Crítica | Metal Gear Solid V: Ground Zeroes

estrelas 4

Após a épica conclusão da história em Metal Gear Solid 4: Guns Of The Patriots, ainda no início do Playstation 3, e mal-sucedido spin-off em Metal Gear Rising: Revengeance, Hideo Kojima voltou às origens e entregou, em Metal Gear Solid V: Ground Zeroes, um curto, porém excelente prólogo ao seu último trabalho na Konami. O problema reside especificamente em colocar no jogo em questão a categoria de introdução necessária ao grande lançamento de sua sequencia, Phantom Pain, em agosto de 2015.

Antes de se questionar a duração do game, vale salientar o seguinte: Ground Zeroes é, até aqui, o jogo melhor acabado em termos visuais e jogáveis da série. Muitos fãs e críticos gostam de dizer que a tecnologia nunca foi suficiente para a visão de Kojima para seus jogos. Em alguns casos tal comentário é válido, principalmente ao se notar a evolução da jogabilidade e das cinematics no quarto capítulo da série. Em Ground Zeroes fica claro, de qualquer maneira, que a indústria já chegou ao ponto ideal para que a espionagem tática que dá subtítulo aos games seja, de fato, algo real.

Comandando Naked Snake, já como Big Boss, o game parte de onde Metal Gear Solid: Peace Walker parou. Isso pode ser um problema para muitos no que se refere à já complexa história dos Snakes. Peace Walker é um jogo originalmente feito para PSP, mas mesmo que o jogador não tenha jogado, o game vem com uma pequena linha temporal de acontecimentos que levaram Big Boss à uma base americana em Cuba com a missão de resgatar Paz e Chico, dois personagens do jogo feito para portátil. Por ser um capítulo curto, Ground Zeroes acaba sendo uma boa porta de entrada para um jogador desavisado que quer entender a história, por mais que Metal Gear Solid 3: Snake Eater seja, cronologicamente, o primeiro a ser jogado.

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Precisando resgatar dois indivíduos em uma noite chuvosa, o jogador se vê com diversas opções de abordagem, variando não só entre stealth e pura ação, mas entre as modalidades stealth, todas com controles com ótima resposta e ainda mais melhorados devido à interação com a bem-feita I.A. dos soldados. A ambientação do cenário aberto – pela primeira vez posto em prática em Metal Gear – é excelente, por mais que o mapa não seja muito grande. Esconder-se de holofotes, marcar inimigos com a câmera, usar óculos de visão noturna, abusar de tranquilizantes e rastejar cautelosamente são só algumas opções que colocam o jogador na pele de Big Boss, dublado por Kiefer Sutherland, o saudoso Jack Bauer de 24 horas. O menu também ficou bastante prático e maleável quando se precisa entender sua localização no mapa – não que seja possível se perder muito na Omega Base. Outra boa novidade é o slow motion que pinta quando Snake é notado, sendo essas as melhores horas para se acertar um headshot e aliviar a pressão em cima de Big Boss.

Da mesma forma, poder optar entre a tradicional trilha da série, Richard Wagner e as fitas de áudio do próprio enredo dá uma autonomia a mais ao jogador que é, certamente, a marca deste jogo. O problema, como já colocado, é que a missão principal, mesmo se jogada com cuidado e na dificuldade mais difícil, dura, no máximo, entre duas a três horas. A esperteza de Kojima, todavia, foi colocar outras missões genéricas a partir do momento que se zera o game, o que deixa Metal Gear Solid V: Ground Zeroes com um ótimo valor de replay, posto que cada missão, mesmo que curta, é bastante divertida e imersiva.

Na imensa ansiedade dos fãs para a continuação Phantom Pain, Ground Zeroes acalma um pouco os ânimos ao mesmo tempo que aumenta a expectativa, dada a qualidade de gameplay e esmero na produção já vistos. A ideia de vivenciar o confronto entre Big Boss e Zero, explicado em Guns Of The Patriots e esperado pelo acontecimento final do jogo em questão, é de fazer qualquer fã se empolgar. Esse prólogo pode não valer o preço salgado para jogadores que não são fãs do gênio de Kojima, além de poder ser encarado como uma espécie de caça-níquel. De qualquer modo, experimentar as bem-vindas novidades e controlar, novamente, um Snake em uma infiltração inédita, é garantia de diversão.

Metal Gear Solid V: Ground Zeroes
Desenvolvedor: Kojima Productions
Lançamento: 18 de março de 2014
Gênero: Stealth
Disponível para: PS4, PS3, XboxOne, Xbox360 e PC

ANTHONIO DELBON . . . Ressentido como Vegeta, não suporto a beleza nos outros. Escondo minhas taras em falsas profundidades e não titubeio em dizer um taxativo não aos convites para experimentar os gostos do mundo. O mundo tem gostos demais, livros demais, críticas demais. Escrevo porque preciso – viver, não sobreviver - e viajo fluidamente sem sair do lugar. Na madrugada, nada melhor do que a guitarra de Page ou a voz de Yorke para lembrar da contingência do pó, ainda que nossa tragicômica vida mereça ser mantida, seja por distração ou por vício, como diria Cioran.