Crítica | “Multi-Love” – Unknown Mortal Orchestra

estrelas 4

É interessante notar a evolução de uma banda, principalmente quando se percebe um crescimento imenso dos artistas. A chegada do terceiro álbum da banda americana/neozelandesa Unknown Mortal Orchestra mostra bem isso. Desde 2010, quando Ruban Nielson, a cabeça da banda, despretensiosamente lançou a faixa Ffunny Ffrends no seu perfil do Bandcamp, se passou muita coisa. O que inclui um debut aclamado por alguns, um contrato com a gravadora Jagjaguwar, um segundo álbum bem melhor estruturado e, finalmente, Multi-Love, seu recém-lançado álbum. Muito mais experimentes, a banda agora lança seu melhor e mais sólido trabalho até então.

A excelente produção de Multi-Love confronta diretamente com a produção simples e crua do debut do grupo (e até mesmo do segundo, II). O novo disco é melhor remixado que seus anteriores, bem mais melódico e notoriamente até mais pop. Se trata das mesmas características e mesma essência, só que de um grupo que recebeu tanto elogios quanto críticas e soube aproveitar de ambos para evoluir.

Multi-Love mistura tudo de influências retrô sessentista, psicodélicas e indie atual pra se construir. A faixa homônima que abre o disco já nos passa uma imagem de psicodelia pop multicolorida extrema, se encaixando perfeitamente com a espetacular capa do disco. Mas se essa faixa não traz tanto a característica retrô e lo-fi típica do grupo, sua sucessora, Like Acid Rain, carrega todo esse ar. Coloque os vocais da linha dos The Beatles junto a uma melodia indie atual, além de uma boa dose de lo-fi, e temos essa ótima canção. Essa característica que fez o grupo ganhar uma rede considerável de fãs é mostrada também em outros momentos, como Stage Or Screen.

Mas Multi-Love se trata também de uma expansão das abordagens da Orquestra Mortal Desconhecida. Se percebe um apelo maior pelo eletrônico e até por influências oitentistas, algumas quase flertando com a New Wave. O baixo hipnotizante de The World Is Crowded unido a seu refrão melódico nos leva para diversas épocas ao mesmo tempo que deixa os dois pés cravados nessa década. Quanto ao eletrônico, ele é mostrado em faixas como a deliciosa Can’t Keeping Checking My Phone com sua letra bem atual e seu refrão pop que quase parece ter saído do Discovery do Daft Punk.

São as excelentes e diversificadas letras de Ruban Nielson e sua versatilidade que trazem ao Unknown Mortal Orchestra os elogios que merece. É em canções como a derradeira e fantástica Puzzles – que nos coloca e tira da zona de conforto com a mudança do violão acústico para as guitarras – que podemos talvez ver esse status de “gênio” que alguns o chamam (independente se ele merece mesmo esse título). É no inteligente uso de mesclar o retrô com o atual e mostrar algo novo que a banda acerta. A julgar pelo crescimento nítido no passar dos álbuns do grupo, outras obras tão boas quanto essa ainda estão por vir.

Aumenta!: Puzzles
Diminui!:
Minha preferida: Puzzles

Multi-Love
Artista: Unknown Mortal Orchestra
País: Estados Unidos
Gravadora: Jagjaguwar
Lançamento: 26 de maio de 2015
Estilo: Rock Psicodélico, Lo-Fi, Indie Rock, Indie Pop

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, cantor de chuveiro e tocador de guitarra de ar. Seja através dos versos ácidos de Kendrick Lamar, a atitude de Bruce Springsteen, ou a honestidade de Tim Maia, por seus fones de ouvido ecoam ondas indistinguíveis. Vai do sangue de Tarantino à sutileza de Miyazaki, viajando de uma galáxia muito, muito distante até Nárnia. Desbravador de podcasts e amante de indie games, segue a vida com um senso de humor peculiar e a certeza de que tudo passa - menos os memes.