Crítica | Marvel One-Shots (2011-2014)

obs: Há spoilers dos curtas em particular e do Universo Cinematográfico Marvel em geral. 

Começando pequeno, com o curta de quatro minutos O Consultor, a Marvel foi sofisticando o projeto One-Shots a cada nova produção. Entre 2011 e 2014 foram cinco curtas muito consistentes que expandem personalidades e situações e funcionam perfeitamente dentro do chamado Universo Cinematográfico Marvel, hoje composto de 10 filmes, duas séries de TV e, claro, os curtas abaixo, que abordei separadamente.

Divirtam-se com a leitura.

O Consultor

estrelas 3

marvel one shot the consultant

Situado após os eventos de Homem de Ferro 2 e O Incrível Hulk e lançado como extra no blu-ray de ThorO Consultor  é mito eficiente em sua mais absoluta simplicidade: ele explica e justifica a cena pós-créditos em O Incrível Hulk, com Tony Stark (Robert Downey Jr.) abordando o General Thunderbolt Ross (William Hurt) sobre a “iniciativa Vingadores”.

O interessante é que, aqui, a cena em si é inserida no meio do curta, como resultado da conversa entre os Agentes Coulson (Clark Gregg) e Sitwell (Maximiliano Hernández) sobre como resolver o problema causado pelo Conselho Mundial de Segurança em querer Emil Blonsky (Tim Roth), mais conhecido como o Abominável, como parte do grupo de heróis. Em diálogos rápidos, bem escritos e que já demonstram o timing de Gregg para piadas “sérias”, algo que, claro, ganharia corpo em filmes posteriores e na série Agents of S.H.I.E.L.D., além de de serem todos travados em um restaurante daqueles de “beira de estrada”, O Consultor é uma simpática moldura para o encontro que já havíamos visto antes sem pensarmos muito em como ele aconteceu. Com o curta, temos contexto e um pouquinho mais de informação sobre o Universo Cinematográfico Marvel.

Sendo a primeira incursão da Marvel em seu projeto de curtas, O Consultor pode não ser espetacular – e a proposta nunca foi a de fogos de artifício – mas é de uma simpatia irresistível.

O Consultor (The Consultant EUA – 2011)
Direção: Leythum
Roteiro: Eric Pearson
Elenco: Clark Gregg, Maximiliano Hernández, Deborah Knox, Robert Downey Jr. (imagem de arquivo), William Hurt (imagem de arquivo)
Duração: 4 min.

Uma Coisa Engraçada Aconteceu no Caminho para o Martelo de Thor

estrelas 3

marvel one shot a funny thing

De todos os curtas Marvel, esse – não vou repetir o título em razão do tamanho! – é o menos conectado com os filmes do Universo Cinematográfico Marvel. Sim, tudo acontece com o agente Phil Coulson (Clark Gregg) a caminho de Albuquerque, no Novo México, logo antes dos eventos de Thor, mas poderia acontecer em qualquer outro momento. A menção ao Mjölnir no título é, apenas, uma forma de torná-lo mais chamativo.

Mesmo assim, esse curta é bem divertido e serve para Gregg mostrar mais uma vez com ele consegue misturar bem seriedade com diversão, quando seu personagem para em uma loja de conveniência no meio da estrada para comprar doces e depara-se com um assalto. Os diálogos são afiados, até mesmo inesperados – é no mínimo engraçado o momento em que Coulson oferece de “bom grado” sua arma aos ladrões – e os quatro minutos fluem muito bem, demonstrando o quão bad ass o personagem pode realmente ser, mas sem perder a ternura!

Oferecido como extra no blu-ray de Capitão América: O Primeiro Vingador, o curta é mais um olhar pré-Agents of S.H.I.E.L.D. no melhor personagem não super-heroístico criado pela Marvel exclusivamente para seu projeto de filmes.

Uma Coisa Engraçada Aconteceu no Caminho para o Martelo de Thor (A Funny Thing Happened on the Way to Thor’s Hammer, EUA – 2011)
Direção: Leythum
Roteiro: Eric Pearson
Elenco: Clark Gregg, Jessica Manuel, Jeff Prewett, Zach Hudson
Duração: 4 min.

