Crítica | Marvel Premiere: Punho de Ferro #15 a 25 (1974)

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estrelas 4

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Os anos 70 foram prodigiosos para a Marvel Comics, com a criação de uma infinidade de personagens hoje clássicos que ajudariam a moldar o futuro da editora. Era muito comum que a empresa se aproveitasse de modismos para moldar seus caminhos e o blaxploitation levou à criação de Luke Cageem 1972, com os filmes de artes marciais levando à criação de Shang-Chi, o Mestre do Kung-Fu, em 1973 e, finalmente, Punho de Ferro, em 1974. Este último apareceu, primeiro, na revista de antologia Marvel Premiere, que tinha como objetivo abrir espaço para novas criações, novas ideias que poderiam, então, levar determinado personagem a uma publicação realmente própria.

E foi este o caminho seguido por Punho de Ferro, que surgiu em Marvel Premiere #15, ganhando destaque até a edição #25, quando, então, partiu para sua série própria, que duraria apenas 15 edições, de 1975 a 1977, com tramas sendo encerradas somente na Marvel Team-Up #63 e 64. Com o fim do interesse pelo blaxploitation e por filmes de artes marciais mais para o final da década de 70, o personagem seria unido a Luke Cage a partir dos dois números finais de Power Man, em 1977, que abriria espaço para a longeva e extremamente bem quista publicação que colocou a espalhafatosa dupla como heróis de aluguel, em Luke Cage e Punho de Ferro, que duraria ininterruptamente por 125 edições, até 1986.

O interessante das 11 edições da Marvel Premiere com Punho de Ferro como personagem central é que os oito primeiros números lidaram com uma à época incomum origem estendida do herói que fincaria os alicerces de toda sua mitologia, apresentando personagens como Colleen Wing, seu pai, o Professor Lee Wing, Misty Knight e o policial Rafael Scarfe, além de, claro, Harold e Joy Meachum. Em outras palavras, no lugar de uma origem ordinária, contada em apenas uma ou duas edições, Punho de Ferro foi brindado com um drama complexo e interessante que geraria muitas histórias interessantes no futuro, com a expansão de sua mitologia.

Assim, logo em Marvel Premiere #15, somos apresentados ao personagem já com seu uniforme amarelo e verde clássico e a tatuagem de dragão no peito desnudo. Ele luta no desafio final de sua formação como lutador marcial na cidade mística de K’un Lun, onde treinara nos últimos 10 anos. Como ele chegou ali é contado em bem inseridos flashbacks, que revelam que Wendell Rand, seu pai, Heather, sua mãe, ele (Daniel “Danny” Rand) com nove anos e o sócio de seu pai, Harold Meachum, estavam em uma expedição no Himalaia, procurando a tal cidade mística em que somente Wendell realmente acreditava. Um acidente, porém, faz com que Heather e Danny se separassem dos demais e Wendell ficasse pendurado em um precipício, com Harold sendo sua única possível salvação. Mas ela não vem, pois Harold revela suas verdadeiras intenções – seu desejo de ter Heather para si – e mata Wendell jogando-o no abismo, com esposa e filho como testemunhas. Claro que Heather e Danny rejeitam a ajuda de Harold e os dois, então, fogem desesperados, somente para, tempos depois, encontrarem uma ponte no meio do nada, uma possível salvação que, porém, exige o sacrifício de Heather, que evita que lobos ataquem seu filho, morrendo no processo. Danny, então, é levado a K’un Lun e treinado.

A história pregressa é contada em pedaços, na medida em que Danny já adulto derrota seus inimigos no teste final que poderá lhe dar imortalidade se permanecer na cidade mística. Na edição seguinte (#16), a estrutura é mantida, mas ela abre já em Nova York, com Punho de Ferro procurando Harold Meachum para matá-lo e sendo impedido por assassinos de aluguel. Quando os flashbacks começam, eles partem da vitória final do herói em K’un Lun, quando descobrimos que, consumido por um ódio que nutrira por 10 anos, Danny abdica do direito de se tornar imortal, comendo do fruto de uma árvore sagrada, e decide abandonar a cidade, que só aparece na Terra uma vez a cada 10 anos, para consumar sua vingança contra o homem responsável pelas mortes de seus pais.

Aprendemos, na narrativa, exatamente o porquê de ele ter o título de Punho de Ferro, com um de seus testes anteriores tendo sido o enfrentamento do dragão Shou-Lao que o permitiu mergulhar os punho em seu coração derretido, dando-lhe o poder de concentra o chi (força espiritual) nas mãos. No presente, o que testemunhamos é uma sucessão de assassinos atacando Danny a caminho do prédio onde fica a empresa de Meachum, algo que só acontece em Marvel Premiere #17, edição que chega a ser engraçada pela quantidade de armadilhas que o herói tem que enfrentar uma vez lá. E o mais interessante é que toda a “corrida de obstáculos” do número não acabam ali, já que um misterioso ninja é brevemente introduzido e os leitores são deixados com a promessa de um embate entre Punho de Ferro e um ser cibernético chamado Ferro Triplo. Somente na edição seguinte (#18), esse grande embate acontece que, claro, leva à vitória do herói com a ajuda silenciosa do ninja. Finalmente, então, há o confronto entre Danny Rand e Harold Meachum, quando descobrimos que ele não tem mais duas pernas, cortesia de sua traição 10 anos antes que o levou a ficar perdido na neve. Mais uma vez fazendo uso de flashbacks, o roteiro então nos mostra como Meachum sabia que Danny estava vivo e que viria atrás dele, algo que ele ouviu do andarilho Da Tempa, durante sua convalescença depois de ter as pernas cortadas. Vendo que a vingança não levaria a lugar nenhum, Danny desiste de sua empreitada, somente para o misterioso ninja matar Harold sorrateiramente e sua filha, Joy Meachum, achar que foi o Punho de Ferro.

