Crítica | Mulher-Maravilha (2009)

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estrelas 3

SPOILERS!

A versão animada de 2009 para a Mulher-Maravilha, produzida pela DC Comics junto à Warner, é o tipo de filme que tem um pouquinho de coisas boas para todos os públicos e que com certeza tem a capacidade de encantar facilmente, dada a sua mistura mais ou menos bem organizada de mitologia grega com o mundo contemporâneo, a fim de contar a origem das Amazonas, a vida na Ilha Paraíso e a interação entre Diana e o mundo exterior, ou melhor, entre Diana e Steve Trevor.

Levemente baseado no arco Deuses e Mortais, de George Pérez, a história começa com uma batalha que dará o tom de praticamente toda a fita. Esta é a passagem decisiva das Amazonas para um lugar protegido pelos deuses e o início de sua vida reclusa, cheia de treinamento e com a guarda de Ares, o deus da guerra, contra quem se digladiavam na abertura da animação. Como o roteiro de Gail Simone e Michael Jelenic está mais interessado em mostrar um grande espaço de tempo que vai do aprisionamento de Ares até a sua segunda batalha (e derrota) contra as Amazonas, em uma guerra levada a cabo em Washington D.C., os detalhes sobre o estabelecimento das mulheres na Ilha e, principalmente, a ação dos deuses de maneira mais efetiva em suas vidas, acabam ficando de fora.

O fato é que depois de tantas tentativas de conseguir produzir uma animação da Mulher-Maravilha, a ordem principal da chefia de audiovisual da DC era que a obra tivesse o máximo de ação e destacasse de verdade o caráter guerreiro das Amazonas, além de apresentar discussões sobre o papel do homem e da mulher na sociedade, algumas delas também tiradas da fase de Pérez, porém, misturadas a indicações que já víamos desde a origem da personagem (sua representatividade das ideias femininas e levantamento de questões para o empoderamento feminino), adaptadas ao século XXI.

Depois de dirigir alguns episódios para a série Legião dos Super Heróis (2006) e a animação A Morte do Superman (2007), Lauren Montgomery foi designada para este projeto da Mulher-Maravilha, o primeiro de dois que faria para a DC naquele ano (o outro foi Lanterna Verde: Primeiro Voo). Sua assinatura não tem exatamente uma marca forte nessa animação, algo que a diretora conseguiria imprimir em trabalhos futuros. Todavia, a qualidade de construção do projeto é patente, especialmente nas duas grandes sequências de luta e nas melhores cenas onde se integram de maneira elogiável a animação, direção, desenhos e fotografia, a saber, a batalha inicial e toda a primeira entrada de Ares no Tártaro.

O que depõe contra a obra é algo que não parece ter incomodado a maioria dos espectadores, visto que esta é uma das animações mais queridas da fase inicial das produções da DC. Como apontei no início, isto é perfeitamente compreensível se considerarmos as várias nuances dramáticas do roteiro, da guerra e traição ao amor e críticas sociais, muito embora a interação desses blocos narrativos não seja plenamente orgânica e a montagem até chegue a atrapalhar a apreciação do espectador em determinados momentos, notadamente os sentimentais. Até poderia dizer que isto é culpa do roteiro, mas não penso ser este o caso. Nesse aspecto, o texto conseguiu erguer tais elementos muito bem junto à trama geral. Eles só não ganharam boa interação com as cenas vizinhas.

Lynda Carter (que interpretou a mais famosa Amazona na série iniciada em 1975) foi convidada para dublar a protagonista aqui, mas alegou problemas de agenda. Em seu lugar, Keri Russell assumiu o papel e, apesar de não estragar nada, não faz um trabalho que podemos chamar de memorável. Sua Diana tem pouca energia, mesmo nos momentos mais acalorados das batalhas e não traz nenhuma marca tonal. Não fosse a história cativante em certos pontos, seria uma versão esquecível. Já Virginia Madsen se sai melhor como Hipólita e até Rosario Dawson (Ártemis) e Vicki Lewis (Perséfone) empregam maior esforço na criação de suas personagens, conseguindo um melhor resultado final, mas sem serem necessariamente brilhantes. No elenco masculino, o maior destaque vai para Nathan Fillion como Steve Trevor — escalação perfeita para o personagem, aqui, com uma atitude de “canalha em redenção” –. Já o Ares de Alfred Molina funciona, mas sofre um pouco do mesmo mal que a Diana de Keri Russell, deixando de empolgar e apresentar maiores marcas em sua personalidade, embora ele consiga entregar uma performance melhor que a da colega.

Com algumas discussões bem colocadas sobre as relações de gênero e o estabelecimento de Diana como embaixadora de Themyscira no mundo dos homens, Mulher-Maravilha (2009) é um filme que a despeito de suas inconstâncias, consegue divertir. O longa se beneficiaria com uma montagem mais exigente e um enredo que não apresentasse tantas elipses com cara de furo de roteiro. Ainda assim, o resultado final consegue ser positivo. Uma apresentação interessante (solo) da Mulher-Maravilha no mundo das animações da DC.

Mulher-Maravilha (Wonder Woman) — EUA, 2009
Direção: Lauren Montgomery
Roteiro: Gail Simone, Michael Jelenic (baseado nos personagens de William Moulton Marston,  William Messner-Loebs, Harry G. Peter e Mike Deodato Jr.).
Elenco (vozes): Keri Russell, Nathan Fillion, Alfred Molina, Rosario Dawson, Marg Helgenberger, Oliver Platt, Virginia Madsen, Skye Arens, John DiMaggio, Julianne Grossman, Vicki Lewis, David McCallum, Jason Miller, Rick Overton, Andrea Romano
Duração: 74 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.