Crítica | Marco Polo – 1ª temporada

estrelas 3

O canal pago de serviço de TV por internet, Netflix, disponibilizou no dia 12 de dezembro de 2014 a temporada de estreia da sua produção original mais aguardada deste ano. A série chega para se agrupar ao time de grandes produções do canal, como House of Cards e Orange is The New Black. Em meio a belíssimos cenários, cores estonteantes e bem articuladas lutas marciais, Marco Polo reconstrói as aventuras do jovem mercador italiano durante suas viagens pela Rota da Seda.

Já no início da temporada somos apresentados a fragmentos que indicam a origem de Marco Polo. Marco havia sido cuidado por sua mãe durante sua infância, já que seu pai partira para uma jornada antes mesmo que o rapaz nascesse. A morte de sua mãe não tardou a chegar e, dali em diante, a vida do jovem resumiu-se à espera do regresso do pai, que ainda não conhecia. Com a chegada de seu pai em Veneza, Marco resolve juntar-se a ele e a sua expedição que partia em direção ao oriente. Três anos depois, em 1273, por conta de diversas intempéries, o grupo acaba parando no grande império mongol e conhece o Imperador Kublai Khan, que permite que o grupo siga viagem sob a condição de que Marco permaneça dentro dos limites de seu território.

A primeira temporada expõe os desafios da adaptação de Marco Polo a uma civilização desconhecida e o crescimento do viajante que, pouco a pouco, conquista a confiança de Kublai Khan e desperta a inveja de altos membros da corte. Assim, a impressão que temos quando assistimos aos episódios iniciais é que, junto a Marco Polo, somos lançados ao interior do desconhecido. Dentro de uma interessante construção, a série situa seu público na mesma posição em que Marco Polo se encontra: a do observador que, com curiosidade aguçada, vai construindo suas impressões acerca do terreno que desbrava.

Com um altíssimo valor de produção, 90 milhões de dólares, não poderíamos esperar nada menos do que boas construções cenográficas, figurinos ricos em detalhes e efeitos visuais à altura de uma grande produção. Nisso, Marco Polo não deixa a desejar. A série não só cumpre esses pré-requisitos com competência, como também se apresenta impecável em outros fatores técnicos e plásticos.

Os problemas começam quando olhamos para material dos dez episódios da temporada como um todo. Uma aventura épica jamais tem um ritmo constante, contando com muitos diálogos, longos momentos de calmaria e um movimento absurdamente agitado em suas batalhas. Marco Polo não foge à regra e desenrola seus eventos deste mesmo modo. A questão é que fazer uso deste ritmo em uma plataforma seriada não é nada fácil e torna-se inevitável suscitar comparações com outras produções que conseguiram contornar essa adversidade e ainda utilizá-la em seu favor.

O exemplo que logo vem à mente é a muito bem sucedida Game of Thronesque, após quatro anos, ainda continua firme, com muito a mostrar e se mantém, com folga, no meu Top 3 de séries favoritas de todos os tempos. A comparação entre Marco Polo e Game of Thrones não é forçada. Muito pelo contrário. É perceptível que a série da HBO não só é uma grande inspiração à construção estrutural de Marco Polo, como também é um alvo concorrente cujo público a produção da Netflix visa atender. O problema é que, ainda que se proponha a ser uma concorrente à altura, Marco Polo está longe, mas muito longe de chegar com força nesta disputa. Muita coisa falta na série da Netflix, mas uma delas é essencial: a construção de uma temporada que equilibre bem as tramas internas de cada episódio. Chegar até o 5º episódio de Marco Polo não é fácil. A série simplesmente gasta uma hora para dar mil voltas e não chegar a lugar nenhum. Veja que o problema não está no ritmo. Mad Men, outra que também está no meu top 3, possui um ritmo bastante lento e, ainda assim (ou talvez justamente por isso), nos instiga a nunca parar de assisti-la.

Outro importante aspecto que afasta Marco Polo de Game of Thrones é o elenco. O corpo de atores selecionado pela Netflix não é ruim, mas também não é sensacional. Acredito que um nivelamento mais razoável esteja presente na aproximação entre Marco Polo e Vikings. Talvez aí a produção da Netlix chegue com mais força e até ganhe alguma vantagem.

A partir de sua segunda metade, a série parece mostrar um pouco mais o seu sentido e tratar de seus eventos de maneira mais interessante. Ao fim, é possível perceber uma boa conclusão da primeira temporada e criar expectativas, não tão entusiásticas assim, sobre o que chegará no ano que vem.

Marco Polo (Idem – EUA, 2014)
Showrunner: John Fusco
Direção: John Maybury, Daniel Minahan, David Petrarca, Joachim Ronning, AlikSakharov, Espen Sandberg.
Roteiro: Jonh Fusco.
Elenco: Lorenzo Richelmy, Benedict Wong, Joan Chen, Remy Hii, Zhu Zhu, Tom Wu, Mahesh Jadu, Olivia Cheng.
Duração: 53 min/episódio.

FILIPE MONTEIRO . . . O exército vermelho no War, os indianos em Age of Empires, Lannister de Rochedo Casterly. Entrou em órbita terrestre antes que a Estrela da Morte fosse destruída, passou pela Alameda dos Anjos, pernoitou em Azkaban, ajudou a combater o crime em Gotham e andam dizendo por aí que construiu Woodburry. Em uma realidade alternativa, é graduando em Jornalismo, estuda Narrativas e Cultura Popular, gosta de cerveja e tempera coentro com comida.