Artigo 47

estrelas 3

marvel one shot item 47

Passado logo após os eventos de Os Vingadores, Artigo 47 parte de uma premissa inteligente: a chamada Batalha de Nova York, que vimos no filme, provavelmente resultou em diversos objetos alienígenas espalhados por todo o lugar e aprendemos o que acontece com um deles, o tal “artigo 47”. Um casal acha uma arma dos Chitauri e consegue ativá-la, usando-a para – claro! – assaltar bancos.

O objetivo, aqui, é a comédia. Isso fica evidente logo de início com os dois “bandidos” usando máscaras de esqui de cores diferentes. Uma preta para o homem (Jesse Bradford) e uma rosa para a mulher (Lizzy Caplan), que formam um casal de pombinhos bem azeitado e com timing cômico contido o suficiente para não parecer um pastiche. Do lado da S.H.I.E.L.D., com a “morte” de Coulson, o foco fica no agente Sitwell (Maximiliano Hernández) que vai à caça dos aproveitadores, mas não antes de ter uma divertida conversa com o agente Blake (Titus Welliver), em sua primeira aparição no Universo Cinematográfico Marvel (depois ele viria a figurar em alguns episódios da 1ª temporada de Agents of S.H.I.E.L.D.). 

Há, em seus breves 12 minutos, uma quantidade surpreendente de ação em Artigo 47 e um claro investimento maior no projeto de Curtas Marvel. Há uso de CGI para o efeito da arma em funcionamento e uma certa quantidade de eficientes efeitos práticos de destruição nas sequências do banco e do motel. É a Marvel já claramente confiante em seu produto, especialmente depois da positivíssima receptividade dos primeiros dois curtas.

Falta um pouco de charme à Artigo 47, que foi lançado junto com o blu-ray de Os Vngadores, mas talvez seja a falta de Coulson – Sitwell nunca fica à altura – ou a bobagem pura e simples que é o curta. Mas continua sendo divertido.

Artigo 47 (Item 47, EUA – 2012)
Direção: Louis D’Esposito
Roteiro: Eric Pearson
Elenco: Maximiliano Hernández, Titus Welliver, Jesse Bradford, Lizzy Caplan, Nathan Dean Snyder
Duração: 12 min.

Agente Carter

estrelas 4

marvel one shot agent carter

Agente Carter é um curta “tubo de ensaio” para que a Marvel sentisse a temperatura e a aceitação de Peggy Carter, vivida por Hayley Atwell (depois de aparecer com destaque em Capitão América: O Primeiro Vingador), para uma possível série de TV, o que acabou se concretizando (mas em formato de minissérie, ainda em fase de testes). Reutilizando cenas de época filmadas para o longa de origem do Capitão, o curta se passa um ano após os eventos do filme, em São Francisco, onde Peggy, agora, trabalha para a S.S.R. – Strategic Scientific Reserve – precursora da S.H.I.E.L.D. como uma agente de “escrivaninha” já que, na machista década de 50, uma mulher, lógico, jamais poderia ter espaço.

Isso fica mais do que evidente pelas atitudes chauvinistas de seu chefe, o agente Flynn (Bradley Whitford) que basicamente a reduz a redatora de relatórios de análise de dados, o que ela faz com uma mão nas costas. Sempre que uma nova missão chega, só os homens são escolhidos para ir a campo, nunca Peggy. A estrutura é maniqueísta, mas não longe da realidade da época – e, infelizmente, até atual em alguns muitos lugares por aí – e funciona muito bem para estabelecer a agente Carter como uma eficiente protagonista, sem que o diretor e o roteirista tenham que se valer da sensualidade de Atwell mais do que o que naturalmente flui da atriz.

Vemos uma Peggy  ainda mais durona do que em Capitão América: O Primeiro Vingador desbaratando um grupo chamado Zodíaco (em referência ao grupo dos quadrinhos, claro, mas também ao assassino Zodíaco, famoso por ter atuado em São Francisco e que foi objeto do filme homônimo de David Fincher) que guarda uma espécie de soro secreto, um MacGuffin qualquer na verdade. Atwell equilibra bem sua feminilidade com pancadaria, sem exagerar em um ou em outro. 

