Crítica | Música na Noite

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estrelas 3

Primeiro sucesso comercial de Ingmar Bergman, seu quarto filme e sua entrada definitiva na Svensk Filmindustri, Música na Noite destacou-se melhor que as outras três películas do diretor, mas não é necessariamente foi melhor dirigido que Um Barco Para a Índia, por exemplo. O ganho principal dessa quarta obra do mestre sueco está no plano técnico, e é impossível não lembrar da cena de abertura, quando Bengt (Birger Malmsten, numa interpretação excepcional) sobrevive a um acidente e se dá conta de que está cego. Os pesadelos e a indicação da perturbação e transformação psicológica do personagem passam pelo fantástico e inusitado, destoando do restante do filme, mas com um resultado primoroso.

O roteiro, que é uma adaptação do romance de Dagmar Edqvist, apesar de se desenvolver de maneira correta, não ultrapassa a linha da normalidade. O filme conta com momentos políticos, trechos literários e personagens socialistas; cenas musicais, com a reprodução de peças de Chopin, Beethoven e Badarzewska Baranowska; e momentos neorrealistas, com destaque para a sequência de Bengt na linha do trem, cena de um tom puramente rosselliniano. Esse desenvolvimento apenas correto da história central, apesar de emocionar bastante, não consegue sustentar as várias pequenas narrativas que se apresentam no meio do caminho, deixando pontas soltas na história. Tudo caminha para o final feliz e isso só não torna o filme medíocre porque o tratamento de Bergman dado às cenas que filma, junto do uso dramático e sugestivo da música, consegue dar uma boa atmosfera ao produto final.

É interessante perceber como em cada filme de sua primeira fase Bergman se tornava cada vez mais exigente, sempre procurando ícones e símbolos humanos para representar. Se em Um Barco Para a Índia ou Chove Sobre Nosso Amor, já tínhamos o uso de elementos do cenário como indicadores de sentimentos ou dramas particulares, em Música na Noite, os objetos cênicos funcionam como uma introdução à atmosfera em voga, usados em grande quantidade até o meio do filme. Um anjo com uma trombeta, um prato com espinhas de peixe, um cômodo vazio, são exemplos de que Bergman já criava a sua cartilha de símbolos.

A fotografia de Göran Strindberg também segue uma tendência neorrealista, deixando mais o cenário falar por si do que tentando pintar com a luz as diversas nuances dramáticas daquele espaço. Diferente dos outros dois filmes que trabalhou com Bergman, em Música na Noite, o fotógrafo opta por um ambiente mais lúgubre, abusando das sombras e névoas, deixando até um ar meio noir em tomadas noturnas e externas, sequências muito bonitas de se ver.

O romance de Música na Noite não termina bem. O filme apresenta um avançado domínio técnico em Bergman, uma tendência ao experimentalismo e o início das convenções do cinema futuro do diretor, mas o seu produto fechado não é tão primoroso quanto o público julgou à época, enchendo as salas de cinema. Embora funcione relativamente bem, penso que o desfecho da história está aquém daquilo que conhecemos como “final bergmaniano”. A confirmação disso vem quando lemos algumas entrevistas do diretor apontando Lorens Marmstedt, o produtor da fita, como o principal “podador” do filme, fazendo o iniciante realizador curvar-se às imposições do Estúdio. Mesmo assim, temos um romance incomum e muito profundo. O plano técnico é de fato o grande destaque do filme, mas não se pode deixar de perceber a rigorosa direção de atores e o cuidado com a composição dos quadros. Sensível e emocionante, Música na Noite é um hino à vida, à superação das dificuldades, e ao amor.

Música na Noite (Musik i Mörker, Suécia, 1948)
Direção: Ingmar Bergman
Roteiro: Ingmar Bergman e Dagmar Edqvist
Elenco: Mai Zetterling, Birger Malmsten, Olof Winnerstrand, Bibi Skoglun, Hilda Borgström, Gunnar Björnstrand, Douglas Hage
Duração: 87min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.