Crítica | Mortal Kombat X

Mortal Kombat X

Depois de voltar com tudo em 2011, Mortal Kombat chega à nova geração com seu décimo jogo conseguindo equilibrar o acesso aos novos jogadores com as mecânicas tradicionais que fizeram da franquia uma das mais queridas da história dos videogames. O gosto particular de cada fã, sobretudo neste jogo, é que o colocará como melhor ou pior do que seu antecessor, mas a qualidade de Mortal Kombat X é inegável.

Toda a sanguinolência característica da série continua aqui. Cenários maravilhosos, brutalities e fatalities para todos os gostos, sangue jorrando na tela e comicidade dos personagens vêm a rodo para nenhum fã de longa data botar defeito. Ao acertarem a mão no último game, era difícil errar nesses quesitos em um novo jogo. Aqui, com melhores gráficos, os visuais chamam ainda mais atenção, apesar de não simularem os tradicionais e nostálgicos estágios que vimos em seu antecessor.

fatality

Novidade, talvez seja a palavra de ordem desse game. Ao unir a essência da série com alguns quesitos novos, a NetherRealm acertou em cheio e expandiu o universo rico de MK. Com novos personagens cativantes e de real importância como Cassey Cage e Jacqui Briggs, filhos de personagens tradicionalíssimos, MKX dá continuidade à história complexa e também traz de volta outras figuras conhecidas, como o poderoso Shinnok e Tanya, ambos de MK 4. O problema é que, ao mesmo tempo em que se propõe a levar o enredo para outros lugares com um story mode frenético, o jogo perde personagens cativantes dos três primeiros games originais. Cyrax, Sektor, Noob Saibot, Nightwolf entre outros não figuram entre os personagens jogáveis.

Compensa-se tal falta com uma das melhores adições ao game: cada personagem possui três espécies de estilo de jogo, que dão uma ótima gama de variação de golpes e deixam ao jogador optarpelo que mais o agrada. O design remodelado dos lutadores clássicos também sopra um ar fresco à série. Com ainda maior fluidez do que o game anterior, X possui todas as mecânicas tradicionais da série e também facilita a aprendizagem de novos golpes com um menu que abre a relação de comandos para ambos os jogadores. Outra novidade é a própria interação com os lindos cenários, à exemplo do bom Injustice: Gods Among Us, dando um pouco mais de dinâmica nas próprias lutas.

cassiecage

Os extras continuam sendo cativantes, principalmente a Kripta, que dá artes e uniformes adicionais, e a Torre de desafio, modo de game off-line favorito de muitos. Há ainda o Teste seu poder, da mesma maneira de MK9, e Torres Vivas, que traz um bem-vindo elemento online ao game.

A dublagem, tão polêmica por aqui, está realmente longe de ser das melhores. O ponto importante é que ela faz refletir sobre a real necessidade de dublar todos os jogos, principalmente os games que não focam tanto no story mode. Por mais que a história seja importante em MKX, as falas são mais provocações e o principal são as lutas, evidentemente. Qualquer narração em inglês poderia ser simplesmente legendada. As cutscenes perdem muito com dublagens e é raro encontrar um game que não perca qualidade quando vozes brasileiras aparecem – até o aclamado The Last Of Us, que tem ótimo trabalho nesse quesito, não se compara com os artistas originais. Já Pitty cumpriu com o seu papel: chamar atenção e causar um pouco de polêmica ao lançamento do jogo – mesmo que por um mau motivo. Percebe-se claramente a falta de direção decente e os erros na entonação da cantora, mas a dublagem do jogo por completo também não é sensacional.

Mortal Kombat X inova pouco, o que não é demérito algum. E no que inova, acerta, mesmo em detalhes. É mais do mesmo e não há dúvidas que se trata de um ótimo jogo de luta. Escorrega um pouco em sua história cheia de nuances que parece dar um passo a mais do que o próprio gênero permite, como já ocorreu em outros games de MK. Quick-Time events nesse modo de jogo também não ajudam muito, mas são quesitos de pouca importância dada a diversão que Scorpion, Sub-Zero e companhia continuam proporcionando com uma ótima dose de sangue na tela.

 Ps.: R$250,00 é um preço absurdo para a imensa maioria de games. MK X não foge à regra.

Mortal Kombat X
Desenvolvedor: NetherRealm Studios
Lançamento: 14 de abril de 2015
Gênero: Luta
Disponível para: PC, PS4, PS3, Xbox 360, Xbox One, iOS, Android

ANTHONIO DELBON . . Ressentido como Vegeta, não suporto a beleza nos outros. Escondo minhas taras em falsas profundidades e não titubeio em dizer um taxativo não aos convites para experimentar os gostos do mundo. O mundo tem gostos demais, livros demais, críticas demais. Escrevo porque preciso – viver, não sobreviver - e viajo fluidamente sem sair do lugar. Na madrugada, nada melhor do que a guitarra de Page ou a voz de Yorke para lembrar da contingência do pó, ainda que nossa tragicômica vida mereça ser mantida, seja por distração ou por vício, como diria Cioran.