Crítica | Minha Mãe é Uma Peça 2

Minha Mãe e Uma Peça 2

estrelas 2,5

Minha Mãe é Uma Peça 2 é o tipo de sequência inevitável no cinema. O primeiro filme foi um gigantesco sucesso de bilheteria, bem como de aceitação do público envolvido pela onda de comédias de apelo popular que começava a pulular por nossa indústria cinematográfica.

Ao repetir as fórmulas do antecessor, a produção continua sendo carregada pela personagem central, D. Hermínia (Paulo Gustavo), a mãe excessivamente protetora, falastrona, por vezes mal educada e intrometida demais. A repetição, por sua vez, não impede que a relação com o público seja magnética. As falas, as situações tipicamente locais, bem como o humor escrachado adotado do início ao fim garantem ao filme o seu lugar no sol, mesmo com um feixe de falhas bastante evidentes.

A sequência mostra D. Hermínia mais empoderada. Agora ela é apresentadora de um programa televisivo, reside num apartamento superlativo e degusta os sabores e usufrui dos prazeres de ser membro da classe média emergente, ou novos ricos, como queiram. Por conta deste novo lugar de fala, os estereótipos de pobreza, que em nosso cinema, geralmente usam e abusam de elementos kitsch, deram espaço para os estereótipos do público classe A, com ambientes cleans. Em suma, a sofisticação colocou a simplicidade para escanteio, numa espécie de evolução da linguagem.

O problema do filme é justamente este. Evoluiu visualmente, mas os seus personagens continuam com a mesma carga dramática, ou ausência dela. Paulo Gustavo faz um enorme esforço, pois como dito na crítica ao primeiro filme, ele é talentoso e tem o timing perfeito para filmes deste quilate. O problema é a quantidade de personagens e situações gravitacionais que prejudicam o arco dramático do filme, transformando-o num feixe de situações episódicas que lembram filmes cheios de esquetes.

Outro problema, entretanto, é que se fossem esquetes, talvez fosse até melhor. Cada situação era fechada antes de partir rumo aos próximos temas. O incomodo está na mistura de tudo, numa confusão narrativa que demonstra esvaziamento de ideias, numa espécie de condução à “toque de caixa”.

Em suma, a produção oferece muitos conflitos, mas não os desenvolve adequadamente. O roteiro, desenvolvido por Fil Braz, em coautoria com Paulo Gustavo, peca pelas suas faltas e pelos seus excessos. Personagens tornam as suas participações muito didáticas, explicando coisas que aos nossos olhos, são óbvias logo de cara. Algo é dito e logo adiante é explicado pela câmera, como se o público fosse tão pouco instruído que não tivesse a capacidade de fazer as associações.

A linguagem é dinâmica, mas subutilizada. Faltou uma direção mais empenhada e menos robótica. Filmes como Minha Mãe é Uma Peça 2 fazem a indústria cinematográfica circular, popularizar-se, de alguma forma, por isso não devem ser pensados na ótica do descarte, pois tem efeitos positivos. Há um apelo novelístico na linguagem, mas no que diz respeitos a estes aspectos estéticos, o filme melhorou bastante neste hiato de quatro anos. Basta esperar a sua provável continuação, desta vez, mais sofisticada em termos dramatúrgicos, será?

Minha Mãe é Uma Peça 2 Brasil, 2016 
Direção: André Pellenz
Roteiro: Felipe Braz, Paulo Gustavo, Rafael Dragaud
Elenco: Alexandra Richter, Bruno Bebianno, Gustavo Novaes, Herson Capri, Ilva Niño, Luana Piovani, Marcus Majella, Mariana Xavier, Patricya Travassos, Paulo Gustavo, Rhaísa Batista, Rodrigo Pandolfo, Samantha Schmütz, Suely Franco
Duração: 86 min

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.