Crítica | Mônica – Força

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estrelas 4

Depois da primeira revisão da Turma da Mônica no projeto Graphic MSP, em Laços (2013), uma grande expectativa foi criada para os projetos futuros que envolvessem esses icônicos personagens dos quadrinhos brasileiros. Uma outra aventura da turma, nessa mesma linha, veio em 2015, com Lições, e em 2016, chegou Mônica – Força, o primeiro solo de um dos membros do quarteto (e, bem… não poderia ser diferente, afinal, é a Mônica!).

Escrita e desenhada por Bianca Pinheiro (conhecida por sua webcomic Bear, que ganhou edição pela Nemo), Força tem uma premissa instigante. A sinopse diz que, nesta aventura, a baixinha enfezada do Bairro do Limoeiro enfrenta um problema que não pode ser vencido pelo embate físico, mas pela fragilidade, pela entrega sentimental dela a uma determinada situação. A grande pergunta, feita por quem não leu ainda, é: que problema será esse?

O roteiro de Bianca Pinheiro parte de um princípio que encontrará recepção imediata no público, porque não existe quem não tenha vivido uma situação parecida quando criança ou adolescente, seja com as pessoas mostradas nesta one-shot, seja com pessoas em posição correlata. A reação da Mônica é mostrada no texto com bastante delicadeza e verossimilhança, trazendo para as páginas quadros silenciosos, com algumas indicações escritas sobre o “volume do silêncio” e o destaque que isso cede para barulhos simples de uma casa, que incomodam muito mais do que deveriam, quando existem problemas mal resolvidos em jogo.

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Um elo fraco que eu havia apontado em Noite Branca e Fuga, volta a marcar a narrativa de mais este volume das MSP, muito embora Força, no todo, seja consideravelmente uma história melhor amarrada do que as duas últimas citadas. Este elo frágil (que tem um outro lado, e falarei dele a seguir) é a limitação do espaço em um número fixo de páginas que força o autor a cortar motivações, não abrir portas necessárias ou não colocar mais cenas de apoio para ajudar a contextualizar melhor esse ou aquele momento da protagonista. Claro que existem tramas que passam muito bem sem esse “a mais”, como vimos nas já apontadas Laços e Lições, ou em Ingá, Vida e Muralha

…Ocorre, porém, que cada história tem um tom específico e cada personagem, através de seu autor, vai se expressar de uma determinada maneira, o que nos traz o problema novamente à tona: não deveria haver uma maior soltura para alguns tipos de drama, especialmente os que usam o silêncio como um grande mote de seu enredo? Como há aqui uma mistura de diálogo, onomatopeias, símbolos ou apenas imagens (que saudades de Pavor Espaciar!), ficamos, ao final, com a sensação de que algo faltou no meio (ou no final?) da narrativa, muito embora não saibamos o quê.

O bom é que a delicadeza do tema (leitores emotivos vão lacrimejar, com certeza!) conquista o público assim que percebe o que de fato está acontecendo e é aí que reside a grandeza de Força. Todavia, mais para o final, parece que há uma rapidez demasiada na resolução do caso, fator que se mostra muito fortemente porque houve uma (necessária) calmaria na aplicação da passagem do tempo, reafirmação do conflito pessoal e ações da Mônica sobre ele, utilizando de um outro tipo de investida, para vencer um outro tipo de inimigo.

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Esse controle de passagem do tempo também é observado através da arte, com uma paleta de cores um pouco mais reduzida que o normal para os padrões da Graphic MSP, mas muito bem escolhida para combinar com o tema mais sério do volume. Destaca-se também a sutiliza com que a artista utiliza o figurino da Mônica, sua movimentação pela casa e uma diagramação no padrão perfeito para a história, trazendo algo como uma “prisão” ou um tipo “opressão” que aos poucos se dissipa. Compare, por exemplo, os quadros iniciais e finais (assim como a ordenação deles, o sombreamento e as cores dominantes) com os quadros do meio da revista.

Há bastante coerência nos dilemas enfrentados pela Mônica nessa história com os aprendizados anteriores da personagem em Laços e Lições. É muito interessante ver esse universo se construindo aos poucos (pena que de forma tão lenta e não tão livre quanto deveria ser) e ideias mais sombrias aparecendo e sendo bem representadas, mesmo que com algumas ausências. Força cumpre, na temática, aquilo que promete, mas não tem todo o impacto que os grandes lançamentos anteriores desse Universo da Turma nos trouxe. Independente disso, é uma história que todo fã da gorduchinha mais forte dos quadrinhos brasileiros deve ler. Uma história que com certeza vai fazer muita gente se identificar e se emocionar.

Mônica – Força (Brasil, 2016)
Panini Books e Mauricio de Souza Editora
Roteiro: Bianca Pinheiro
Arte: Bianca Pinheiro
82 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.