Crítica | Meu Malvado Favorito 2

estrelas 2

Sequência trôpega e desnecessária de Meu Malvado Favorito, este capítulo dois das aventuras de Gru e Cia. Ltda. é um dos maiores exemplos de que é possível escrever uma história que atira para todos os lados, sem grande desenvolvimento narrativo e, ainda assim, conseguir uma nomeação ao Oscar de Melhor Animação.

Muito do que eu poderia dizer aqui sobre os problemas e as opções questionáveis dos diretores já foi dito na crítica da obra que abriu a franquia, portanto, como uma boa parte desses problemas se repetem, vou apenas tratá-los de modo en passant e dar maior atenção a outros pontos. Caso o leitor queira saber mais a respeito, sugiro que acesse o texto disponibilizado nos links anteriores.

Contratado pela Liga Anti-Vilões, Gru se torna um espião. Sua finalidade é descobrir onde se encontra uma certa substância capaz de “fazer monstros” e quem a está utilizando ou armazenando em um Shopping da cidade. O Malvado Favorito então tem a companhia de Lucy para ser sua parceira, e o inesperado acontece: ele se apaixona. De um primeiro filme marcado por pontos até interessantes na trama – apesar de todos os problemas – passamos para um segundo capítulo onde a fórmula que tanto odiamos nos romances açucarados em live action se faz presente: o cara estranho se apaixona por uma garota, eles vivem ‘algo’ juntos, há inconstâncias no assumir da paixão, alguém tenta separá-los, uma reviravolta “hell, yeah!” acontece e eles se casam no final do filme.

Se a proposta inicial da primeira fita falhava ao enganar deliberadamente o espectador (e não de um modo legal, mas de um modo chamado “roteiro falho”), criando adultos com certa personalidade maléfica sem que na verdade a tivessem (principalmente em se tratando do protagonista), nesse segundo filmes tivemos uma guinada completa em relação ao pouco de bom que tivéramos antes.

O mal aparece camuflado na pessoa de Eduardo “El Macho”, que assume a vilania, uma vez que Gru virou um pai fofo e produtor de geleias. Até aí tudo bem. Mesmo que a mudança de Gru não tenha sido uma transformação e sim uma revelação de sua verdadeira persona, o caminho mais provável para ele no segundo filme seria assumir a paternidade das garotas e viver de modo cute. Mas… virar espião de uma Liga, apaixonar-se e casar-se não é uma mudança rápida demais não? Observe o tamanho das garotas do primeiro filme para o segundo e vejam que não passou-se tanto tempo assim! Mesmo considerando o universo de fantasia que permeia a animação, é preciso ter o mínimo de coerência em dar sequência a fatos que se passam com as mesmas personagens e num mesmo universo.

A vala comum fica ainda mais funda quando percebemos que criaram uma personagem fantástica como Lucy, mas a colocaram dentro de um contexto impossível no sentido dramático e aterrador no contexto de Meu Malvado Favorito. Isso sem contar que se esqueceram da ameaça do Banco feita a Gru; a ausência de referências ao passado (nem parece que é uma continuação); a desaparição da mãe de Gru, que ganhara certa importância no primeiro filme e aqui parece nem existir – fazendo uma ponta mixuruca no final; e, a pior de todas as coisas, a patética e lamentável mutação que fazem com os Minions. O roteiro se mostra tão fraco, mas tão fraco, que foi preciso lançar mão dos adoráveis personagens, a única coisa realmente impecável do primeiro filme, para levar adiante a quebra dramática do texto e auxiliar o vilão num plano maligno. Pelo menos o Vetor tinha personalidade – caótica, mas tinha -, diferente desse El Macho-cado.

Pelo menos no plano técnico Meu Malvado Favorito 2 acerta mais, à exceção da trilha sonora, que foi melhor na película anterior. Porém, as estranhezas dos acontecimentos foram tantas, que mal se aproveita o gráfico, as cores, a característica dos desenhos, os efeitos. Vejo que a franquia vai pelo mesmo ralo nodoso que foi Shrek, só que com uma diferença: o primeiro filme do Ogro foi excelente, algo que não podemos dizer de Meu Malvado Favorito.

Publicado originalmente em 23/06/2015

Meu Malvado Favorito 2 (Despicable Me 2) — EUA, 2013
Direção: Pierre Coffin, Chris Renaud
Roteiro: Cinco Paul, Ken Daurio
Elenco (vozes originais): Steve Carell, Kristen Wiig, Benjamin Bratt, Miranda Cosgrove, Russell Brand, Ken Jeong, Steve Coogan, Elsie Fisher, Dana Gaier, Moises Arias, Nasim Pedrad, Kristen Schaal
Duração: 98 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.