Crítica | Natal Branco

estrelas 3

Natal Branco é um filme bem adequado para aqueles que seguem piamente os festejos natalinos. A obra tem um delicioso sabor de felicidade, exala boas energias e simpatia, faz-nos acreditar, ao menos, momentaneamente, que “o mundo pode ser um lugar melhor para mim e para vocês, bem como para todos nós”.  Dirigido pelo eficiente Michael Curtiz, a obra faz uma miscelânea que engloba drama, comédia, romance e musical, numa ceia cinematográfica farta e agradável.

O filme nos apresenta aos talentosos Bob Wallace (Bing Crosby) e Phil Davis (Danny Kaye), uma dupla que depois da carreira militar durante a segunda guerra mundial, atual na Broadway em produções teatrais atrativas. Certo dia eles descobrem que o antigo chefe, o general Thomas Waverly, dono de um hotel em Vermont, encontra-se prejudicado por conta da ausência de neve no local. A alteração climática afastou os hóspedes e na tentativa de ajuda-lo, ambos decidem montar um espetáculo, tendo em mira atrair mais pessoas para a localidade.

O que eles não esperavam é que ao passo que salvam os negócios do antigo chefe, conseguem também salvar os seus corações, pois a aproximação com a dupla feminina Betty (Rosemary Clooney) e Judy Haynes (Vera Ellen) deixa espaço para o amor que está no ar. Assim, através da música, da dança e do afeto, eles construirão uma elegante história de amor.

Analisado 62 anos após o seu lançamento, Natal Branco revela camadas importantes de registros memorialísticos da indústria cinematográfica. A produção veio na esteira da competição dos estúdios em relação ao acirrado campo da televisão. Era cada vez mais difícil, por isso, qualquer novidade coadunava nas bilheterias que tinham mudado consideravelmente.  O filme marcou a estreia da Paramount no uso do VistaVision, um formato de exibição panorâmico, novidade na época. A técnica, por sinal, se tornou um padrão do estúdio durante bastante tempo.

Inspirado no filme 15 Dias de Prazer, de 1942, dirigido por Mark Sandrich, tendo Fred Astaire e Bing Crosby como protagonistas, Natal Branco possui elementos audiovisuais que merecem destaque. No que diz respeito aos aspectos da linguagem, a produção consegue ser bem conduzida pela direção de Curtiz, eficiente no que tange os cenários da dupla Sam Conner e Grace Gregory, bem como os figurinos de Edith Head e a coreografia (não creditada) de Bob Fosse, estupenda. O trabalho de composição musical orquestrado por Irving Berlin também faz a diferença, numa trama com roteiro singelo, mas com diálogos bem divertidos e inteligentes, assinado pelo trio Norman Panama, Melvin Frank e Norman Krasna.

Ao longo dos seus 120 minutos, Natal Branco é um filme que busca demonstrar um ar de inocência, numa época em que as relações sociais, o cortejo amoroso e o respeito eram questões supostamente mais valorizadas. Como o público adora histórias cheias de redenção, o filme foi uma das bilheterias mais rentáveis de 1954, sendo ainda indicado ao Oscar de Melhor Canção por Count Your Blessings Instead of Sheep.

Natal Branco (White Christmans) – EUA /1954
Direção: Michael Curtiz
Roteiro: Norman Krasna, Norman Panama, Melvin Frank
Elenco: Bing Crosby, Danny Kaye, Rosemary Clooney (Betty Haynes), Vera-Ellen, Dean Jagger, Mary Wickes, John Brascia, Anne Whitfield, Johnny Grant, Percy Helton, Richard Keene, Herb Vigran
Duração: 98 min

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.