Crítica | “No Mythologies To Follow” – MØ

estrelas 5,0

A dinamarquesa Karen Marie Ørsted, de nome artístico MØ (pronuncia-se “Mu”), começou a se destacar na cena musical independente no ano passado, com o sucesso repentino de Don’t Wanna Dance, que estourou nas pistas do mundo todo e funcionou como carro-chefe para No Mythologies To Follow, seu álbum de estreia.

Misturando batidas eletrônicas, sintetizadores poderosos, flertes com diversos instrumentos, energia incomparável e uma voz marcante, que casa perfeitamente com temática e sonoridade de suas músicas, MØ cria uma salada musical hipnótica, que mesmo tendo músicas pautadas no mainstream, de alguma forma, não se desprendem da alma indie.

Extremamente criativa, MØ põe a nossa disposição em No Mythologies To Follow doze canções que incorporam a força, os sentimentos e a inventividade da juventude de uma forma que raramente tem se visto no indiepop atual. Uma recente propulsora do estilo, a cantora Lorde, demonstrou menos determinação em seu álbum de estreia, Pure Heroine. MØ chega com mais firmeza e criatividade do que a neozelandesa, além de entregar um trabalho de estreia muito mais competente, no geral, que o de Lorde.

No Mythologies To Follow tem base eletrônica e indie, mas cada canção tem sua própria identidade, o que faz com que tenhamos, no conjunto final, um álbum coeso e ao mesmo tempo diversificado. Desde baladas poderosas como Never Wanna Know e Dust Is Gone às candidatas a hinos pop Walk This Way e XXX 88 (essa com produção e participação do DJ americano Diplo, sempre dando identidade a tudo que toca), MØ apresenta uma inventividade musical incrível e competência indiscutível para o pop, que coloca qualquer artista americana mainstream no chinelo.

Se quando você pensa em pop, faz link imediato com os Estados Unidos e Rihanna, Katy Perry, Britney Spears e etc, está na hora de abrir a cabeça para novas vertentes do estilo e sair um pouco da zona de conforto. O futuro e a verdadeira criatividade do pop parecem estar em outros continentes, como Europa e Ásia. Uma das provas disso foi o arrastão mundial que Lorde causou em 2013, ganhando, inclusive, Grammy de Melhor Canção Pop com a sensação Royals. MØ já ganhou importantes prêmios musicais na Dinamarca e tem colaborado com artistas como Major Lazer e Iggy Azalea, nos EUA. Parece que a própria indústria musical americana reconhece o cansaço criativo de seus produtos pop.

Aumenta! XXX 88
Diminui! 

Minha canção favorita do álbum: Walk This Way

No Mythologies To Follow
País: Dinamarca
Artista:
Lançamento: 7 de março de 2014
Gravadora: Chess Club, RCA Victor
Estilo: Indiepop, Alternativo, Electropop, Indietronica

ANDRÉ DE OLIVEIRA . . . . Estudante de Letras e aspirante a jornalista. Ainda se impressiona com o fato de curtir, na mesma intensidade, do cult ao pop; do clássico ao contemporâneo; do canônico ao best-seller. Usa camisa do Arctic Monkeys — sua banda favorita —, mas nada impede que esteja tocando Nicki Minaj no fone de ouvido. Termina de ler Harry Potter e começa um Dostoévski. Assiste Psicose e depois dá play em Transformers. Não tente entender. @andreoliveeira