Crítica | Misfits – 2ª Temporada

estrelas 4,5De uma forma geral, a Segunda Temporada de Misfits guarda enormes semelhanças com o modelo narrativo e dramático adotado no ano anterior, e podemos até fazer uma pequena linha de eventos que se repetem em ambas as temporadas. Primeiro, o serviço comunitário e um impasse vindo com o orientador da reabilitação. Depois, uma aventura aparentemente desconexa, mas que é a porta de entrada para a reta final da temporada (com a diferença de que neste ano foi bem melhor desenvolvida) e por fim, a presença de um indivíduo com um poder que ameaça não só o grupo protagonista, mas pode trazer consequências desastrosas para toda a humanidade.

Como uma exceção à temporada anterior, tivemos aqui dois vilões com poderes: o cara que manipulava leite e produtos lácteos – nunca imaginei que um poder tão chinfrim pudesse ser tão ameaçador – e Jesus, um aproveitador endinheirado que comprava poderes e que conseguiu bastante coisa antes de sua morte bastante irônica, no Natal, justamente no dia que o filho de Marnie nasce, outra grande ironia, com direito a uma manjedoura como berço e tudo mais.

A começar pelo cliffhanger deixado no primeiro ano, tivemos um início explosivo e bastante promissor de temporada. Primeiro, o resgate de Nathan do cemitério, descoberto de uma maneira não muito intricada, mas ainda assim, válida. E depois, momentos inseridos ao longo dos episódios que desenvolveram a personalidade de cada um dos heróis. Algo um pouco parecido pôde ser observado antes, mas neste ano tivemos uma atenção maior para cada poder e cada desajustado, o que fez com que o grupo se unisse ainda mais e a temporada terminasse com uma espécie de reunião entre eles, recuperando os poderes que haviam vendido.

Creio que o grande destaque aqui foi a personagem de Iwan Rheon (Simon), que é visto em duplicata, em uma versão badass do futuro salvando a pele dos amigos e impedindo que morram antes da hora. Infelizmente, esse esforço se perde na linha dos roteiros escritos para a temporada porque não temos muitas explicações sobre a manipulação do tempo, dando a impressão de que todo o esforço foi para a realização de algo isolado (e até forçado, de certo modo), sem nenhuma ligação realmente importante com o futuro. Isso, porém, é a visão de um espectador da segunda temporada. É possível que na próxima tenhamos uma maior amplitude das timelines e o aprofundamento em toda a quela coisa no galpão de Simon e toda a mudança que ele cita quando aparece para Alisha (Antonia Thomas), mas por enquanto, a questão ainda é bastante superficial.

Com um maior controle de seus poderes, os misfits viveram nichos de ação e acabaram salvos pelo gongo, tanto no caso do cara que manipulava laticínios quando no caso de Jesus. E para complementar essa galeria de blocos dramáticos, tivemos aqui a adição de personagens interessantes, como o irmão de Nathan, o cara que vivia num jogo de videogame e o gorila-man. O problema desses personagens é que eles funcionam realmente bem nesses nichos ou relacionados à psicologia de um ou uma parte dos desajustados, mas é só. Quando se fala em uma série, isso pode ser um ponto negativo, porque ao final das contas fica parecendo um filler bem aproveitado. Mas independente disso, todos eles tiveram uma boa participação isolada, e de uma forma ou de outra, trouxeram novidades para o que já conhecíamos do grupo protagonista, como a capacidade de Nathan em ver e conversar com os mortos, a transferência de poder de uma pessoa para outra e a forma como esses mesmos poderes criaram um vínculo de amizade entre os misfits.

A linha de humor negro permanece, como o fato de o quinteto sempre matar o coordenador de reabilitação deles, as piadas constantes de Nathan e as falas nerds e às vezes estranhas de Simon, isso só para citar os principais pontos. Além disso, tivemos nessa temporada um melhor trabalho com os efeitos especiais, o que permitiu não só a apresentação de poderes bem legais como mortes mais aprimoradas, algo que se tornou um mote da série.

Misfits apresentou, em seu segundo ano, um crescimento fantástico, sem atropelos e com uma deixa intrigante para o ano seguinte. Algumas perguntas foram respondidas e outras bem complicadas surgiram ou ainda pairam no ar, prometendo um eletrizante retorno após a sessão de “venda-me um poder aí”. As coisas realmente caminham para um estado diferente do original, e mal podemos esperar para ver o que acontece a seguir.

Misfits – 2ª Temporada (Reino Unido, 2010)
Criador: Howard Overman
Direção: Tom Green, Owen Harris, Tom Harper
Roteiro: Howard Overman
Elenco: Antonia Thomas, Robert Sheehan, Lauren Socha, Iwan Rheon, Nathan Stewart-Jarrett, Danny Sapani, Alex Reid, Michael Obiora, Craig Parkinson, Ruth Negga
Duração: 50 min. (cada episódio)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.