Crítica | Mayans M.C. -1X07: Cucaracha/K’uruch

  • Há spoilers. Leia, aqui, as críticas dos demais episódios.

Mayans M.C. continua a todo vapor com Cucaracha/K’uruch, episódio que termina de vez de lidar com a ideia de que ninguém, absolutamente ninguém nessa série é santo. Partindo do aprisionamento de Miguel Galindo na fronteira entre México e Estados Unidos, vemos não só a revelação do grande plano do grupo rebelde Los Olvidados, como também a efetiva entrada de Lincoln Potter na série, como a mente por trás da operação para desbaratar o cartel Galindo.

O grande momento – também um tantinho didático demais, mas dá para perdoar – é a conversa franca de Adelita com Miguel em que ela não só demonstra seu poder e organização, como diz que sabe muito bem que acabar com o cartel é apenas abrir a porta para outro entrar em seu lugar e que, por isso, prefere um acordo. É, sem dúvida, algo estranho, mas que, lá no fundo, faz mesmo sentido. A entrada de outro “jogador” no vácuo eventualmente deixado por Galindo é inevitável, então manter o cartel atual em seu lugar, mas beneficiando-se de parte do dinheiro do tráfico para ajudar quem precisa de ajuda. Sim, é dinheiro sujo para fazer aquilo que o governo não faz, mas, talvez, seja melhor tirar famílias da miséria e ajudar pessoas do que lutar sem fim contra um sistema podre. O problema disso é que, no final das contas, Adelita quer é trocar as mortes perpetradas pelo cartel, seja direta ou indiretamente, por vidas, mas a conta pode não ser tão simples assim.

De toda forma, agora o tabuleiro enevoado e antes impossível de Kurt Sutter e Elgin James começa a ficar claro, com uma visão de todo muito melhor. Se o cartel realmente encetar um acordo com Los Olvidados, então a traição de Angel e de seu grupo dissidente deixa de ser traição e uma unicidade nos Mayans dá sobrevida a eles. Claro que isso não resolve a traição de EZ (a relacionada com o DEA, pois ele é duplamente traidor, só para não esquecermos), mas pelo menos torna a coisa mais direta, mais “fácil” de raciocinar. No entanto, estamos ainda no episódio 7, com mais três ainda por vir, ou seja, há ainda muita água para passar debaixo dessa ponte e o que agora perdeu um pouco a complexidade pode ganhar outros contornos muito facilmente, até porque tenho para mim que Devante será contra o acordo e tentará influenciar Miguel de acordo.

A entrada de Potter na equação, com a sequência final de invasão da mansão de Galindo coloca as cartas na mesa. Os inimigos se apresentam e talvez seja isso que torne possível a paz entre Los Olvidados e o cartel, mesmo que por apenas um tempo. Não seria impossível que Adelita mexa os pauzinhos para soltar Galindo ou para passar informações sobre Potter para ele, já que creio que Potter esteja só fazendo uma demonstração de força ali.

Outro momento que vale destaque é o confrontamento de Adelita e Felipe, ou Ignacio. Com esse momento, que revela de vez aquilo que havia ficado nas entrelinhas, que ela é filha de Pedro, melhor amigo de Felipe, tudo se encaixa com perfeição. Ela, desde o começo, vinha usando Angel para mais do que apenas vender drogas roubadas do cartel. Ela queria vingança, mas ganha a verdade. E ela dói. Será interessante ver o que ela fará com as informações e também como Felipe, agora com sua identidade às escâncaras, lidará com a situação.

Paralelamente, EZ mais uma vez sofre ameaças do DEA, com Jimenez, porém, ajudando-o. O problema dessa sequência é que ela repete estruturalmente a do episódio anterior, o que talvez pudesse ter sido evitado. Da mesma maneira, as artimanhas de Leticia, apesar de escalarem tremendamente aqui, repetem o que vimos antes, ainda que sua manipulação de Coco, que o leva a cometer matricídio, seja algo realmente poderoso. Apenas talvez isso pudesse ter demorado um pouco mais para acontecer.

Mayans M.C. não para de mirar alto e de trabalhar muito bem seus personagens, ainda que EZ tenha saído dos holofotes principais por dois episódios seguidos. Não é nada grave, porém, pois a história continua funcionando bem e abrindo ramificações interessantes, como a cena final em que outra traição é revelada. Há muito material para ser destrinchado e Sutter e Elgin realmente estabeleceram bases narrativas para um jogo de longo prazo. Que assim seja!

Mayans M.C. – 1X07: Cucaracha/K’uruch (EUA – 16 de outubro de 2018)
Criação:  Kurt Sutter, Elgin James
Direção: Rachel Goldberg
Roteiro: Elgin James
Elenco: J.D. Pardo, Sarah Bolger, Michael Irby, Carla Baratta, Richard Cabral, Raoul Trujillo, Antonio Jaramillo, Danny Pino, Edward James Olmos, Emilio Rivera, Maurice Compte, Frankie Loyal Delgado, Joseph Raymond Lucero, Clayton Cardenas, Tony Plana, Michael Marisi Ornstein, Ray McKinnon
Duração: 53 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.