Crítica | Mulher-Maravilha – Vol. 3: Ferro (Novos 52)

estrelas 5,0

Brian Azzarello, durante a aclamada fase da Mulher-Maravilha, a qual encabeçara o roteiro, nos trouxe uma história quase que exclusivamente focada na briga entre os deuses do Olimpo e Diana de Temiscira. Com dois arcos iniciais que são verdadeiras obras de arte, a expectativa era que, eventualmente, houvesse algum deslize. Felizmente isso não é o que acontece em Ferro, terceiro volume da amazona nos Novos 52, que dá continuidade aos eventos de Direito de Nascença, enquanto estabelece uma nova ameaça a ser combatida futuramente.

A trama tem início em um hotel em Londres, com a Mulher-Maravilha abrigando sua amiga Zola e Hera, que recentemente se tornara mortal. Junto de Lennox, Diana precisa encontrar o bebê de Zola com Zeus, o qual, segundo uma profecia, irá destruir o mundo dos deuses e dos homens. Em paralelo, o primogênito de Zeus é redescoberto em uma escavação, após milênios preso sob a terra. Esse, por sua vez, deseja destruir os deuses do Olimpo, tomando o lugar de governante dos céus.

Um dos aspectos mais atraentes do texto de Azzarello é a forma como todo ele gira em torno dessas figuras mitológicas, trazendo pouquíssimos elementos “mortais” para a trama. Mesmo os personagens que não estão ligados aos deuses por sangue possuem conexões com eles, como é o caso de Zola, uma das muitas mulheres engravidadas por Zeus. Dessa forma, o roteirista trabalha uma engajante dinâmica entre a protagonista e todos a seu redor, visto que ela própria descobrira há pouco tempo acerca de sua origem. Além disso, mesmo com o foco permanecendo na procura pelo bebê, o roteiro sabiamente nos lembra, em determinados pontos, dos feitos de Hera, que transformara a família de Diana em argila e que isso se mantém na mente da heroína por todo o tempo.

Mesmo tendo a trama dividida em duas narrativas paralelas, as quais ainda não se conectaram apropriadamente, Azzarello consegue oscilar de forma fluida entre uma e outra, especialmente através do uso dos balões de fala e pensamentos, que abrem o diálogo entre esses focos distintos. O que vemos aqui é um típico arco de preparação. Por mais que nos conte uma história com início, meio e fim, inúmeros ganchos são deixados para os próximos, que certamente lidarão com a ameaça representada pelo Primogênito. Em razão disso, é praticamente impossível ler esse volume sem querer, imediatamente, pular para o próximo, uma prova mais que veemente da qualidade de escrita do autor.

Coroando esse enredo cuidadosamente desenvolvido, temos a arte de Cliff Chiang e Tony Akins, que, como já dito nas críticas dos volumes anteriores, reinventaram todo o visual da personagem e aqueles a seu redor. Um dos pontos mais atrativos da leitura é justamente ver como certo deus será retratado e a dupla, verdadeiramente, não dispensa criatividade aqui, fazendo cada uma das personalidades nos quadros falarem a partir de suas imagens e não apenas do texto.

Com essa arte diferenciada, que se apoia no visual mais cartunesco, não exagerando nos contornos, como se costuma fazer em relação à Mulher-Maravilha (ou qualquer personagem feminina dos quadrinhos, para ser sincero), tudo funciona mais fluidamente, desde os momentos mais parados até os trechos de ação, que são breves, porém enfáticos e o melhor: sem grandes exageros. Há um ar cinematográfico nos quadros de Chiang e Akins, o que faz com que pulemos de página em página sem sentir a leitura pesar, nos imergindo completamente na leitura.

Ferro, portanto, é mais um acerto dessa fase da Mulher-Maravilha, dos Novos 52. Temos aqui uma obra que não cansa de nos surpreender, explorando as origens mitológicas da heroína ao máximo, enquanto que nos mantém curiosos para ler o que virá a seguir. Brian Azzarello demonstra domínio pleno de seu texto, enquanto que Cliff Chiang e Tony Akins dinamizam tal leitura ao máximo, nos fazendo contemplar cada quadro, ao mesmo tempo que queremos virar a página para saber o que vem a seguir. Diana realmente tem a equipe que merece nessa sua fase.

Mulher Maravilha – Vol. 3: Ferro (Wonder Woman – Vol. 3: Iron)
Conteúdo: Mulher-Maravilha #13 a 18
Roteiro: Brian Azzarello
Arte: Cliff Chiang, Tony Akins
Arte-final: Dan Green, Rick Burchett
Cores: Matthew Wilson
Editora: DC Comics
Data de lançamento original: 22 de outubro de 2013
Editora no Brasil: Panini Comics
Páginas: 175

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.