Crítica | Mestre do Kung Fu (Tie-In de Guerras Secretas – 2015)

estrelas 5,0

Obs: Leia a crítica da saga aqui e dos demais tie-ins aqui.

O que são os tie-ins: Em Guerras Secretas, saga de 2015, o Doutor Destino – agora Deus Destino – recriou o mundo ou, como agora é conhecido, Mundo Bélico, a seu bel-prazer, dividindo-o em baronatos, cada um normalmente refletindo de alguma forma um evento ou uma saga passada da Marvel Comics. Com isso, a editora, que, durante o evento, cancelou suas edições regulares, trabalhou como minisséries – algumas mais auto-contidas que as outras – que davam novo enfoque à situação anterior já conhecida dos leitores, efetivamente criando uma saga formada de mini-sagas, com resultado bastante satisfatório, muitas vezes até superior do que as nove edições que formam o coração de Guerra Secretas.

Crítica

Assim como em Corredores Fantasmas e Força-V, Mestre do Kung Fu é um tie-in de Guerras Secretas que não reimagina saga, evento ou arco clássico da Marvel Comics. O roteiro de Haden Blackman cria um mundo inteiramente novo tendo Shang-Chi, o Mestre do Kung Fu, em seu centro, mas também trazendo seu pai, Zhangu Zu (que era Fu Manchu até a editora perder os direitos ao nome, criado pelo britânico Sax Rohmer), Punho de Ferro, Elektra e versões de artes marciais de personagens como Pantera Negra, Namor, Justiceiro e até mesmo do Surfista Prateado em uma versão bem diferente da terra mística de K’un Lun, normalmente relacionada com Punho de Ferro.

Além disso, de todas as minisséries que li até agora, está é a primeira que não tem absolutamente nenhuma ligação com a saga maior, podendo ser um Elseworlds sem relação com Deus Destino os Thors ou qualquer outro elemento chave da saga criada para destruir o Multiverso Marvel. E isso torna a minissérie muito atraente para quem deseja apenas reviver os bons tempos das histórias clássicas de Shang-Chi dos anos 70, quando ele foi criado por Steve Englehart e Jim Starlin ou quem simplesmente deseja ler uma narrativa inteligente, bem amarrada e que, com imaginação fertilíssima, reimagina e condensa grande parte do Universo Marvel em uma minissérie de caráter próprio e impossível de largar a leitura.

Haden Blackman constrói uma mitologia ancestral estruturada em volta de uma K’un Lun cujo imperador é escolhido no misterioso desafio das 13 Câmaras, em que os mestres das mais variadas escolas e clãs se enfrentam até alguém sair vitorioso. Há quase 100 anos, porém, o vencedor é Zhang Zu, pai de Shang-Chi, que é mestre em todas as técnicas existentes (incluindo as 13 técnicas). Shang-Chi, depois de eventos traumáticos no passado, é apenas um bêbado que só quer saber da garrafa e de um cachorrinho que o acompanha, tornando-se uma lenda esquecida em sua própria terra.

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Claro que, não demora, e ele chama atenção para si mesmo, enfrentando guardas do imperador que se surpreendem ao descobrir que ele ainda está em K’un Lun e sua técnica de luta dá esperanças a um grupo marginalizado liderador por Calisto, que pede que ele seja seu mestre. A história do mestre relutante é padrão e perfeitamente dentro do esperado. O leitor sabe, no momento em que o desafio das 13 Câmaras é apresentado logo no início da história, que Shang-Chi desafiará seu pai, mas o que interessa, aqui, é a jornada e ela traz ótimas surpresas e revelações que firmam uma fantástica mitologia própria que mistura muitos elementos de várias histórias do Universo Marvel em uma colcha de retalhos sem falhas que leva a uma história ritmada, compassada e elegante como os golpes de Shang-Chi.

E muito do que Blackman escreve – que não se furta de usar clichês do gênero – deve sua vitalidade à excelente arte de Dalibor Talajić, que desenha lutas de forma crível, sem exageros atléticos e constrói diversas splash pages narrativas (como a que ilustra o centro da presente crítica) que são de um apuro visual difícil de se encontrar por aí. Além disso, sua recriação de personagens icônicos do Universo Marvel – Norrin Radd é incrível! – é de se tirar o chapéu, pois ele mantém as características clássicas intactas, acrescentando elementos que os fundem à mitologia criada por Blackman como se eles sempre tivessem sido assim. Claro que o grande destaque fica com o próprio Shang-Chi que recebe uma releitura respeitosa, com diversas e muito bem-vindas piscadelas às suas histórias originais, inclusive seu famoso quimono vermelho com acabamentos amarelos e a faixa vermelha na cabeça.

Quando a minissérie acaba, o leitor provavelmente sentirá profunda tristeza. É pouco demais para esse riquíssimo universo criado por Haden Blackman. O que ele cria simplesmente precisa continuar em história própria separada do Universo Marvel comum, pois é muito bom demais para ficar confinado apenas à uma minissérie de quatro números.

Mestre do Kung Fu (Master of Kung Fu, EUA – 2015)
Contendo: Mestre do Kung Fu (2015) #1 a #4
Roteiro: Haden Blackman
Arte: Dalibor Talajić
Arte-final: Goran Sudzuka
Cores: Miroslav Mrva
Letras: Travis Lanham
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: julho a outubro de 2015
Editora no Brasil: Panini Comics
Data de publicação no Brasil: outubro de 2016 (encadernado – primeira história em Guerras Secretas: Mestre do Kung Fu #1)
Páginas: 90

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.