Crítica | Misfits – 3ª Temporada

estrelas 2,5

Depois de duas boas temporadas, Misfits chega ao seu ano-filler, trazendo, dentre outras cosias, a mudança do excelente elenco principal. Num mini-episódio chamado Vegas, Baby!, temos a explicação para a saída de Nathan do programa: após tentar levar uma bolada em dinheiro num Cassino em Las Vegas, ele é pego trapaceando no jogo e preso por isso. Sem conseguir falar com um de seus amigos, acaba sendo levado para as celas. Fim da linha para ele.

Essa partida já tinha ficado mais ou menos indicada ao fim da 2ª Temporada, de modo que não pareceu nada absurdo ou fora de contexto a troca do ator. Em seu lugar, tivemos a chegada de dois principais personagens: Seth (Matthew McNulty), que já tinha aparecido antes mas que agora ganha destaque; e Rudy (Joseph Gilgun) o descarado substituto de Nathan, com o mesmo tipo de personalidade ‘agressiva’, piadas de mal gosto, insegurança e participação ativa questionável dentro do grupo, uma vez que seu poder é basicamente inútil na maior parte das situações e ele foi concebido realmente para dar alívio cômico (ou de humor negro, se quiserem) à temporada.

Ou é isso ou os roteiros desse 3º ano de Misfits foi um grande pecado cometido contra a mitologia construída nos anos anteriores. Em primeiro lugar, a linha narrativa corrente ficou quase invisível, tendo nuances aqui e ali ao longo dos 8 episódios e encontrando um sentido prático ao final, mas nada foi feito para que esses acontecimentos que constroem progressivamente uma história tomassem corpo e fossem bem desenvolvidos.

O que vemos em abundância é uma espécie de “caso da semana”, muitas vezes situações atípicas, bizarras e vergonhosas como a visita ao passado para matar Hitler e o episódio dos zumbis, este, definitivamente, a pior coisa produzida durante esse ano do show. A grande sorte dos produtores (e do público, claro) é que o elenco de Misfits é sensacional e o time de diretores também realizou um bom trabalho guiando de forma densa cada uma das aventuras individuais. De uma forma ou de outra, era o mínimo que poderiam fazer.

Em termos de ousadia estética pouco se vê na tela, o que é uma grande diferença em relação aos anos anteriores. No caso do episódio dos zumbis, temos o uso estratégico de uma lente com alcance convexo e fotografia de indicação de enfermidade, uma lodosa coloração esverdeada que combinou perfeitamente com a trama. Apesar do roteiro ser estúpido, a produção do episódio é interessante. Um bom destaque nesse sentido também vai para o mini-episódio Erazer, cuja foto promo eu uso como destaque nesse texto. O nível de tensão, a criatividade no uso do poder (lembrou bastante o excelente capítulo do garoto que desenhava histórias em quadrinhos e as fazia acontecer) e a forma como os misfits conseguiram se livrar da situação funcionaram muito bem.

Com casos semanais de ínfima ligação narrativa entre si, maioria de roteiros com parca criatividade e excelentes atuações do elenco principal e de apoio a 3ª Temporada de Misfits se divide entre os maus textos e os bons executores, uma combinação que nos irrita como espectadores mas, pelo bem ou pelo mal, consegue nos prender do começo ao fim e ainda nos fazer esperar pela próxima temporada. Resta-nos a torcida para que a espera valha a pena.

Misfits – 3ª Temporada (Reino Unido, 2011)
Direção: Jonathan van Tulleken, Alex Garcia Lopez, Wayne Yip, William Sinclair
Roteiro: Howard Overman, Jon Brown
Elenco: Joseph Gilgun, Iwan Rheon, Lauren Socha, Nathan Stewart-Jarrett, Antonia Thomas, Craig Parkinson, Matthew McNulty, Kehinde Fadipe
Duração: 45 min. (cada episódio)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.