Crítica | Marco Polo: One Hundred Eyes

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estrelas 3,5

E quem diria que até mesmo Marco Polo, série ficcional de base histórica da Netflix, ganharia um especial de Natal? Pois ganhou, na forma de um mini-episódio de menos de meia hora, focado exclusivamente em Cem Olhos, o monge taoísta e mestre em kung-fu que trabalha para Kublai Khan e que treina Marco Polo na série.

Tom Wu volta ao papel-título assim como Benedict Wong como o Khan em um filme-flashback que conta a origem do personagem, mas não a origem completa. Em outras palavras, quando o curta começa, Cem Olhos já é um monge adulto, com perfeito controle de sua arte marcial. O que o episódio enfoca é como ele perdeu a visão e foi trabalhar para o Khan, duas situações intimamente ligadas.

Ver Cem Olhos lutar novamente é sempre um prazer, especialmente sem estar sob o controle do Khan logo no início, no templo em que vive e que é atacado pelos mongóis. É uma sequência muito bem coreografada, com ritmo e a direção do russo Alik Sakharov, que já trabalhou em Game of Thrones, Boardwalk Empire e diversas outras séries de TV de renome, é muito eficiente ao não confundir o espectador e permitir, com planos abertos, que observemos cada detalhe do balé mortal. Se há um defeito na sequência é ela ser muito curta.

Quando Cem Olhos, então, é levado para o Khan, o ritmo do curta cai, claro, para então permitir o efetivo desenvolvimento do personagem nessa nova fase da vida, com sua infatigável vontade de fugir, as medidas que o Khan toma contra isso e como Cem Olhos, finalmente, ganha esse nome. Considerando os meros 28 minutos do curta, a história é contada com muita elegância e eficiência, mantendo a fotografia escurecida que marca a série e dando espaço para Tom Wu atuar além de seus chavões clássicos que desfere, além dos golpes, em direção a Marco Polo. E o ator é eficiente, dentro das limitações de seu papel, em mostrar latitude, especialmente durante sua “transformação”.

A escolha em se fazer um curta dedicado ao personagem foi inteligente, pois pode permitir um inusitado spin-off para a série. Afinal, Cem Olhos tem potencial para carregar ao menos uma pequena série focada em lutas de kung fu, na linha do que a AMC vem tentando fazer com Into the Badlands.

One Hundred Eyes, como especial de Natal, é uma ótima – ainda que passageira – diversão embebida em muita pancadaria e violência.

Marco Polo: One Hundred Eyes (EUA, 2015)
Direção: Alik Sakharov
Roteiro: John Fusco
Elenco:  Tom Wu, Masayoshi Haneda, Benedict Wong
Duração: 28 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.