Crítica | Mulher-Maravilha – Vol. 4: Guerra (Novos 52)

estrelas 4

  • Contem spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos outros arcos da Mulher-Maravilha (Novos 52).

O arco anterior de Mulher-Maravilha, dessa fase dos Novos 52, foi uma grande preparação de terreno. Ferro nos apresentou novos personagens-chave e um antagonista que visa destruir os deuses do Olimpo e tomar o trono para si. Acompanhamos sua longa jornada, até ser engolido por Poseidon, enquanto que Diana buscava o bebê de Zola, destinado a destruir o universo. Tudo isso, naturalmente, serviu como o desenvolvimento do que veríamos aqui em Guerra, que funciona como o clímax dessa linha narrativa, ao menos pelo que parece. Com as peças colocadas em seus devidos lugares, presenciamos o esperado conflito.

Depois de resgatar o bebê de Zola, forjando uma inesperada aliança com Ares, a Mulher-Maravilha descobre que seus problemas apenas começaram: Apollo, novo governante dos céus, envia Artemis para assassinar a criança. O que ninguém esperava, contudo, é que o Primogênito de Zeus também procura o bebê, forçando com que todos se unam contra seu impressionante poder. Temos, aqui, um arco marcado por dramáticos sacrifícios, mas que acaba pecando pelo seu ritmo mais acelerado, que resolve alguns pontos rápido demais.

O roteiro de Brian Azzarello cuidadosamente construiu esse esperado conflito. Sabiamos desde cedo que, eventualmente, a Amazona iria de encontro com o Primogênito, o grande problema está na forma como tudo foi encerrado. Azzarello desvia da narrativa principal, nos levando para um local distante, o novo Genesis, apresentando uma nova divindade, que, claro expande a mitologia dessa sua fase da heroína. O problema é que, nesse processo, ele nos distancia da ameaça do principal antagonista, fazendo com que esse interlúdio funcione como uma elipse, deixando muito dessa guerra fora das páginas.

Não que o desfecho do arco seja menos que satisfatório, ainda temos um ótimo encerramento, com um quadro dramático, que muito bem representa a jornada de Diana até aqui. O “funeral” de Ares poderia ter ganhado uma página inteira? Claro que sim, mas é seguro dizer que o personagem foi respeitado, abrindo lugar para novos desdobramentos da saga da Mulher-Maravilha. O grande problema está no fato de que, em um espaço de apenas duas edições, descobrimos Londres destruída, vemos, pela primeira vez, o exército do Primogênito e logo após ele é derrotado. O que realmente salva tudo é o sacrifício do deus da guerra, contudo, ainda somos deixados com aquele gosto amargo de anticlímax.

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Evidente que ainda veremos o Primogênito mais adiante e toda a problemática envolvendo o bebê de Zola não foi resolvida ainda, portanto, ainda há esperança para que essa história se desdobre por caminhos mais recompensadores. É preciso notar, também, que Azzarello sorrateiramente coloca novos jogadores no cenário, como o senhor do Novo Genesis, que provavelmente irá causar mais problemas no futuro. Além disso, Apollo não deve largar o osso tão facilmente. Em outras palavras: ainda há muito a ser trabalhado, mostrando como o autor não tem medo de introduzir diferentes problemas, resolvendo-os, um a um, no tempo devido.

Falar da arte de Cliff Chiang e Tony Akins seria bater na mesma tecla, mas não canso de fazê-lo. O importante a ser observado aqui é como os artistas respeitam a protagonista, não a sexualizando, tratando-a como uma heroína e não mulher com traços avantajados. Isso se encaixa perfeitamente com Diana exigindo ser respeitada por Orion. Naturalmente que todo o trabalho dinâmico da dupla, que sabe construir situações grandiosas, sem exageros, deve ser levado em conta. Em momento algum nos vemos confusos, mesmo com a gigantesca quantidade de personagens em quadro. Além disso, assim como o roteirista, eles prestam o devido respeito a Ares, em um painel verdadeiramente inesquecível.

Guerra pode ser parcialmente anticlimático quando levamos em conta que tudo se resolve muito rapidamente. Ainda assim, é um poderoso exemplar desse drama entre deuses e mortais construído por Brian Azzarello. Temos aqui a imediata continuação e, aparente, conclusão de uma das tramas introduzidas em Ferro. Sabiamente, porém, o roteiro ainda deixa muito em aberto, possibilitando que continuemos curiosos pelo que está por vir. Resta saber se a tal guerra, de fato, acabou aqui ou se essa foi apenas a primeira batalha.

Mulher-Maravilha – Vol. 4: Guerra (Wonder Woman – Vol. 4: War) — EUA, 2014
Conteúdo: Mulher-Maravilha #19 a 23
Roteiro: Brian Azzarello
Arte: Cliff Chiang, Tony Akins
Arte-final: Dan Green, Rick Burchett
Cores: Matthew Wilson
Editora: DC Comics
Data de lançamento original: 18 de março de 2014
Editora no Brasil: Panini Comics
Páginas: 175

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.