Crítica | Mulher-Maravilha: O Chamado do Destino / Invasão!

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estrelas 4,5

Depois de uma pequena relaxada nos textos do arco A Bela e as Feras, George Pérez conseguiu mais uma excelente sequência de edições à frente do volume dois da Mulher-Maravilha, no arco O Chamado do Destino, que se completa com o primeiro Anual da série e tem como sequência duas edições escritas (mas não ilustradas) por ele, uma parte da saga Invasão!, grande evento da DC Comics publicado entre 1988 e 1989.

Esta jornada começa com a investigação da morte da publicitária Myndi Mayer, da qual Diana, Júlia e Vanessa ficaram sabendo ainda em Atenas, pelo jornal do aeroporto. É a primeira vez que a Mulher-Maravilha lida com uma questão de morte de alguém bastante próximo dela no mundo dos homens e isso a afeta de maneira intensa, gerando um tipo de crise existencial, fazendo com que a personagem questione as suas ações em relação a Myndi e, por tabela, traga questões sentimentais, familiares e fraternas à tona. Já na primeira parte do arco, George Pérez faz o público pensar sobre diversos tipos de relacionamentos, colocando o amargurado irmão gay de Myndi, a belíssima relação de Júlia e Vanessa com Diana, o carinho com que a Amazona fala de Hipólita e a preocupação dos deuses com algo que deve acontecer em breve, tudo ao mesmo tempo, mas sem que uma coisa atropele a outra.

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Uma das coisas mais estranhas de A Bela e as Feras foi o crossover com a Action Comics #600, onde Darkseid invade o Olimpo, deixa uma grande destruição e revela para o leitor algumas verdades sobre os deuses. Isto e toda a sequência mais solta ligada ao Olimpo que vimos no arco passado ganham ótima resolução do autor aqui, com as consequências do Novo Pacto entre Zeus, Hades e Poseidon e a primeira fase da Migração Cósmica que irá deixar algumas marcas e um deus à deriva, Hermes, que se tornará tema da parte final da trama. Este afastamento das divindades se deu de forma coerente e conseguiu apresentar uma alternativa para as não-intervenções, pelo menos a curto prazo, até que outro Olimpo seja construído. Mesmo com Hermes e alguns outros personagens da mitologia grega (os vilões) deixados para trás, o foco maior nas Amazonas e no mundo dos homens acabou sendo uma ótima resolução de Pérez, até porque destaca mais a Mulher-Maravilha, colocando-a no controle de um número bem maior de situações.

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O excelente modelo de narração já utilizado no arco Desafio dos Deuses, é um dos grandes destaques dessa edição que investiga a morte de Myndi.

Quem também ganha destaque aqui é Vanessa, primeiro pela exposição de seu drama adolescente, de um namorico que não dá muito certo (e Pérez representou esse lado sem diminuir a qualidade da revista e sem fazer com que tal drama estivesse desconectado de todo o resto, apenas para “desenvolver uma personagem” às pressas) e depois, pelo seu retorno triunfante da Ilha Paraíso, onde passa alguns dias, ao lado de Diana e das Amazonas.

O primeiro Anual desta Wonder Woman Vol.2 traz 7 diferentes histórias, seis delas ilustradas por diferentes artistas e escritas por Pérez, que finaliza a arte de Andru na história sobre Ícaro e faz todo o processo artístico de Testamento, a edição final do especial. A listinha de contos do primeiro Anual e seus respectivos artistas, segue abaixo.

  1. Amazons (Brian Bolland, Chris Marrinan, Mark Farmer e Will Blyberg);
  2. The Diving Bird (Art Adams);
  3. Dust (John Bolton);
  4. The First Statue (José Luis García-López);
  5. Into the World Go Forth (Curt Swan, Bob McLeod);
  6. Flight of the Icarus (Ross Andru, George Pérez);
  7. Testament (George Pérez).

A estadia de Vanessa e Júlia na Ilha Paraíso serviu para responder uma série de perguntas dos leitores, nos dar informações sobre o funcionamento da hierarquia e passado da ilha (conhecemos a história de Antíope, a irmã de Hipólita) e uma série de outros detalhes que não se encaixavam bem na série até o momento. Além disso, toda a estadia serve como um alívio da tensão que marcou as aventuras anteriores e que voltariam a assombrar não só a vida de Diana mas também do planeta Terra, no crossover com a saga Invasão!, onde Etta e Steve Rogers também acabam com um papel maior e onde aparece o Rastejante em uma interessante luta com Hermes, tudo marcado pela magnífica arte de Pérez, que não cansa de surpreender a cada novo arco, com suas aplaudíveis resoluções de ângulos, ritmo da diagramação e desenho de personagens e cenários. O lápis do artista também recebe ótima finalização e trabalho de cores, como vocês podem perceber no mosaico abaixo.

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Em meio a tantas mudanças no Olimpo, na Ilha Paraíso (agora aberta a visitas guiadas para pessoas do “lado de cá”) e na terra dos homens, sobrou tempo para brincar com vilões gregos clássicos, como Fobos, o filho de Ares, deus da guerra; a górgona Euríale e o assassino em massa Íxion, que é previamente preso por Hermes e aqui tem ajuda para se soltar e fazer um grande estrago na cidade de Boston. A presença de Hermes na Terra é algo inicialmente estranho, mas depois ganha aparência bem diferente, com uma ótima resistência de Júlia Kapatelis a ele e a adoração dos outros “humanos comuns” como um padrão de impressão emocional e comportamento moral do homem, sempre buscando algo para se espantar, admirar e adorar, como bem já tinha refletido um certo filósofo cósmico. Ele até aparece nas edições #25 e 26, que são referentes à invasão ao planeta e garante um cliffhanger para o desfecho da saga original.

Com um número bem pequeno de rusgas (e a maioria delas acontecendo no crossover com Invasão!, não na sequência de histórias inteiramente ligadas à Mulher-Maravilha), O Chamado do Destino coloca uma pausa elegante na presença direta dos deuses sobre a Ilha Paraíso, revela alguns segredos das Amazonas e desenvolve os personagens que fazem parte do círculo de amizades de Diana neste momento. Até Etta e Steve Trevor, que estão afastados, por missões secretas do Exército, ganham bons momentos aqui. A recuperação de Pérez no leme da revista veio em grande estilo!

Mulher-Maravilha: O Chamado do Destino (Wonder Woman Vol.2 #20 – 24: Destiny Calling + Wonder Woman Annual #1: Amazons + #25 – 26: Invasion!) — EUA, setembro de 1988 a janeiro de 1989
Roteiro: George Pérez (#20 – 24 + Annual #1) / George Pérez, Keith Giffen, J.M. DeMatteis (#25)
Arte: George Pérez / Brian Bolland, Chris Marrinan, Art Adams, John Bolton, José Luis García-López, Curt Swan, Ross Andru (Annual #1) / Chris Marrinan (#25 e 26)
Arte-final: Bob McLeod, Will Blyberg / Mark Farmer, Will Blyberg, Art Adams, John Bolton, José Luis García-López, Bob McLeod, George Pérez (Annual #1) / Will Blyberg (#25 e 26)
Cores: Carl Gafford (#20 – 24 e 26 + Annual #1) / Petra Scotese (#25)
Letras: John Costanza / Todd Klein (Annual #1) / Augustin Mas, Helen Vesik (#26)
Capa: George Pérez
Editoria: Karen Berger, com Art Young no Annual #1 + Edição #26

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.