Crítica | Memórias da Princesa – Os Diários de Carrie Fisher

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estrelas 3

Ultimamente tem sido muito difícil falar sobre Carrie Fisher, depois do fatídico 27 de Dezembro de 2016, no qual, após um ataque cardíaco, ocorrido dias antes, a atriz faleceu. É irônico que um pouco mais de um mês antes de sua morte, Fisher tenha lançado um livro com as suas memórias e diários do ano de 1976, época em que as gravações de Star Wars: Uma Nova Esperança ocorriam.

Carrie não era apenas uma atriz, mas, como ela mesmo assume no livro, seu papel como Princesa Leia, não apenas mudou sua vida, como a de muitos outros fãs. Ela foi uma mulher que entrou no clubinho dos homens e transformou um filme que era voltado para o público masculino em um longa que mostra uma princesa forte e livre.

Além de Leia, Carrie tinha trabalhado em outros filmes, porém foi na carreira de escritora que Fisher mais deslumbrou. Com uma escrita muito dinâmica, cheia de ironias e, por muitas vezes, rispidez, ela se destacou em títulos como Wishful Drinking, Surrender the Pink e muitos outros. Em Memórias da Princesa, a autora escreve mais uma obra que grita o seu próprio nome.

Memórias da Princesa é um livro que prometia nos contar histórias que apenas quem viveu o protagonismo de Star Wars pode nos contar, a biografia foi lançada com uma campanha que dizia, esse é o diário de Carrie Fisher quando tinha 19 anos e estava no período de gravação do primeiro filme da saga. Pode-se dizer que ele entrega o que lhe é prometido, mas talvez a expectativa criada tenha superado a obra.

Todos que conhecem um pouco dos bastidores de Star Wars sabem que Carrie possuía uma personalidade que merecia destaque. Ela realmente falava o que lhe vinha a cabeça, não importasse a quem o dardo fosse lançado. Além de sua língua áspera, a atriz também é conhecida pelos seus excessos, tendo, durante sua vida, alguns problemas com drogas.

Os que compravam o livro sabendo do histórico de Carrie, esperavam ver uma obra carregada de ironias e críticas à tudo aquilo que Hollywood prega, o que Fisher não faz questão alguma de fazer. No entanto, Memórias da Princesa não tem a missão de contar como a atriz pensa nos dias de hoje, ele possui a tarefa de narrar aquilo que ela sentiu quando estava com 19 anos, no auge de suas inseguranças.

É exatamente isso que o livro faz, começando com uma explicação que Carrie escreveu, nos dias de hoje, sobre aquilo que ela era e o que fez com seus 19 anos. A escritora cresceu em um lar onde sua mãe, Debbie Reynolds, era uma grande estrela do cinema. Seu pai as abandonou e, ainda pequena, Fisher viu sua mãe, que tinha tudo, ter de correr atrás de shows para poder cuidar de seus filhos.

Carrie ainda abandonou os estudos durante o ensino médio e quando estava começando sua escola de atuação, deixou-a para estrelar um filme de pequeno orçamento, dirigido por George Lucas. Largar os estudos fez com que a atriz acumulasse uma grande insegurança e quando ela conheceu um jovem de mais de trinta anos, maduro e bonito, logo se apaixonou.

Não se pode escrever sobre Memórias da Princesa sem contar sobre a relação de Carrie e Harrison Ford, Leia e Han Solo, ou melhor: Carrison, como a autora descreve no livro. Ela era uma menina cheia de inseguranças que se apaixonou por um homem mais velho e casado. Essa pequena trama se passa por quase todo o livro.

O capítulo intitulado como Carrison é o maior, é nele que vemos os escritos do diário da própria Carrie, sendo que sua maioria se trata de sua paixão por Harrison Ford. Para um leitor que estava esperando críticas afiadas, essa parte do livro é muito enfadonha. A autora não escreve mal, sua simplicidade a acompanha em qualquer tema que ela discorre, porém nessa parte do livro, estamos vendo uma menina de 19 anos cheia de inseguranças com tudo a sua volta escrever, não uma mulher, madura, que vê o mundo de forma completamente diferente. Carrie alerta: o que você irá ler, são devaneios de uma adolescente sendo que, a maioria dos escritos, não esta em seus pensamentos nos dias de hoje.

É no final da obra que ela consegue ser a Carrie que conhecemos, aqui a autora escreve muito bem o que foi Star Wars para sua vida. Ela faz analogias da fama interessantíssimas, além de contar vários diálogos bizarros que ela teve com fãs e assumir sua luta interna para superar sua personagem mais famosa, Leia.

No final chegamos à conclusão que Leia é Carrie e Carrie é Leia. Seria impossível narrar a jornada de uma sem citar o nome da outra e é muito gratificante ver que, depois de uma longa briga, as duas chegaram a uma reconciliação.

Memórias da Princesa é uma leitura obrigatória para qualquer fã de Carrie, apesar das páginas que narram seu romance com Harrison serem um pouco desgastantes, saímos do livro com uma sensação de verdadeira intimidade com a autora, que, apesar de escrever uma obra com memórias de uma adolescente em crise, consegue imprimir seu estilo. Carrie Fisher, sentimos sua falta.

Memórias da Princesa – Os Diários de Carrie Fisher (The Princess Diarist) — EUA, 2016
Autor: Carrie Fisher
Publicação original: 2016.
Editora original: Penguin Group
Editora no Brasil: Best Seller
Páginas: 224 páginas.
PEDRO CUNHA . . . Com corpo e alma de Hobbit, sou um eterno Padawan e aprendiz. Amigo dos ursos, dos elfos e das águias. Nativo de Krypton e apreciador da sétima, nona e de TODAS as artes. Quando tentado sempre rebato; "sou um Jedi, como meu pai antes de mim".