Crítica | Minions

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estrelas 2

Os minions, pequenas criaturas amarelas e “engraçadinhas”, servos de Gru, são indubitavelmente um dos melhores elementos de Meu Malvado Favorito, muito semelhante aos pinguins de Madagascar e Scratch de A Era do Gelo. Grande parte de seu charme, contudo, assim como suas contrapartes nas outras animações citadas é o curto tempo em tela que contam, funcionando muitas vezes como o aspecto inesperado da narrativa que garante a risada da audiência. Naturalmente, visando um maior lucro, esse período de exibição dos pequenos seres aumentou em Meu Malvado Favorito 2 e, agora em 2015, ganham seu próprio desenho, o que facilmente poderia ser considerado um gigantesco erro, tendo em vista a dependência de sua graça nas doses homeopáticas que antes apareceram. Mas, assim como em Os Pinguins de Madagascar, o dinheiro falou mais alto.

Ainda assim há esperanças, naturalmente esta pautada na possibilidade de um roteiro criativo, que não apenas seja uma constante repetição de si mesmo pelos noventa e um minutos de projeção. Nos primeiros minutos, ao menos, o texto de Brian Lynch parece nos oferecer algo de diferente. Trata-se de uma história de origem, que remonta às origens da vida na Terra. Sempre procurando um mestre mais malvado que o outro, os minions seguem desde o T-Rex até Napoleão Bonaparte, sempre, é claro, fazendo trapalhadas que os forçam a procurar um novo alguém a quem servir. Com uma narração em off desnecessária, que praticamente chama as crianças e adultos de imbecis (todos conseguiriam entender o que há em tela tranquilamente), pulamos de século em século, milênio a milênio, até chegarmos no status quo que motiva o início da jornada de Stuart, Kevin e Bob, que buscam agora um novo vilão para servirem.

Assim como na franquia original que deu origem às criaturas, grande parte da comédia é pautada no jeito trapalhão e abobalhado dos seres amarelos, além, é claro, de sua língua um tanto exótica que nada mais é que uma criativa mistura de diversas línguas, como francês, italiano, espanhol, inglês e português. Devo dizer que um dos aspectos mais interessantes da obra é justamente tentar identificar cada palavra dos minions e a forma como são encadeadas permitem o total entendimento da trama, sem a necessidade de um diálogo propriamente dito – algo, como já disse, estragado pela voz em off no trecho inicial do filme, algo que, felizmente, vai embora antes que seja tarde demais.

Esse humor, que acaba nos cativando em Meu Malvado Favorito, porém, acaba cansando o espectador através das temidas repetições e repetições. As piadas são as mesmas ao longo de toda a projeção e aquelas que se diferenciam minimamente são mal-construídas, nos oferecendo nada mais que uma nítida sensação de vergonha alheia. Tal comédia pode até funcionar com crianças bastante pequenas, mas o que custava oferecer um pouco mais de profundidade, como em Divertida Mente, da Pixar?

Entramos, portanto, no aspecto mais problemático de Minions. Trata-se de um longa-metragem vazio, que virtualmente não nos oferece absolutamente nada, apenas resquícios de um divertimento descerebrado que pode até trazer algumas risadas, mas que, no fim, nos faz sair da sala do cinema sem algo que nos mexa por dentro. Que melhor definição do que filme sessão da tarde para definir algo assim? Uma produção que, sim, ganhará seus dólares de bilheteria, mas que será facilmente esquecido, eclipsado por outras animações realizadas com muito mais esmero e criatividade.

Mesmo se tratando da técnica de animação utilizada não podemos tecer grandes elogios. O filme não foge do lugar comum, é pautado, evidentemente no design de Meu Malvado Favorito, mas não oferece grandes ousadias a ponto de diferenciar esse de seus predecessores. A situação ainda é complicada pelo desnecessário 3D, mas aqui somente estaria repetindo minhas reclamações sobre quase a totalidade das obras lançadas nesse formato. Aproveito, porém, para abrir um adendo à parte: para quem usa óculos, o desenho é praticamente “inassistível” com os novos óculos 3D da rede Kinoplex, que simplesmente impossibilita qualquer esperança de vermos uma imagem em foco.

Dito isso, Minions é um típico filme para se ver em casa, quando estiver passando na televisão. Traz um divertimento superficial, mas nada mais além disso. Seu roteiro, ainda que bem redondo e coeso, não traz nada de novo e nos cansa logo na primeira meia-hora. Claramente as criaturinhas deveriam ter permanecido no seu longa de origem, sendo apresentados em doses homeopáticas que, aí sim, conseguiriam nos trazer boas risadas.

Publicado originalmente em 24/06/2015

Minions  — EUA, 2015
Direção:
 Kyle Balda, Pierre Coffin
Roteiro: Brian Lynch
Elenco: Pierre Coffin, Sandra Bullock, Jon Hamm, Michael Keaton, Allison Janney, Steve Coogan, Jennifer Saunders, Geoffrey Rush, Steve Carell, Pierre Coffin
Duração: 91 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.