Crítica | Missão Madrinha de Casamento

estrelas 3

Apesar do título em português ser ridículo, ele acaba sendo, também, uma descrição eficiente do que é o filme. Muito elogiado nos Estados Unidos e seguidas vezes indicado como candidato a melhor filme de 2011 em listas não-oficiais e oficiais também, Missão Madrinha de Casamento é uma obra de narrativa cambaleante. Ele segue a história de Annie Walker (Kristen Wiig) e outras quatro madrinhas de casamento e seus preparativos para, obviamente, um casamento. Um resumo ainda mais objetivo sobre essa comédia seria dizer que ela é, pelo estilo de humor, um Se Beber Não Case ou O Virgem de 40 Anos (aliás, é dos mesmos produtores desse último) com protagonistas femininos, o que é algo pouco usual e, por isso mesmo, bem-vindo.

No entanto, o filme está longe de trazer a comédia para outro nível como muitos defenderam e ainda defendem. Trata-se, na verdade, de apenas mais uma comédia pesada, muito dependente de palavrões e escatologia no lugar de algo de tentar realmente diferente. E não leiam isso como o crítico sendo pudico ou algo semelhante. Muito ao contrário, não há nada errado com o uso desses artifícios clássicos de comédias escrachadas, mas o problema, aqui, é que eles são usados como sustentáculos da trama que, se esmiuçarmos, não oferece substância suficiente para se manter de pé de maneira uniforme e constante. O roteiro, escrito Kristen Wiig, que vive a melhor amiga de Lillian, a noiva (Maya Rudolfph), é de fato um pouco acima da média, mas só isso, sem realmente trazer novidades que não seja a eventual risada por alguma nojeira enorme que acontece.

O conflito começa quando Helen (Rose Byrne), uma nova amiga de Lilian que é mais bonita, mais talentosa e bem mais rica que Annie (Wiig), resolve fazer de tudo para dar à Lillian uma experiência inesquecível até seu casamento, incluindo a escolha dos vestidos, a despedida de solteira e a festa em si. Isso enlouquece Annie completamente, levando-a a fazer as maiores barbaridades para tentar impressionar Helen.

Tudo funciona muito bem até a metade do filme. Até lá, é meio novidade ver mulheres em papéis que normalmente são destinados a homens, com direito até à diarreia no meio da rua. Quando a fita, porém, entra fortemente no drama pessoal de Annie, que antes era feliz, casada e dona de uma confeitaria e agora é infeliz, derrotada e dona de nada a não ser de uma atitude terrível em relação à vida, ele acaba não se sustentando. E não é que o filme não devesse focar na vida de Annie. Afinal, esse é o objetivo do roteiro de Kristen Wiig, egressa do Saturday Night Live, mas a maneira arrastada e, em última análise, sem graça como ela leva a segunda metade da projeção não só retira as risadas de nossos rostos como, também, faz com que o filme saia dos trilhos completamente.

Paul Feig, antes quase que exclusivamente diretor de episódios  de séries de TV (na maioria comédias), até imprime um ritmo de série de TV ao filme mas, depois do tempo regulamentar de 45 minutos, ele acaba se perdendo e não consegue mais atrair o público para seu filme. A comédia vira drama e um drama passado, datado, sem o charme que a primeira parte prometia. Também pudera. No alto de seus 125 minutos, Missão Madrinha de Casamento estica ao extremo a já quase inexistente história, perpetuando cenas que, se mantido o ritmo frenético anterior, até poderiam ter sido engajantes.

Apesar do filme ser uma promessa que acaba não se cumprindo, ele não é completamente descartável justamente por trazer um elenco feminino notável e por tentar um caminho diferente. Talvez, se Feig tivesse sabido o exato momento de parar, a missão poderia ser considerada cumprida. Do jeito que ficou, nada feito, além da diversão efêmera.

Missão Madrinha de Casamento (Bridesmaids, EUA – 2011)
Direção: Paul Feig
Roteiro: Kristen Wiig, Annie Mumolo
Elenco: Kristen Wiig, Maya Rudolph, Rose Byrne, Chris O’Dowd, Melissa McCarthy, Wendi McLendon-Covey, Ellie Kemper, Jill Clayburgh, Matt Lucas, Rebel Wilson
Duração: 125 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.