Crítica | Mr. Robot – 3X07: eps3.6_fredrick+tanya.chk

plano critico mr robot tanya
SPOILERS! Leia a crítica para as temporadas e episódios anteriores aqui.

A impressão que eu tenho é que nos episódios onde normalmente os espectadores menos atentos ao roteiro e inteiramente viciados em mind blows, ação à toda prova e resoluções um tanto mais didáticas no andamento da história mais reclamam, são os que mais informações e ingredientes para pensar nos trazem. Reparem neste eps3.6_fredrick+tanya.chk, por exemplo. A rigor, trata-se de um “capítulo de limpeza e consequências”, mostrando pontos diferentes da cidade sendo visitados por diferentes personagens da temporada e tendo diferentes destinos em andamento, todos eles inchando as expectativas para o finale sem estragar o momento atual da série com sugestões vazias. Se tirarmos o ponto fraco do episódio, que foi a breve participação de Bobby Cannavale — embora isso não interfira negativamente na raiz do texto em nenhum momento — o que temos é um excelente estudo de consequências sociais e detalhes políticos que nos mostram as verdadeiras cores da tão aclamada Revolução de 9 de maio e de sua continuidade, a malfadada Fase 2.

Estamos diante de uma junção de consequências que envolvem coisas da e Temporadas da série, sempre voltando à fala de Elliot no episódio anterior: “eu não consegui ver a imagem por completo“. É interessante observar como os roteiros nos fizeram acreditar em algumas falsas e, com um golpe de mestre, Sam Esmail e seus colegas roteiristas nos fizeram encarar a realidade dentro de sua versão mais crua e cruel possível. Todos os personagens da série agora estão em colapso nervoso ou prestes a entrar em um e nada indica que as coisas irão arrefecer até o final do serial.

O mais absurdo em todo esse Universo criado por Esmail é que o pensamento colocado por Whiterose é parece abrir as portas para dezenas de possibilidades, mas os pés de Mr. Robot continuam no chão, e não levanto esse ponto como se indicasse que o showrunner esteja com medo de experimentar e arriscar, o que seria loucura. O que quero dizer é o seguinte: independente do que Esmail esteja pensando para o futuro da série e para o final dessa temporada, ele já conseguiu mostrar que dentro da própria realidade, se forem levantados alguns véus, muita sujeira e falta de empatia com outros humanos podem se encontrados. A busca de meios para que um grande empreendimento seja levado a cabo é tudo o que importa aqui. Se há vidas inocentes em jogo, elas são apenas um detalhe inconveniente que precisa ser retirado do caminho para dar lugar à vontade de alguém. Do indecifrável artesão do jogo.

Uma informação importante que tivemos foi que Phillip Price está onde está porque Whiterose o colocou nesse posto. Isso dá uma cor diferente às brigas que eles tiveram antes, mas nos faz pensar, novamente, como acordos de poder funcionam nesse Universo, além de tornar mais ampla a atuação de Whiterose nos muitos blocos série, fazendo com que diversos personagens dependam ou pautem as suas ações a partir de promessas, força ou interferência pessoal do personagem — e notem como a direção de fotografia se responsabiliza por criar um elo de cor, luz e foco em cada plano em que BD Wong aparece, terminando o trabalho já muito bem feito do roteiro na construção dessas relações. Como boa parte dos envolvidos com as tragédias aqui estão cheios de medo, é chegado o momento de debandarem, confessarem e fazerem besteiras isoladas, um comportamento também previsto pelo texto e colocado em um clímax cruel e desesperador nas duas mortes que acontecem no final, servindo de bode expiatório para encobrir rastros. Isto posto, fica a pergunta: para onde Dom lançará seu olhar agora?

O propósito para o futuro ainda é duvidoso. Alguns espectadores já dizem que a teoria de viagem no tempo caiu por terra, outros, que ela virá logo em seguida, mas no ponto em que a série chegou, realmente não importa qual caminho será utilizado para nos levar adiante. É verdade que existe alguma coisa muito estranha em relação à loucura e às promessas de que “tudo vai ficar bem“. Nós já conhecemos muito bem o show e seu criador para sabermos que a presença de diversas frases com este conteúdo, em diferentes episódios e ditas por diferentes personagens, não estariam aqui apenas gratuitamente. Por hora, elas servem de motivação para os enganados (ou previamente confortados?) como Angela e Irving, mas também como um aviso de que o plot deve ultrapassar as barreiras da obviedade. A bem da verdade, isso já está acontecendo desde eps3.0_power-saver-mode.h, mas eu tenho a impressão de que a coisa não vai parar por aí. E vocês?

Mr. Robot – 3X07: eps3.6_fredrick+tanya.chk (EUA, 22 de novembro de 2017)
Direção: Sam Esmail
Roteiro: Adam Penn
Elenco: Rami Malek, Carly Chaikin, Portia Doubleday, Bobby Cannavale, Christian Slater, Michael Cristofer, Martin Wallström, Grace Gummer, BD Wong, Omar Metwally, Azhar Khan, Sunita Mani, Rizwan Manji, Joey Bada$$, Grant Chang, Karl Kenzler, Ben Livingston, Gloria Reuben
Duração: 45 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.