o personagem principal do esquete é explorado em maiores detalhes, ganhando mais tempo de tela, como acontece com Rudd e Meloni. Seus personagens – Andy e Gene, respectivamente – chegam até mesmo a ser memoráveis em suas bizarrices, equiparando-se a muitos clássicos oitentistas.

No entanto, falta fluidez à narrativa, sempre muito perdida com um elenco enorme e com papeis que, em última análise, são redundantes e que só não confundem o espectador porque, hoje, os atores são conhecidos. Não ajuda o estilo “televisão” da direção de Wain, estabelecendo o local primeiro, o personagem em seguida e desenvolvendo a narrativa com câmera fundamentalmente parada. Em determinados momentos, o espectador até espera um fade to black entre sequências e aplausos e risadas da plateia.

Mais um Verão Americano poderia ser uma boa experiência na televisão. Como Cinema, a fita realmente não convence e, mesmo quando sua sátira funciona, ela não compensa os problemas.

Mais um Verão Americano (Wet Hot American Summer, EUA – 2001)
Direção: David Wain
Roteiro: Michael Showalter, David Wain
Elenco: Janeane Garofalo, David Hyde Pierce, Michael Showalter, Marguerite Moreau, Zak Orth, Michael Ian Black, A.D. Miles, Paul Rudd, Christopher Meloni, Molly Shannon, Ken Marino, Joe Lo Truglio, Amy Poehler, Bradley Cooper, Gideon Jacobs, Marisa Ryan, Elizabeth Banks
Duração: 97 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.