Crítica | Monstro do Pântano: Os Mortos Não Dormem (2016)

estrelas 1,5

  • Esta série do Monstro do Pântano — Monstro do Pântano Vol.6. –, teve 6 edições e fez parte da iniciativa DC You (DC & Você aqui no Brasil), publicada originalmente nos EUA entre janeiro e junho de 2016.

A primeira coisa que o leitor quer gritar aos quatro ventos do mundo, assim que acaba a leitura desta curta série do Monstro do Pântano é: QUE. ARTE. HORRÍVEL! E, depois de repetir isso como um mantra por algum tempo, emendar com a seguinte constatação: QUE. ROTEIRO. PATÉTICO! E claro, tudo isso com fortes dores na alma porque estamos falando de um personagem interessante, que já rendeu excelentes histórias, mesmo em sua fase imediatamente anterior ao projeto DC & Você: o Monstro do Pântano.

Escrita pelo próprio criador do Pantanoso, Len Wein, e pessimamente ilustrada por Kelley Jones, as seis edições desta aventura tentam trazer novos leitores para o universo do Musguento, o que talvez explique a trama megalomaníaca, com participações especiais em demasia (quase todas desnecessárias) e uma história de “troca de corpo” que simplesmente torna o personagem um bicho patético com o qual ninguém se importa, assim como a grande ameça representada pelo vilão da história. Se o negócio da pequena fase DC & Você era mesmo elencar “novas histórias para novos leitores“, aqui, houve uma falha feia e rude, que ao invés de cumprir o seu objetivo, espantou todo mundo.

Um carnaval mal ilustrado de participações especiais.

Um carnaval mal ilustrado de participações especiais.

Por um lado, tudo nessa saga obedece a uma linha muda de apresentações. O leitor realmente tem amostras didáticas de quem é Alec Holland; qual é o poder do Monstro do Pântano; até onde ele pode chegar e que coisas pode fazer; quem são as pessoas importantes para ele e que outros personagens fazem parte de seu Universo. Olhando apenas para esse caráter de “mostrar o mundo”, as edições até que funcionam um pouco, porque de fato descobrimos todas essas coisas, até um pouco mais. Ao longo das revistas fala-se até do Parlamento das Árvores e faz-se dezenas de referências à fase de Alan Moore à frente do Pantanoso. Mas a coisa precisava ser desse jeito? Ir por estes caminhos?

O primeiro erro de Wein aparece na concepção para a história. Optando por mostrar o terror através do misticismo, o autor já abria as portas para um drama que desfilaria personagens como Vingador Fantasma, Sombra, Desafiador, Zatanna, Espectro e Etrigan, todos tentando impedir uma ameaça que não nos prende e que é finalizada com um tipo de gancho mal formulado, afinal, sendo uma apresentação de personagens e Universo, afastar Abby não parece ter sido algo muito inteligente, não é mesmo? Talvez com uma história menos épica, centrada apenas no pântano e com o Monstro ao lado de Abby, o resultado fosse outro.

Mas nem tudo é ruim o tempo todo. No início, ou pelo menos até a segunda aparição do Vingador Fantasma, o roteiro de Wein constrói a trama com tantos enigmas que nos deixa curiosos para descobrir o que está acontecendo “nos bastidores”. O leitor começa comprando a ideia. Depois disso, pouco sobra para comprar.

O que realmente desaponta ao longo das edições é a arte de Kelley Jones, desproporcional, descuidada, esteticamente injustificável para esse tipo de história e com uma finalização tão grosseira e sem imaginação que nos faz perguntar o que foi que deu em Wein (ou na editora Rebecca Taylor) para deixar isso acontecer. Só de observar as capas da saga é impossível não rir do porte dado ao Monstro do Pântano (maromba e completamente deformado, o que seria até uma boa ideia se fosse bem desenhado) e de como todo o restante da saga é mal desenhado. Ao chegar em Zatanna, não sabemos se estamos vendo desenhos de uma mulher saída diretamente do acidente de Chernobyl ou de uma poderosa feiticeira do Universo DC.

Momento para revirar os olhos...

Momento para revirar os olhos…

Com a intenção de aproximar os novos leitores e reapresentar o Universo do Monstro do Pântano, Wein assinou um grande fracasso para seu interessantíssimo personagem. Como dito antes, o texto tem um bom princípio, mas se desvia completamente do meio para o final da epopeia maluca. Já a arte de Kelley Jones até que pode ter algumas ideias ou propostas interessantes, mas não dá para digerir de jeito nenhum. Ela não configura um único bloco da história sem alguma bizarrice representada nos quadros. No final, nos perguntamos qual foi a real finalidade de tudo isso e chegamos à conclusão de que o Monstro do Pântano merecia algo bem melhor.

Monstro do Pântano – Volume Seis (Swamp Thing Vol.6) – EUA, janeiro a junho de 2016
Roteiro: Len Wein
Arte: Kelley Jones
Cores: Michelle Madsen
Letras: Rob Leigh
Capas: Kelley Jones, Chris Sotomayor
24 páginas (cada edição)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.