Crítica | Meu Malvado Favorito 3

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estrelas 1

Meu Malvado Favorito é uma daquelas franquias que necessitam de um único elemento específico para se sustentarem, no caso, tal aspecto é a “fofura” – o grande problema é que, se tirarmos isso, não sobra absolutamente nada. Começando com um filme fraco, que apenas diverte (sendo otimista), a série logo desandou com sua continuação e o desnecessário spin-off dos Minions. Apesar disso, a necessidade por dinheiro fala mais alto que a criatividade e logo “ganhamos” Meu Malvado Favorito 3, uma obra que pode até divertir crianças bastante novas, mas que para qualquer outro minimamente exigente quando se trata de cinema prova ser uma verdadeira tortura, sendo essa a verdadeira perversidade de Gru.

O longa tem início nos apresentando seu principal antagonista, Balthazar Bratt (Trey Parker), um ex-astro de série de televisão infantil que caiu no esquecimento. Indignado com essa sua posição atual irrelevante, ele adota a persona vilanesca que interpretava nas telinhas e decide roubar um gigantesco diamante utilizando técnicas inesperadas envolvendo chicletes gigantes. Entram Gru (Steve Carell) e sua esposa, Lucy (Kristen Wiig), que agora trabalham para uma agência anti-vilões. Resgatando o diamante, mas falhando em capturar Bratt, que promete que essa não será a última vez que eles se encontrarão, os dois são expulsos da agência e, pouco depois, são contactados pelo irmão gêmeo perdido de Gru, Dru. Ambos, então, iniciam uma jornada para se conectarem enquanto Balthazar dá continuidade a seu grande plano.

A premissa de Meu Malvado Favorito 3 já é extremamente forçada, somos introduzidos a dois personagens (o antagonista e o irmão gêmeo) os quais jamais foram sequer citados anteriormente, com o texto oferecendo péssimas desculpas para justificar esse fato. Para piorar, o roteiro da dupla formada por Cinco Paul e Ken Daurio introduz subtramas desnecessárias, uma focada em Lucy e as crianças e outra nos minions, claro, esses segundos sendo atuando tão à parte da história central que chega a parecer que estamos assistindo um spin-off dentro do próprio filme. Ambas soam completamente desconexas do contexto geral, funcionando como elementos extras que apenas dilatam a narrativa, tornando-a mais cansativa do que já é. O resultado é um filme de noventa minutos que nos faz sentir como se estivéssemos sentados há quatro horas na sala do cinema – isso no meio da projeção.

Já a trama principal segue da maneira mais previsível possível, não entregando qualquer surpresa para o espectador. O apoio na “fofura”, elemento principal da franquia, se faz evidente, desde a filha mais nova de Gru, até a personalidade alegre de Dru. A obra, contudo, faz um esforço tão grande para soar engraçada que, no fim, não consegue arrancar quase nenhuma risada, com a sala do cinema permanecendo em silêncio, mesmo com inúmeras crianças testemunhando essa tragédia cinematográfica. O maior exemplo dessa infrutífera tentativa de criar uma comédia envolvente é o antagonista, Bratt, que basicamente só dança o filme inteiro ao som de melodias oitentistas, com sua persona sendo construída a partir da caracterização disco. Tal personagem poderia até ser melhor no idioma original, já que Trey Parker, co-criador e dublador de inúmeros personagens de South Park é o responsável pela sua voz – a tirania da dublagem, todavia, nos impede de tirar essa prova.

A animação em si cumpre seu papel, mas não traz nada de novo. Claro que estamos falando de uma franquia e se faz necessário o respeito à identidade visual criada no primeiro filme, mas, tirando sutis diferenças, parece que estamos vendo a mesma obra de 2010. Não ajuda, claro, o fato do roteiro seguir praticamente a mesma fórmula dos dois anteriores, com Gru combatendo mais um vilão. A falta de originalidade chega a ser surreal, destruindo qualquer possível intenção dos realizadores em trazer algo de diferente para a série. O cansaço do espectador, claro, somente aumenta com as sequências de ação sem qualquer emoção, se resumindo a corridas de carro ou personagens escalando alguma superfície.

Meu Malvado Favorito 3, portanto, traz mais do mesmo, o grande problema é que, ao repetir três vezes a mesma fórmula, não há como enganar qualquer um de nós espectadores, que, inevitavelmente, reviramos os olhos durante inúmeros trechos da obra. Com uma história previsível, recheada de subtramas desnecessárias e cansativas tentativas de nos fazer rir, com um humor que beira a tragédia de tão ruim, esse filme é a prova de que essa franquia não deveria ter saído do primeiro longa-metragem, que já não era nenhuma maravilha.

Meu Malvado Favorito 3 (Despicable Me 3) — EUA, 2017
Direção:
 Kyle Balda, Pierre Coffin, Eric Guillon
Roteiro: Cinco Paul, Ken Daurio
Elenco: Steve Carell, Kristen Wiig, Trey Parker, Miranda Cosgrove,  Dana Gaier, Nev Scharrel,  Pierre Coffin, Steve Coogan,  Julie Andrews
Duração: 90 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.