Crítica | Mulher-Gato: Her Sister’s Keeper

estrelas 5,0

Escrita por Mindy Newell e ilustrada por J. J. Birch, Mulher-Gato: Her Sister’s Keeper marca o primeiro momento em que a principal vilã/heroína/anti-heroína de todo o universo DC protagonizou sua própria história em quadrinhos. Derivada do universo estabelecido por Frank Miller em Batman: Ano Um, a minissérie publicada originalmente em 1989 narra, em quatro partes, quais as intempéries que levaram Selina Kyle a se tornar a Mulher-Gato.

As quatro revistas denominadas Methamorphosis, Downtown Babylon, Gothic Baptism e Consecration organizam a aquele que seria o primeiro desafio de Selina sob a face do gato. No primeiro momento, a história se desenvolve em duas linhas paralelas. De um lado, após ser violentada por seu Stan, seu cafetão, a prostituta Selina Kyle se recupera e decide aprender técnicas de luta corporal para sua auto-defesa. A outra linha, gira em torno da jovem freira Magdalene que passa os dias no convento rezando pela irmã, de quem não tem mais notícia há bastante tempo.

As linhas narrativas se cruzam quando, vestindo a fantasia de gato que Stan havia lhe emprestado para utilizar com um cliente, Selina resolve vingar-se do agenciador, que acaba saindo ferido na luta. Enquanto fugia, com seu rosto parcialmente à mostra, Selina é vista por Magdalene, que, de súbito, reconhece o rosto de sua irmã até então desaparecida.

Realmente convencida de ter visto sua irmã, Magdalene sai em busca de Selina e acaba sendo refém de Stan, que a sequestra, atraindo a Mulher-Gato ao seu covil. Em meio a esse resgate, a minissérie relata a evolução de Selina e a iconização de seu alter ego.

O que se desenrola na história é uma equilibrada sequência que com a profundidade necessária revela lados perspectivas interessantes sobre a protagonista. De um lado temos todas as condições que funcionam muito bem como justificativas a aparição da Mulher-Gato, à mesma medida que a história nos dá acesso ao temperamento de Selina: horas afável, como percebemos em sua relação quase maternal com Holly, a jovem garota de programa que acolheu em sua casa; horas tempestuosa, com a sua vontade de vingança e seu instinto sem controle, que lhe porta simultaneamente de vantagem e desvantagem em sua relação com o Batman.

A arte de J. J. Birch é ainda mais um ponto forte de toda a série. Seus traços conseguem expressar esteticamente a conotação que Newell dá à história. A articulação harmônica entre ilustração e roteiro fazem com que, além de competentíssima, a série passe a ser uma das grandes referências acerca do contexto narrado.

Mulher-Gato: Her Sister’s Keeper (Catwoman: Her Sister’s Keeper – EUA, 1989)
Minissérie em 4 edições
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Roteiro: Mindy Newell.
Arte: J. J. Birch.
Cores: Michael Bair.
Páginas: 24 páginas/revista.

FILIPE MONTEIRO . . . O exército vermelho no War, os indianos em Age of Empires, Lannister de Rochedo Casterly. Entrou em órbita terrestre antes que a Estrela da Morte fosse destruída, passou pela Alameda dos Anjos, pernoitou em Azkaban, ajudou a combater o crime em Gotham e andam dizendo por aí que construiu Woodburry. Em uma realidade alternativa, é graduando em Jornalismo, estuda Narrativas e Cultura Popular, gosta de cerveja e tempera coentro com comida.