Crítica | Mulher-Maravilha (Trilha Sonora Original)

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estrelas 2,5

Desde Batman Begins, quando pensamos nas trilhas sonoras de filmes baseados nos quadrinhos da DC Comics, o primeiro nome que vem a nossa mente é o de Hans Zimmer. O compositor fora responsável pelas músicas de toda a trilogia Nolan (ao lado de James Newton Howard), O Homem de AçoBatman vs. Superman (em conjunto com seu pupilo, Junkie XL). Nesse último citado, ele nos entregara o distinguível tema da Mulher-Maravilha, faixa que muito bem definiu o tom de sua aparição no filme. Trocar o famoso músico por Rupert Gregson-Williams, que ficou responsável pela trilha sonora original de Mulher-Maravilha, portanto, foi uma escolha arriscada, especialmente considerando que esse costuma trabalhar com comédias, com poucas exceções, como a série da Netflix, The CrownAté o Último Homem.

De início, Gregson-Williams sabia que não poderia simplesmente ignorar o que fora feito antes dele. Apesar do longa-metragem ser bastante auto-contido, a heroína faz parte de algo maior e já fora apresentada em BvS. Com isso em mente, inúmeras das faixas do álbum trazem variações do tema composto por Zimmer e Junkie XL, como é o caso da música de abertura, Amazons of Themyscira, que sutilmente utiliza trechos da melodia, misturando-os com o ar de paz e prosperidade que tanto define a ilha das amazonas. A intenção claramente era passar a tranquilidade à sequência, com um crescendo que jamais atinge o clímax, representando a gloria do local, mas sem soar explosivo demais.

Infelizmente, esse crescendo que ouvimos aqui também não entrega o esperado mais de uma vez ao longo do álbum e quando estamos falando de uma faixa destinada a uma sequência de ação, isso acaba prejudicando a obra como um todo. Gregon-Williams faz a escolha ousada de compor músicas mais longas que o normal (quando falamos de trilhas, claro), muitas passando de cinco minutos, algumas beirando os nove. Isso funciona em melodias como No Man’s Land, certamente a melhor do álbum, que traz o tema da heroína em toda a sua majestade, mas falha nas faixas menos marcantes, compostas claramente para preencher o som ambiente.

Dito isso, muito da trilha sonora original de Mulher-Maravilha acaba funcionando apenas para isso: garantir o tom necessário de cada sequência, se apoiando completamente na imagem e não se destacando por contra própria. Isso chega a ser um erro? Não, mas a música tem o poder de transformar cenas em momentos inesquecíveis, peguemos, por exemplo, a entrada de Lex Luthor na nave kryptoniana em Batman vs. Superman, ao som de The Red Capes Are Coming, ou Darth Vader olhando pela janela do Star Destroyer em O Império Contra-Ataca, enquanto podemos escutar a Marcha Imperial. O compositor da obra em questão perde a oportunidade de acrescentar muito mais ao filme, nos entregando meramente mais do mesmo, falhando em criar qualquer música realmente memorável.

Marcando o fim do álbum, temos a canção To Be Human, de Sia e Labirinth. Presente, claro, somente para que a obra tenha alguma chance de concorrer ao Oscar de Melhor Canção Original, trata-se de uma faixa completamente deslocada do restante do álbum, a tal ponto que não existe a menor tentativa de fazer tal melodia se encaixar com as outras músicas ou até o filme em si. Não temos o mesmo esmero na composição como Song of the Lonely Mountain, da trilha de O Hobbit: Uma Jornada Inesperada, ou May it Be, de A Sociedade do Anel, músicas criadas com o exato mesmo intuito, mas que captavam a essência dos filmes.

A trilha sonora original de Mulher-Maravilha, portanto, cumpre seu papel, sendo capaz de preencher o espaço sonoro com tons que dialogam com a atmosfera do longa-metragem. Temos aqui, porém, melodias esquecíveis, que jamais se destacam, a não ser quando reconhecemos o tema composto por Zimmer e seu pupilo. Dito isso, fica difícil querer escutar o álbum por completo mais de uma vez, na verdade, é uma provação sequer terminá-lo sem pular alguns trechos, mais do que provando que são composições as quais não se sustentam sem a imagem do filme da amazona.

Mulher-Maravilha (Trilha Sonora Original)
Artista: 
Rupert Gregson-Williams
País: 
Estados Unidos
Lançamento: 
26 de maio de 2017
Gravadora: 
Watertower
Estilo: 
Trilha Sonora

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.