Crítica | Mentiras (Mulher-Maravilha – Vol. 1: Renascimento)

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estrelas 4,5

Leiam aqui as nossas críticas do Universo DC: Renascimento.

A Mulher-Maravilha, ao longo dos anos, veio se transformando em um símbolo de justiça, sabedoria e igualdade. Em 2016 ela até foi nomeada Embaixadora Honoraria para o Empoderamento Feminino na ONU. Com todos esses atributos, fica cada vez mais difícil criar uma história sombria da princesa de Temiscira. Porém, Greg Rucka, dá a volta em todas essas características e escreve um dos arcos mais sombrios de toda a personagem.

Logo na primeira edição, vemos Diana perdida, uma das primeiras falas da personagem é: Nada faz sentido. E realmente esse parece ser o caso. A princesa das Amazonas não consegue encontrar seu lar, desesperada, ela vai ao encontro de uma das suas maiores inimigas, pois acredita que ela terá a respostas para suas perguntas. No mesmo local que a heroína, há um grupo militar do governo, liderado por Steve Trevor.

É assim que o arco de Rucka começa, com o encontro entre Cheetah e Diana. A vilã aceita ajudar a princesa em sua busca, enquanto Trevor e seus soldados encontram uma vilã que está sofrendo de uma espécie de praga. Ambos, Steve e Diana, começam assim a sua jornada. Não revelarei muitos detalhes do enredo, pois acredito que Mentiras é um arco que deve ser lido com poucas informações a seu respeito. Mas, há muito mais coisas para se comentar a respeito do título.

Como já dito anteriormente, Greg Rucka é o roteirista responsável pela trama, um escritor já conhecido da heroína. Foi ele que escreveu uma das fases mais renomadas de toda a personagem, deixando assim, todos os fãs da DC Comics muito aliviados quando viram o anuncio de que ele seria a mente por trás dessa nova fase da Mulher-Maravilha.

O escritor não decepciona em Mentiras, vemos um arco sombrio e, principalmente, muito bem escrito. O autor desenvolve muito bem a trama principal, composto por Diana e Cheetah buscando Temiscira e desenvolve muito bem a subtrama que pertence a Steve Trevor e seu grupo militar. Ele ainda consegue fechar o arco fazendo com que as duas tramas se unam, logicamente.

Rucka também tem êxito ao escrever os diálogos. O autor consegue entender o cerne de toda a mitologia da personagem principal e seu universo, entregando para o leitor falas muito críveis. Outro aspecto bem trabalhado é a relação entre Diana e seus amigos e inimigos. Greg consegue trazer afeto, raiva e compaixão em momentos nos quais essas emoções são cobradas.

Seria um pecado contra os deuses do Olimpo escrever algo sobre Mentiras e não comentar sobre a arte do quadrinho. Os desenhos de Liam Sharp estão maravilhosos. O artista tem êxito em retratar expressões, posições e ainda faz um trabalho de quadros e balões dinâmicos, de fácil entendimento. Outro aspecto, e talvez o mais importante, é que a arte de Liam rima com o roteiro de Rucka. É cada vez mais difícil vermos um trabalho de herói que consegue acertar o tanto no tom da arte, como no roteiro. Parece-me que os criadores não se comunicam mais, ambos fazem o seu trabalho e só no final irão juntar as peças. Porem não é assim que quadrinhos devem ser feitos. Rucka e Liam consguem unir forças e entregar um roteiro que adiciona a arte, e uma arte que enriquece o roteiro.

As cores de Laura Martin também são bem feitas. A colorista consegue retratar bem a floresta, utilizando de vários tons de verde diferentes. E não polui a arte de Sharp com cores fortes e desconexas com o ambiente que se esta em pauta.

A Mulher-Maravilha foi um título que saiu, nessa fase Renascimento, com arcos intercalados. As edições ímpares (1,3,5 e etc) ficaram para Mentiras, já as pares (2,4,6 e etc) foram separadas para Ano Um. Essa desorganização editorial não afetou o arco em questão, que conseguiu driblar a sua própria editora e se sagrou como uma ótima história. Porém, não se pode dizer o mesmo para a trama irmã, que sofreu muito com a falta de planejamento da DC Comics.

Mulher Maravilha: Mentiras (Wonder Woman : The Lies) — EUA, 2016
Contendo:
Mulher-Maravilha #1, 3, 5, 7, 9, 11
Roteiro: Greg Rucka
Arte: Liam Sharp
Cores: Laura Martin
Letras: Jodi Wynne
Editora original: Dc Comics
Datas originais de publicação: 2016
Editora no Brasil: Panini
Páginas: 170

PEDRO CUNHA . . . Com corpo e alma de Hobbit, sou um eterno Padawan e aprendiz. Amigo dos ursos, dos elfos e das águias. Nativo de Krypton e apreciador da sétima, nona e de TODAS as artes. Quando tentado sempre rebato; "sou um Jedi, como meu pai antes de mim".