Crítica | Mr. Robot – 3X09: eps3.8_stage3.torrent

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SPOILERS! Leia a crítica para as temporadas e episódios anteriores aqui.

Pela primeira vez neste ano eu sinto um “erro de cálculo” em Mr. Robot. Basicamente este “erro” consiste em uma afirmação estilística (teórica) que é a seguinte: Sam Esmail é quem deveria ter escrito Stage 3 e não Kyle Bradstreet. Esmail vem construindo um Universo cheio de peculiaridades que mesmo um roteirista bom e experiente como Bradstreet não consegue levar adiante com toda a força que este cenário merece. E para um penúltimo episódio de temporada, este foi um movimento arriscado e não muito brilhante. Mesmo assim, esta nona hora da temporada é um baita capítulo de preparação para o final claramente estrondoso e revelador.

A maior diferença no estilo de Bradstreet para Esmail é a erudição no estilo de escrita, cujo trato com as palavras permite o segundo roteirista fazer coisas incríveis com poucas frases, porque ele tem uma grande habilidade em decupar os roteiros para fazerem sentido no nível retórico (os diálogos), imagético (direção de arte e fotografia), sonoro (trilha) e dramatúrgico (todas as nuances das atuações do elenco levadas ao limite). Isso nos trouxe, já no final da jornada, algumas cenas que, embora Esmail tenha dirigido, não me parecem muito com seu estilo — pela maneira pouco orgânica como são inseridas na trama. Aliás, vale dizer que o texto de Bradstreet não é ruim. O problema é que ele pegou um ponto muito delicado do programa, com muitas coisas acontecendo e seu estilo de escrita — menos analítico e mais puxado para a ação ou indicações conspiratórias e um pouco psicológicas — não consegue atender às exigências deste tipo de enredo.

Cenas como o descontrole de Whiterose (já é chover no molhado dizer o quanto BD Wong é incrível, mas a cena parece estranha ao personagem); o bloco de Angela enlouquecida (este eu não achei apenas deslocado, achei ruim mesmo, tanto no texto quanto na direção. Paradoxalmente, porém, a atuação de Portia Doubleday está bem interessante, um de seus melhores momentos dramatúrgicos na série, embora não seja, em enredo, um bom momento); a sequência mais longa do que deveria com Darlene dando uns pegas Dom para conseguir passar a mão na credencial do FBI; e por fim, as cenas com Bobby Cannavale… nenhuma dessas teria o andamento que teve (ou existiriam) se Esmail tivesse ditado as regras finais aqui. Mas mesmo com esses tropeços que, embora não tenham tornado o episódio ruim incomodaram porque vieram em um show praticamente impecável, o que temos é uma preparação intensa para o “fim das contas”, pontuado por traições, revelações e um cliffhanger que vai nos matar de curiosidade durante sete dias.

Eu quase não escrevi a crítica desta semana porque este episódio é claramente a primeira parte de algo maior. Mas achei muito importante chamar a atenção para o fato de termos o definitivo estabelecimento de um contra-ataque com forças opostas em controle do que estão fazendo, o que torna tudo mais interessante; as finais articulações do jogo de poder (agora mais empresarial do que político, embora saibamos que tanto nesta série quanto na realidade as duas coisas andem juntas) e que Elliot mais uma vez brincou conosco com esta história de Fase 3. Não é uma nova fase de um projeto. É um rewind.

Mr. Robot – 3X09: eps3.8_stage3.torrent (EUA, 6 de dezembro de 2017)
Direção: Sam Esmail
Roteiro: Kyle Bradstreet
Elenco: Rami Malek, Carly Chaikin, Portia Doubleday, Michael Cristofer, Martin Wallström, Grace Gummer, BD Wong, Bobby Cannavale, Christian Slater, Bruce Altman, Grant Chang, Michel Gill, Joey Bada$$, Omar Metwally, Clem Cheung
Duração: 47 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.