Crítica | Michelle e Obama

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estrelas 3,5

A ideia, de Richard Tanne, de nos contar uma ideia sobre o primeiro encontro romântico de Barack Obama e a então Michelle Robinson definitivamente soa como uma comédia romântica glorificada, simplesmente mais do mesmo, mascarado com o velho “baseado em fatos reais” e representações de personalidades ilustres de nossa sociedade. Felizmente, contudo, somos surpreendidos pelo que o diretor/ roteirista nos oferece – não que seja um filme que mudará nossas vidas, mas ele certamente conta com mais alma do que muitos outros do que vemos por aí, conseguindo sobrepujar seus acertos sobre os defeitos que estão, sim, presentes.

A trama acompanha um dia na vida de Michelle (Tika Sumpter) e Barack (Parker Sawyers). O, então, estudante de Harvard, temporário no escritório de Robinson, convida sua futura esposa para uma reunião de um dos bairros mais pobres de Chicago. Enquanto Michelle insiste que aquilo não é um encontro, Barack procura convencê-la constantemente do contrário.

Em diversos aspectos, Michelle e Obama, de fato, soa como uma comédia romântica qualquer. A clássica estrutura dos chick flicks está presente de forma explícita: garoto conhece a garota, ele a perde e, por fim, a reconquista. O que diferencia a obra das centenas de outras do mesmo gênero é justamente o trabalho de Tanne como roteirista, que insere diálogos verdadeiramente bem escritos, trazendo uma constante dinâmica para o longa-metragem. O roteiro ainda assume um importante discurso sobre o preconceito e a misoginia, fatores que seriam combatidos posteriormente na administração de Obama. Sob determinado olhar, esse é quase um filme de origem, visto que conseguimos enxergar com clareza o futuro presidente e primeira dama nos personagens apresentados.

A direção também não deixa a desejar e foge do óbvio em seus enquadramentos e movimentos de câmera, que distanciam sua produção de outras comédias românticas. Há uma presença maior de planos mais contemplativos, que se encaixam com os diálogos presentes. O que mais nos chama a atenção é o trecho na galeria de arte, que faz uso de uma linguagem quase documental para construir um dos mais belos momentos do filme.

As atuações de Sawyers e Sumpter também não deixam a desejar. Ambos contam com a difícil tarefa de sustentar o longa quase que por completo – são poucos os momentos que os vemos contracenando com outros atores. Os dois conseguem verdadeiramente encarnar suas contrapartes na vida real, adotando todos os maneirismos dos dois. Sumpter, em determinados momentos, acaba soando teatral ou robótica demais, mas, felizmente, isso é contornado na maior parte da projeção.

Dito isso, apesar de sua alma, Michelle e Obama ainda se estabelece como um simples feel good movie. Mesmo com seu discurso contra o racismo e o preconceito de uma forma geral, seu foco na crescente relação entre o futuro presidente e sua primeira-dama acaba ficando no território da comédia romântica. É, definitivamente, melhor que muitas outras obras do gênero, mas não acrescenta nada de novo verdadeiramente. De toda forma, irá agradar o espectador que apenas busca ser entretido na sala do cinema.

Michelle e Obama (Southside With You) — EUA, 2016
Direção: 
Richard Tanne
Roteiro: Richard Tanne
Elenco: Tika Sumpter, Parker Sawyers, Vanessa Bell Calloway, Phillip Edward Van Lear,  Taylar Fondren, Deanna Reed-Foster,  Jerod Haynes
Duração: 84 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.