Crítica | MIB – Homens de Preto

homens de preto 1997

estrelas 4

Com a estreia de Homens de Preto 3 em poucos dias, resolvi assistir novamente, depois de muitos anos, o filme que começou a franquia e ajudou a catapultar as carreiras de Will Smith e Tommy Lee Jones. Tinha clara lembrança que havia gostado muito dele quando o vi lá pelos idos de 1997 (como o tempo passa!) mas não sabia se ele permaneceria divertido e atual. Fico feliz em dizer, que passados 15 anos, a obra dirigida por Barry Sonnenfeld é ainda relevante, engraçada e seus efeitos resistiram muito bem ao tempo.

Imigração ilegal é um problema talvez ainda mais presente – ou mais abertamente discutido – hoje do que em 1997, expandindo-se muito além das fronteiras americanas. Atualmente, quando falamos no tema, além do clássico estereotipado do mexicano tentando levar uma vida melhor nos EUA, também lembramos, muito vivamente, dos graves problemas de nossos colegas europeus. No caso de Homens de Preto, a questão dos imigrantes ilegais é escancarada, mas com uma adocicada camada de glacê por cima, e é, no mínimo, tão atual hoje como era na década de 90.

Para quem nunca viu Homens de Preto, baseado em quadrinhos da Marvel (originalmente, não da Marvel, mas que acabaram sendo comprados pela editora), o filme mostra uma agência especial cuja função é controlar o afluxo de alienígenas na Terra, a maioria deles morando em Nova Iorque, o que é muito conveniente para a película ao mesmo tempo que é perfeitamente crível, considerando o caldeirão étnico que é a cidade. O veterano Agente K (Tommy Lee Jones) recruta o novato Agente J (Will Smith) para, juntos, impedirem a destruição da Terra.

E, com isso, as piadas vêm quase que naturalmente. Vemos, aos borbotões, as mais divertidas gags com a imigração ilegal, começando com a abertura da projeção, em que vemos um “coiote” atravessando a fronteira dos Estados Unidos carregando uma leva de mexicanos, sendo um deles literalmente um alienígena. E, como nos melhores filmes de “dupla de policiais”, a diferença entre as gerações dos Agentes K e J também permite uma boa quantidade de divertidos momentos.

Aliás, a química entre Jones e Smith é perfeita. O Agente K é sisudo, sério e faz tudo conforme as regras. O Agente J, claro, é exatamente o oposto, como é de se esperar em situações como essa. Mas a relação dos dois é agradável de ver, muito na linha da relação de Murtaugh (Danny Glover) e Riggs (Mel Gibson) na já clássica franquia oitentista Máquina Mortífera.

Há também, excelentes participações de Rip Torn, como o chefe da agência, o Agente Z (ou Zed, como queiram) e da sensual Linda Fiorentino como Laurel, uma médica legista que acaba se envolvendo inadvertidamente com a situação. E não lembrava, mas Tony Shalhoub (pré-Monk) e Vincent D’Onofrio (pré-Law & Order) também fazem suas aparições, ainda que brevemente.

Os efeitos especiais, como disse mais acima, até se seguram muito bem mesmo para os padrões atuais. É evidente que em determinadas cenas, como a do tumultuado parto feito pelo Agente J, a idade fica mais saliente. Mas em compensação, em outros momentos, como na catastrófica cena final, não há do que reclamar.

O excelente Rick Baker foi o responsável pela maquiagem e, nessa categoria, o filme é incrível, bastando ver por exemplo, o grande vilão do filme que “veste” a pele de um humano (D’Onofrio).  Os efeitos alcançados por Baker conseguem ser extremamente aflitivos e assim o são porque talvez seja o mais próximo e real que chegaremos a ver na categoria “alienígena vestindo pele de humano”.

A trilha sonora é outro ponto forte do filme e olha que tenho sérias reticências com o compositor Danny Elfman, achando-o um dos compositores mais repetitivos do cinema. Mas, em Homens de Preto, ele nos apresenta algo realmente memorável que funciona muito bem dentro do ritmo do filme. A música tema, usada na já famosa abertura da “libélula”, fica na cabeça do espectador e lembra o filme tanto quanto os uniformes e atuações de Smith e Jones.

Homens de Preto diverte e satisfaz o espectador com seu humor perspicaz e uma narrativa cativante.

MIB – Homens de Preto (Men in Black, USA, 1997)
Direção: Barry Sonnenfeld
Roteiro: Lowell Cunninghan, Ed Solomon
Elenco: Tommy Lee Jones, Will Smith, Linda Fiorentino, Vincent D’Onofrio, Rip Torn, Tony Shalhoub, Siobhan Fallon, Mike Nussbaum, Jon Gries, Sergio Calderón, Carel Struycken, Fredric Lehne, Richard Hamilton
Duração: 98 min

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.