Os valores de produção aumentam consideravelmente, mesmo levando em conta o reaproveitamento de sequências de época do filme do Capitão. Há cuidado com o figurino e as sequências de ação e suspense são bem construídas, sem que o roteiro se esqueça de manter o atmosfera leve que marca as produções da Marvel no cinema. Além disso, voltam à cena tanto Dominic Cooper, no papel de um Howard Stark ainda bem novo e Neal McDonough novamente como Dum Dum Dugan, personagem mais icônico do Comando Selvagem, em uma cena divertida no meio dos créditos.

Agente Carter, lançado como extra no blu-ray de Homem de Ferro 3 funciona, literalmente, como o capítulo zero da minissérie, além de constituir 15 prazerosos minutos de diversão no estilo Marvel. 

Agente Carter (Agent Carter, EUA – 2013)
Direção: Louis D’Esposito
Roteiro: Eric Pearson
Elenco: Hayley Atwell, Bradley Whitford, Dominic Cooper, Tim Trobec, Jon Barinholtz, Anthony Molinari, Jess King, Mark Aaron Wagner, David Hutchison, Jacob McCafferty, Tim Sitarz, Shane Black, Neal McDonough
Duração: 15 min.

Todos Saúdem o Rei

estrelas 3,5

marvel one shot all hail

Em termos do cânone do Universo Cinematográfico Marvel, Todos Saúdem o Rei é o único curta que realmente acrescenta algo. E esse “algo” está lá muito obviamente para apaziguar os fanboys bobalhões que tiveram um ataque de “mimimi” quando, na mais inteligente jogada de Homem de Ferro 3, o Mandarim foi revelado como um mero ator britânico, Trevor Slattery (Bin Kingsley). A fúria fanboyística foi tão cega e tão boba que todos se esqueceram que a figura do Mandarim, mais precisamente do grupo terrorista dos Dez Anéis já havia sido estabelecido de forma canônica logo no primeiro filme dos Estúdios Marvel, Homem de Ferro.

Foi preciso um curta ser produzido para dizer a todos o óbvio: aquele Mandarim ali não é O Mandarim, mas sim alguém criado por Aldrich Killian (Guy Pearce) baseado em “fatos reais” para servir de peão em seu plano. Mas o que importa mesmo é a estrutura que Drew Pearce – diretor e roteirista do curta – escolheu para fazer essa “revelação”. Trabalhando indiretamente e privilegiando a sempre agradável presença de Kingsley, o roteiro vai descortinando, aos poucos, a verdadeira celebridade que Trevor Slattery se tornou depois dos eventos de Homem de Ferro 3. Ele não só é famoso na prisão, sendo protegido por um grupo de detentos, como também fora dela, sendo objeto de um documentarista cuja última visita é o ponto focal do curta.

Com isso, há espaço para mais uma divertida interpretação de Kingsley, com direito à “voz de Mandarim” que ele inventou e, claro, a revelação de que o documentarista é, na verdade, um emissário do verdadeiro Mandarim, no tal momento feito para fazer o “mimimi” do fanboys parar um pouco. Os efeitos visuais ficam limitados ao mínimo, com seu emprego unicamente na bem bolada sequência, em primeiro plano, da câmera de filmagens “montando” uma arma para uso do documentarista. Além disso, em duas sequências finais (uma ao final e outra no meio dos créditos) vemos Sam Rockwell vivendo Justin Hammer novamente, em uma hilária ponta cheia de ciúmes e amor. Esses trechos com Rockwell, aliás, foram filmados separadamente, no Canadá, durante a “hora de almoço” do ator nas filmagens do remake de Poltergeist.

O roteiro demora para engrenar e tem sua primeira metade dedicada única e exclusivamente a explorar talvez um pouco mais do que o necessário a personalidade expansiva de Trevor, mas o resultado final é engraçado e sutilmente um tapa na cara da galera que desmaiou, arrancou os cabelos e cortou os pulsos quando descobriu que o Mandarim que amava não era o vilão do filme.

Todos Saúdem o Rei (All Hail the King, EUA – 2014)
Direção: Drew Pearce
Roteiro: Drew Pearce
Elenco: Ben Kingsley, Scoot McNairy, Lester Speight, Sam Rockwell, Matt Gerald, Allen Maldonado
Duração: 14 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.