Crítica | Meus 15 Anos (2017)

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estrelas 3

Meus 15 Anos segue a linha dos produtos fáceis de serem vendidos para o grande público, ou ao menos aquele que vai ao cinema sem qualquer interesse em profundidade de história, complexidade de personagens, e por aí vai, algo o qual Meus 15 Anos realmente não assume a obrigação de entregar, tendo em vista que as comédias nacionais de hoje assumiram a função de unicamente levar os espectadores às risadas de qualquer forma, forma essa que é bastante questionadora, na maioria do tempo. O humor do cinema brasileiro (e a receptividade do mesmo com o que lhe é entregue) é algo a ser estudado.

E claro, após ter marcado seu rosto na telinha como a Maria Joaquina da novelinha mirim Carrossel, o qual ainda gerou dois filmes para o cinema, apostar na presença e no rosto já crescidos de Larissa Manoela certamente seria uma receita infalível para vender o filme ao público de qualquer faixa etária, visto que a abordagem da adolescência e da fase dos quinze anos na vida de uma garota causam identificação e familiaridade de maneira natural.

No filme, Larissa é Bia, a típica guria deslocada dos jovens descolados da escola, mais preocupada em estudar e ser uma boa filha para o pai (Rafael Infante) e uma boa amiga para Bruno (Daniel Botelho), seu colega mais próximo. Seu pai, em constantes tentativas de fazê-la feliz, inscreve Bia num concurso para uma festa de quinze anos que promete ser a maior do ano, com direito a vestidos, presentes e até mesmo uma ponta da cantora Anitta. O prêmio e a popularidade de Bia irá mudar o interesse de muitos na escola pela amizade de Bia.

Como qualquer produto pensado e feito para um público de consumo rápido e sem grandes devaneios (e não que seja uma obrigação que o filme seja diferente disso), Meus 15 Anos apoia as pernas numa saraivada de clichês já batidos e mexidos em milhares de ocasiões, seja no cinema nacional ou estrangeiro. Todos os conflitos são básicos, os diálogos já parecem prontos há décadas (e ainda há uma narração em off para disfarçar a dramaticidade), os personagens seguem a cartilha óbvia de caricaturas do colegial, e por aí vai. Materialmente, Meus 15 Anos não possui atrativo nenhum, mas surpreendentemente, todos esses elementos jogam a favor quando nos deparamos com um filme que, pasmem, até consegue olhar para sua protagonista com alguma sensibilidade e ser carregado por uma leveza narrativa que funciona e torna a narrativa mais prazerosa.

Todas as pitadas de drama, romance, comédia e crises existencialistas na adolescência são desenvolvidas com equilíbrio pela diretora Caroline Fioratti, que mesmo diante de toda a fragilidade e superficialidade de uma abordagem condenada a ser superficial, se esforça para que os temas e os personagens fluam agradavelmente e transmitam algum carisma para o público. E se nem todas as tentativas funcionam (pra quê estereotipar novamente um personagem gay, não é?), ao menos Meus 15 Anos consegue fazer rir em momentos honestos de despretensão e sai beneficiado com uma presença surpreendentemente esforçada de Larissa Manoela, que faz o necessário para que a personagem desperte alguma empatia. E consegue.

A trilha sonora, eclética e que vai de Clarice Falcão, passa por Karol Conká e chega até em Mahmundi, também funciona perfeitamente para se comunicar com o público jovem, e nisso, Meus 15 Anos passa fácil como um entretenimento funcional para quem deseja alcançar, mesmo com todos os clichês, obviedades e estereótipos, é uma diversão inofensiva e que dificilmente causará grandes aversões.

Meus 15 Anos — Brasil, 2017
Direção: Caroline Okoshi Fioratti
Roteiro: Mirna Nogueira, Caroline Okoshi Fioratti, Luiza Trigo, Clara Deák, Marcelo Andrade, Bia Crespo (baseado em romance de Luiza Trigo)
Elenco: Larissa Manoela, Anitta, Lorena Queiroz, Heslaine Vieira, Polly Marinho, Rafael Infante, Bruno Peixoto, Daniel Botelho, Clara Caldas, Bruna Tatar, Rafael Awi, Pyong Lee, Bruna Tatar, Victor Meyniel
Duração: 103 min.

RAFAEL OLIVEIRA. . . .Cinéfilo ainda em construção, mas que já enxerga na Sétima Arte algo além de apenas imagens e som. Amante de Kubrick e Hitchcock e viciado em música indie, cético e teimoso, mas sempre aberto para novas experiências e estranhas amizades.