Crítica | Doctor Who: Mortalha da Lamentação, de Tommy Donbavand

estrelas 3,5

Equipe: 11º Doutor, Clara
Espaço: Estados Unidos / Planeta Semtis
Tempo: 23/11/1963 — 20/08/1929 — 22/10/1962

A tristeza humana é tratada como um suculento prato para um vilão conhecido como Mortalha, neste livro de Tommy Donbavand, o último dos romances da The New Series Adventures dentro da era do 11º Doutor. A trama é ambientada no dia seguinte ao assassinato do Presidente John F. Kennedy, passando-se majoritariamente nos Estados Unidos e tendo um interessante bloco de ação no gelado Planeta Semtis, além de duas visitas rápidas ao Planeta Venofax. No epílogo do livro, temos um evento ocorrido em 30/09/3006, mas sem a participação do Doutor e em um lugar que sugere ser uma Estação Espacial.

Passando-se entre Cold War e Hide, a trama mostra o Doutor sensível e um pouco atormentado por eventos do passado. Sua regeneração se aproximava e ele sabia disso. Uma promessa havia sido feita, o Silêncio deveria cair, mas ele não sabia quando. Esse sentimento de final de vida é aproveitado por Tommy Donbavand, que faz do nervosismo do Doutor uma das matérias para o humor e o impulso principal para a salvação da espécie humana capitaneada por ele neste livro.

Alternando acontecimentos em lugares diferentes e com um estilo de escrita objetivo, Mortalha da Lamentação não apresenta elegância na construção de situações, mas consegue expor todos os eventos de forma bem atrativa. O autor é rápido ao criar cenários, contextualizar eventos e dar ao leitor o mínimo necessário para que a personalidade desse ou daquele personagem seja montada. Este padrão de escrita torna a obra fácil, agradável e de leitura rápida. A mistura de estilos também é um dos charmes do livro, que faz do absurdo a saída para o grande problema da vez. Fica um pouco difícil imaginar a presença dos palhaços em um cenário desse tipo, mesmo em Doctor Who, mas a forma como a situação nos é exposta faz com que aceitemos sem maiores problemas tal alívio cômico.

O interessante em todo esse aspecto de relações humanas que a Mortalha suscita é a forma como o Doutor manobra o vilão ao final do livro. Temos alguns momentos de tirar o fôlego durante a jornada para se livrar dos tentáculos da “minhoca”, mas é no final que isso se torna sério e alcança o ponto mais alto de todo o volume. O Doutor se força a lembrar (de alguns) dos momentos mais tristes de sua vida para atrair os braços da criatura até o seu cérebro. A passagem é tão simples e ao mesmo tempo tão emotiva, que não tem como não lacrimejar um pouco. Nessa sequência louvável, temos:

Contando com o efeito de emoção e investido na amizade do Doutor com seus parceiros de momento — além de sua sempre interessante relação com Clara –, Donbavand nos guia por um acontecimento tenebroso e ao mesmo tempo muito instigante de se imaginar. Como as imagens literárias dadas são bem vívidas, montamos claramente a compleição da Mortalha e dos locais visitados. Mesmo que aqui e ali a narrativa tropece em termos de valor ou sentido geral para a obra, o interesse do leitor está sempre ativo, exceto, talvez, no epílogo, com a já dita cena sem a presença do Doutor.

A ideia de ciclo dada à ação do vilão e o enredo de medo e a amizade criado ao logo de suas 176 páginas, fazem de Mortalha da Lamentação uma ótima aventura do 11º Doutor, capturando quase que perfeitamente o comportamento desta encarnação do Time Lord e trazendo mais um medonho vilão para a enorme galeria da série. Não se trata de uma obra prima, mas definitivamente temos aqui uma divertida aventura sobre as tristezas e alegrias de uma vida inteira.

Mortalha da Lamentação (Shroud of Sorrow) — Reino Unido, 2013
Autor: Tommy Donbavand
Lançamento no Brasil: Suma de Letras (2015)
Tradução: Cláudia Mello Belhassof
Páginas: 176

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.