Crítica | Monstro do Pântano: Gênese Sinistra (Raízes I)

estrelas 4,5

No final de semana seguinte fui a uma festa pré-final de ano na casa de meu parceiro de longa data, Marv Wolfman. Mais tarde naquele dia, por razões que infelizmente não me lembro, eu estava escorado no meu carro no gelado ar da tardinha com Bernie Wrightson olhando a neve cair e proseando. Bernie tinha terminado há pouco com sua namorada e estava meio deprimido. Falei que sabia como ele se sentia. E aí tive a chance de mencionar que estava trabalhando numa história que combinava com o nosso humor. Sugeri que ele podia se interessar em ilustrá-la como um jeito de exorcizar seus demônios, e ele prontamente concordou. Nascia assim o Monstro do Pântano.

Len Wein, 1991

O encadernado da Panini chamado Clássicos DC / Monstro do Pântano – Raízes . Vol.1 contém as seguintes publicações originais: Monstro do Pântano #0 (The House of Secrets, jun/jul, 1971); e as edições de #1 a 6 da Swamp Thing Vol. 1, publicada entre o final de 1972 e o final de 1973.

Esse volume foi chamado de Raízes, porque conta o início da história do personagem, trazendo suas duas origens (a da edição #0, que teve um valor sentimental para Wein e Wrightson, e a sem o valor sentimental, quando os artistas aceitaram o lançamento de uma revista própria para o Monstro). Abaixo, seguem breves comentários sobre essas 6 primeiras edições.

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#1 – Gênese Sinistra

 

Edição que reapresenta a origem do Pantanoso. Aqui, ainda temos a indicação da fórmula biorrestauradora, o belo relacionamento do casal Alec e Linda Holland e a apresentação do Conclave, uma organização que pelo menos durante todo esse volume se mantém uma incógnita para o leitor. A origem mais técnica e menos sentimental narrada nessa edição tem mais a cara de uma aventura que pretendia ter vida longa (diferente da edição #0, o conto original que nasceu sem pretensão de ser uma publicação bimestral/mensal). Vários elementos externos são abertos na história, o que de cara permite que o roteiro se bifurque em intrigas e vá resolvendo isso ao longo das outras edições.

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#2 – O Homem que Queria a Eternidade

Aparece pela primeira o mago/necromante Anton Arcane, além de suas criaturas sintéticas, os não-homens. Nesta aeição temos uma pegada de horror clássico e de “Filmes B”, com direito a personagens e situações bem cinematográficas dentro desse gênero, ilustrada com primazia por Bernie Wrightson e lembrando-nos muito o que conhecemos de histórias sobre o Drácula. O sentimento do Pantanoso é mais uma vez colocado em destaque por Wein, algo que seria o mote não apenas dessa, mas também das aventuras posteriores.

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#3 – O Homem Remendado

A história começa a ficar mais intricada. O “homem remendado” é, na verdade, Gregori Arcane, irmão do mago/necromante e pai da bela Abigail Arcane. Aqui temos Matthew “Matt” Cable voando para os Bálcãs em busca do Pantanoso. Tenho a impressão que a forte amizade entre ele e os Holland foi criada após a primeira edição, porque no início não senti a tríade como sendo melhores amigos, nem mesmo diálogos expressivos entre eles havia naquela ocasião. De qualquer forma, Matt ainda não sabe que a pessoa a quem ele quer capturar é, na verdade, seu melhor amigo transformado…

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#4 – Monstro na Charneca

Mais uma vez lembramos um filme de terror, daqueles bem no estilo Jacques Tourneur. Matt e Abigail rumam em direção aos EUA num avião quadrimotor, mas caem na Escócia. É como se uma espécie de maldição os seguisse, porque eles são acolhidos pelos pais de um lobisomem que querem “destransformar” o filho. O Pantanoso, que pegou carona no avião (forçada de barra absurda, mas confesso que é bem divertida), está lá para ajudar. Essa é praticamente uma “edição de passagem”, ou seja, existiu para que a ida de um lugar a outro no amplo cenário que se tem para explorar não parecesse tão abrupta, o que foi um acerto de Len Wein, mas acabou apresentando uma história um pouco “menor” do que as suas edições anteriores.

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#5 – A Última das Bruxas Ravenwind!

Provavelmente meu top 3 de edições favoritas desse volume. O Monstro do Pântano, após o perrengue com o lobisomem da família MacCobb, segue seu caminho, estranhamente diverso do que Matt e Abigail tomaram (estranhamente porque ele seguira o casal até ali e, do nada, deixou essa “perseguição” de lado). Em dado momento, o Monstro é descoberto em um navio e acaba se jogando na água. Sua chegada se dá na cidade de Divinity, no Estado do Maine, onde um verdadeira “caça às bruxas” está acontecendo. Tudo nessa edição é bacana, e tem uma ótima crítica social e exposição do papel da mulher numa cidade retrógrada e religiosa.

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#6 – A Mecânica do Terror

A história narrada nessa aventura é interessante, mas como está bastante desligada da sequência anterior, em sentido de continuidade, fica difícil se apegar tanto a ela. Apenas o início e o final, com a chegada do representante do Conclave (sim, o mesmo lá da primeira edição) temos uma conexão com a saga que acompanhávamos até o momento. Mas a maravilhosa arte de Bernie Wrightson supera qualquer coisa, e é impossível desprezar completamente essa história, ainda mais porque leva o Pantanoso para… Gotham City!

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Com um roteiro bastante ligado ao ambiente do terror, Len Wein consegue contar uma saga macabra cheia de detalhes e intrigas das mais impossíveis. O autor não se furta em apresentar situações improváveis, o que dá maior sustentação à própria existência do Monstro do Pântano.

Ainda não temos a ligação praticamente mística do Pantanoso com a natureza. Seus inimigos são homens ambiciosos, cientistas loucos, magos e outras criaturas ou fanáticos. A cada edição, percebemos que ele não vai ser deixado em paz nem tão cedo.

Nestas e primeiras edições, as personagens foram bem delineadas e suas motivações, por mais neuróticas e um tantinho forçadas que sejam (refiro-me à postura de Matt Cable), são apresentadas com eficiência pelo autor.

As coisas parecem convergir para os membros do Conclave. A organização está por trás de toda a história dos Holland, desde que se mudaram para um laboratório secreto no meio de uma região pantanosa em Louisiana.

A intriga parece que está apenas começando…

Clássicos DC / Monstro do Pântano – Raízes . Vol.1 – EUA, 2012
Lançamento no Brasil: Abril, 2013
Editora: DC Comics (nos EUA) e Panini Comics (no Brasil)
Coletânea das edições: Monstro do Pântano #0 (publicado na House of Secrets em 1971) e as edições #1 a 6 da Monstro do Pântano Vol.1 (1972 – 1973).
Roteiro: Len Wein
Arte: Bernie Wrightson
164 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.