A edição #18 encerra um primeiro arco dentro de um arco maior que continua até a edição #21. Logo no começo da edição seguinte (#19), temos a reiteração de que Joy procurará vingança contra Danny e o herói, então, é aguardado por Colleen Wing, que parecia saber onde encontrá-lo, logo que ele sai do prédio de Meachum. A moça, então, leva Punho de Ferro até seu pai, o professor Lee Wing, que possui um livro sagrado desejado pelo Culto de Kara-Kai que vem ameaçando sua vida há tempos. A conexão entre o livro e o Punho de Ferro é que, segundo o professor, lá há o segredo de como destruir K’un Lun, conhecimento que o culto deseja angariar. Assim, nesse segundo arco, as peças finais do mistério envolvendo o ninja, o professor, o livro sagrado e a relação disso tudo com o Punho de Ferro começam a ser apresentadas e encaixadas, com o herói também tendo que enfrentar a vingança de Joy Meachum que tem em seu tio um aliado aparentemente com recursos ilimitados para contratar os mais variados assassinos – dentre eles Batroc, o Saltador – para tentar liquidar Danny Rand.

Ainda que parte dos mistérios sejam resolvidos, a linha narrativa envolvendo Joy não é completamente abordada, algo que ficaria para o futuro do personagem. Mas, mesmo com uma história de origem alongada e fora do comum em termos de complexidade e de latitude, há uma impressionante lógica em tudo que é apresentado, tornando a leitura desses sete números iniciais muito agradável. Ajuda também o fato de que, com exceção das edições #20, #21 e #22, a equipe criativa manteve-se praticamente a mesma, com três bons roteiristas – Roy Thomas, Len Wein e Doug Moench – e dois bons artistas – Gil Kane e Larry Hama -, além de Dick Giordano na arte-final. Isso garantiu a coesão da história, mesmo com a entrada do menos do que brilhante Tony Isabella no roteiro e do fraco Arvell Jones na arte das duas edições finais do arco.

Na edição #23, a única completamente “solta” das 11 de Punho de Ferro em Marvel Premiere, o herói enfrenta Matador, um louco veterano do Vietnã que acha que Colleen Wing é sua esposa. A história, apesar de escrita por Chris Claremont, é desinteressante e corrida, com uma arte pouco inspirada de Pat Broderick. No entanto, o trabalho de Claremont começa a ficar melhor no início de um novo arco, primeiro colocando o Punho de Ferro contra o Monstroide (edição #24) e, depois, contra uma série de ilusões criadas por Angar, o Gritador (#25), tudo em relação à proteção de uma princesa sob a proteção do policial Rafael Scarfe. O mistério, porém, permanece ao final da última edição, só sendo concluída na revista solo do herói. No entanto, do lado positivo, temos John Byrne na edição #25 desenhando Punho de Ferro, o que faz com que o fim do personagem na Marvel Premiere seja memorável.

Punho de Ferro tem um ótimo começo e mostra promessa, ainda que o futuro lhe reservasse pouco espaço em sua publicação solo. Mas há males que vêm para bem, pois, sem o cancelamento de sua publicação, ele provavelmente jamais faria dupla com Luke Cage. Lendas começam sem querer às vezes.

Marvel Premiere: Punho de Ferro #15 a 25 (Marvel Premiere Featuring Iron Fist, EUA – 1974/75)
Roteiro: Roy Thomas (#15 e #16), Len Wein (#16), Doug Moench (#17 a #19), Tony Isabella (#20 a #22), Chris Claremont (#23 a #25)
Arte: Gil Kane (#15), Larry Hama (#16 a #19), Arvell Jones (#20 a #22), Pat Broderick (#23 e #24), John Byrne (#25)
Arte-final: Dick Giordano (#15 a #19), Dan Green (#20), Vince Colletta (#21, #24), Aubrey Bradford (#22), Bob McLeod (#23), Al McWilliams (#25)
Cores: Glynis Wein (#15 e #16), Petra Goldberg (#17 e #18), Jan Brunner (#19), John Drake (#20), Stan Goldberg (#21), George Roussos (#22), Michele Wolfman (#23 e #25), Phil Racne (#24)
Letras: Gaspar Saladino (#15,#16, #23, #24), Artie Simek (#17 e #18), Ray Holloway (#19 e #20), Joe Rosen (#21), Karen Mantlo (#22 a #25)
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: maio de 1974 a outubro de 1975
Páginas: 20 por edição

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.