Crítica | Monster Trucks

estrelas 0,5

Chris Wedge não teve uma carreira exatamente promissora nos cinemas, desde seu primeiro longa-metragem, A Era do Gelo, ele basicamente trabalhara emprestando sua voz ao esquilo pré-histórico Scrat, com apenas dois longas desde então, RobôsReino Escondido, também animações. Monster Trucks chega, portanto, como mais um projeto do diretor, que, dessa vez, abraça o live-action, ainda que elementos animados ainda contem com um espaço de destaque no filme. Assim como em suas duas obras anteriores, infelizmente, Wedge não consegue mais que divertir o público infantil, nos entregando um filme que nos cansa já em seus minutos iniciais.

A história tem início em um terreno sendo perfurado por uma empresa. Suas operações estão momentaneamente paradas devido ao fato de terem encontrado um manancial quilômetros abaixo da superfície. Ao continuarem a operação, eles acabam liberando uma criatura que vivia ali e logo ela escapa do local. Eis que Tripp (Lucas Till), um estudante tentando consertar seu caminhão, acaba se deparando com o ser, que, não muito depois, passa a viver dentro do seu veículo, sendo capaz de o controlar. Pouco esperava Tripp que esse animal desconhecido está sendo caçado por figuras misteriosas o que, obviamente, levaria o garoto a proteger esse animal tentacular o máximo que pode.

Monster Trucks já começa a demonstrar seus problemas desde cedo, através de seu primeiro ato exageradamente demorado. Vemos a mesma velha história do menino encontrando o monstro ou ser fantástico, o temendo de início, apenas para se tornar seu amigo depois. Tudo soa como uma história repetida, um mutirão de clichés que são ainda piorados pela tenebrosa atuação de Lucas Till, que não oferece mais que a mesma expressão durante todo o longa-metragem. Até mesmo a criatura feita em computação gráfica consegue ser mais expressiva que o menino e o comportamento desse ser é um dos poucos pontos positivos da obra.

Para piorar, absolutamente nenhum personagem conta com um mínimo de profundidade – o protagonista se limita a um menino querendo consertar seu caminhão e sua amiga, Meredith (Jane Levy) é apenas a garota que é apaixonada por ele. Temos aqui um filme vazio, uma tentativa de realizar algo claramente influenciado por E.T. ou Como Treinar o Seu Dragão (inclusive, a criatura tentacular nos lembra de Banguela), mas que não conta com nem metade da alma desses dois filmes. Toda a trama gira em torno da relação entre Tripp e o monstro, que, ironicamente, soa como se estivesse simplesmente sendo utilizado pelo menino, como um homem usa um cavalo para se locomover.

Isso tudo acaba gerando uma visível falta de empatia entre o espectador e os personagens da obra, a partir daí, qualquer sensação de urgência das cenas de ação da obra é completamente anulada, visto que, de fato, não nos importamos com nenhum dos personagens que vemos em tela. Não demora muito para que o longa-metragem se transforme em uma verdadeira tortura, na qual nosso maior passatempo é tentar descobrir o aspecto negativo mais gritante do filme, afinal, somente assim para querermos continuar até o fim da projeção.

No fim, Chris Wedge não conseguiu salvar sua carreira no cinema, nos entregando uma verdadeira tragédia que sequer é capaz de nos entreter. É possível que crianças de até sete anos possam tirar certo proveito da obra, mas verdadeiramente sinto enorme pena dos pais que terão de sentar ao lado deles durante essa experiência. Monster Trucks não é somente um filme que não acrescenta nada, é algo que nos leva aos limites do tédio, nos fazendo querer, com todas as forças, pegar de volta os cento e cinco minutos perdidos durante a sessão.

Monster Trucks — EUA/ Canadá, 2016
Direção:
 Chris Wedge
Roteiro: Derek Connolly
Elenco: Lucas Till, Jane Levy, Thomas Lennon, Barry Pepper, Rob Lowe,  Danny Glover
Duração: 105 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.