Crítica | Mogli: O Menino Lobo (Marvel Fanfare #8 a 11)

estrelas 2,5

Marvel Fanfare foi uma publicação da Marvel (obviamente…) que começou a ser publicada em 1982 e que, em seu primeiro volume, teve 60 edições (e, no segundo, apenas seis). O objetivo era dar espaço para personagens da editora que, à época, não tinham títulos próprios, como Ka-Zar, Doutor Estranho, Viúva Negra e Coisa, ainda que heróis mais mainstream também tenham sido brindados com edições próprias.

No entanto, em meio a nomes tipicamente super-heroísticos, volta e meia a publicação reservava uma parte dela para outras histórias e uma inusitada adaptação de O Livro da Selva, de Rudyard Kipling, acabou ocupando algumas páginas das edições #8 a #11. E, com isso, a Marvel, que hoje em dia faz parte do grupo da Disney e que em 1967 famosamente levou as aventuras de Mogli para as telas grandes em sensacional animação, fez sua própria adaptação de alguns contos do autor britânico de quase um século antes.

Assim como a estrutura de contos soltos de Kipling, cada história é independente da outra. A primeira, intitulada Wolf-Boy, é uma versão em quadrinhos fidelíssima ao primeiro conto de O Livro da Selva, que descreve a origem de Mogli. O trabalho de roteiro e arte é de ninguém menos do que do lendário Gil Kane, com arte-final de P. Craig Russell. O resultado é a manutenção do texto original com apenas algumas pequenas reduções aqui e ali para melhor encaixe nos balões de fala e desenhos fluidos que não tentam antropormizar os animais, que mantém suas características muito realistas e críveis.

No segundo conto, também pela mesma equipe do primeiro e intitulado Mowgli’s Brothers, continua seguindo a narrativa de Kipling em seu primeiro conto, com Mogli já crescido e tomando seu lugar na selva onde vive, apesar das constantes ameaças de Shere Khan, o tigre manco e seu maior inimigo. Kane toma liberdades maiores na adaptação, contando uma história que enfatiza a superioridade de Mogli sobre seus pares, algo que é muito mais discreto na obra original. Nesse mesmo diapasão, a arte interpreta Mogli, que tem apenas 10 anos, com um corpo estranho, de um adolescente e não de uma criança propriamente dita. Ainda que isso não atrapalhe a narrativa, acaba criando uma desconexão maior entre o personagem principal e seus coadjuvantes.

Apesar de encerrar o segundo conto com Mogli dirigindo-se para a vila de homens, o terceiro conto não continua a história e volta ao passado, adaptando o primeiro conto de O Segundo Livro da Selva, também de Kipling, How Fear Came, que, durante uma seca enfrentada por Mogli, Baguera, Balu e os demais animais da selva, aprendemos uma lenda sobre a “origem do medo” e também dos tigres por Hathi, o líder dos elefantes. A história em si é muito boa e a adaptação, dessa vez ao encargo de Mary Jo Duffy, funciona bem, ainda que ela carregue em longos textos, o que acaba pesando na leitura. A arte, também de Gil Kane, continua mostrando um Mogli maior do que deveria ser, mais parecido com Tarzan do que com o Menino Lobo de Kipling, ainda que os animais sejam mantidos de forma realista.

Finalmente, o último conto, Kaa’s Hunting, adapta a obra homônima de Kipling e que é o segundo conto de O Livro da Selva. A história, que lida com o sequestro de Mogli por macacos do bando Bandar-Log e com Baguera e Balu recrutando a ajuda da cobra Kaa para achá-lo, é uma das melhores de Mogli, mas a adaptação, também de Mary Jo Duffy é extremamente apressada, espremida em meras oito páginas que não permitem um passo adequado e que acabam tornando a narrativa confusa e nada fluida. Curiosamente, porém, Gil Kane ameniza os traços de Mogli, tornando-o visualmente mais próximo de sua idade.

No conjunto, a versão em quadrinhos de alguns contos sobre Mogli, apesar de não substituírem os originais, proporcionam uma razoavelmente interessante leitura, ainda que falha. Talvez com mais espaço e com traços menos adultos para o menino, o resultado final tivesse sido melhor e realmente digno de nota.

Mogli: O Menino Lobo (Wolf-Boy/Mowgli’s Brothers/How Fear Came/Kaa’s Huntig, EUA – 1983)
Contendo: histórias contidas em Marvel Fanfare #8 a #11
Roteiro: Gil Kane, Mary Jo Duffy
Arte: Gil Kane
Arte-final: P. Craig Russell
Cores: C. Scheele
Letras:
Editora original: Marvel Comics
Datas originais de publicação: maio a novembro de 1983
Páginas: 44

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.